quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Mais produtores e mais investimento na Feira do Fumeiro de Vinhais

O certame, que decorre entre os dias 8 e 11 de Fevereiro naquele concelho transmontano, apresentou-se no The Yeatman, em Gaia, vista escancarada para o Porto e para o Douro.
Foto: Luís Octávio Costa
Diz quem sabe que Ricardo Costa, segunda estrela Michelin conquistada em 2017, é um chef que "procura os enchidos". Por isso, desta vez, a Feira do Fumeiro de Vinhais, que decorre entre os dias 8 e 11 de Fevereiro, apresentou-se no The Yeatman, vista escancarada para o Douro e o Porto — e mesa farta. O certame é o mais antigo (com 38 anos de vida) e o maior, aumentando o número de produtores de fumeiro certificado de Vinhais.

A falta de espaço físico e impossibilidade de alargamento são mesmo apontadas como razões para a exclusão de mais de 100 expositores, sendo perto de meio milhar os produtores, obrigados a trabalharem apenas com porco bísaro e a cumprirem todas as regras de confecção (matéria-prima, ingredientes, modo de preparação, cura e secagem) de cada um dos produtos. O controlo é feito desde o nascimento do porco até à colocação do produto no mercado, todo o fumeiro que entra nesta feira passa por um rigoroso controlo de qualidade.

"Foi a aposta na qualidade e segurança alimentar que há mais de duas décadas permitiu à Feira do Fumeiro de Vinhais traçar um caminho forte de diferenciação e afirmação no contexto nacional. É a feira das feiras, não há outro evento gastronómico com maior índice de confiança no país. O trabalho começou com a certificação da matéria-prima, o porco bísaro, uma medida que, para além de salvar a raça da anunciada e previsível extinção, deu origem a um processo contínuo de aperfeiçoamento e melhoria desta raça e dos seus derivados", apresenta o certame.

Vinhais é actualmente o concelho do Norte de Portugal com maior número de produtos certificados associados ao porco e ao fumeiro e o segundo no país (a par de Portalegre). A saber: salpicão, chouriça de carne, alheira, butelo, chouriço azedo, chouriça doce, presunto e carne de bísaro transmontano. E é esta "garantia de qualidade" que impulsiona um volume de negócios que se estima acima dos seis milhões de euros (na venda directa do fumeiro de Vinhais e na economia associada ao sector). Só nesta Feira do Fumeiro as vendas ultrapassam as cinco toneladas de fumeiro.

A organização do evento, que coincide com o fim-de-semana de Carnaval, espera também um aumento do número de visitantes, que poderá chegar aos 80 mil.

Refira-se ainda que a Associação Nacional de Criadores de Suínos de Raça Bísara tem em mãos de um projecto de empreendedorismo, no valor de meio milhão de euros, que visa apoiar novos produtores, dentro da área do porco e do fumeiro e promovendo a investigação científica, apostando na melhoria da imagem, rotulagem e promoção, com o intuito de fomentar a comercialização.

Foto: Luís Octávio Costa
"A investigação científica, a cargo de investigadores do Instituto Politécnico de Bragança e da Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro, vai incidir na actualização dos cadernos de especificações dos produtos já certificados, respondendo às novas exigências legais e à própria adaptação ao mercado, mas também na criação de tabelas que permitam aos produtores saber o valor nutricional de cada produto, uma informação que a União Europeia tornou obrigatória no sector alimentar, e que seria difícil para cada produtor aferir individualmente. Este projecto prevê ainda desenvolver acções de formação aos produtores, auxiliando-os na sua relação com mercado, nomeadamente no processo de rotulagem, acondicionamento, embalagens, etc." Este projecto está em curso e deve ser concluído no prazo de dois anos.

E por falar em porco bísaro, recorde-se que esta raça, que já esteve praticamente extinta, tem actualmente um efectivo reprodutor de 5800 fêmeas e 600 machos, espalhados por 200 explorações, situadas principalmente nas regiões de Trás-os-Montes, Minho e Beiras.

Luís Octávio Costa
Jornal Público

ONDA LIVRE TV – XXII Feira da Caça e do Turismo e XXIV Festa dos Caçadores do Norte | Geral

Obras no quartel dos bombeiros de Alfândega da Fé custam 371 mil euros

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé iniciou obras de remodelação e ampliação do quartel, no valor de 371 mil euros financiados a 85% pelos fundos comunitários.
Cerca de 55 mil euros (15%) vão ser comparticipados pela câmara municipal. O quartel já está desajustado para fazer face a um crescente número de atributos operacionais, nomeadamente não dispor de camaratas femininas e a cobertura já dava sinais de degradação.
Do projeto de requalificação consta ainda obras para melhorar as acessibilidades e o serviço de atendimento ao público e a melhoria da eficiência energética do edifício. O município e aquela Associação Humanitária  assinaram também um protocolo de colaboração para o transporte de doentes oncológicos, que passam a ser feitos pelos bombeiros.
Desde 2013 que a autarquia assegurava deslocações semanais de doentes para os IPO do Porto e Coimbra.
A partir de agora, o transporte será efectuado pelos bombeiros voluntários mas os custos das viagens vão continuar a ser suportados pela câmara.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Café de Ciência analisou causas dos fogos

O mote da conversa foi "A evolução da paisagem e o fogo", um tema actual, relevante e controverso.
Henrique Pereira dos Santos defende que a gestão das aldeias é prioritária e é preciso uma gestão dos territórios mais consertada.

"Não há uma resolução de problemas dos fogos, o que há é uma gestão do fogo, que torna as coisas compatíveis com a sociedade que nós temos, que não ponha pessoas em risco, bens, etc. Para isso, em algumas circunstâncias precisamos de ter mais fogos e não menos. Agora, é o fogo que nós queremos. A alternativa não é: arder, ou não arder! A alternativa é arder quando queremos e da forma que queremos. O que pode implicar, por exemplo, a utilização do gado, mas também do fogo controlado. Ou então arder da forma como não queremos, e da forma como não queremos. A ideia que existe em não arder é uma ideia errada", refere Henrique Pereira dos Santos

Defende a teoria que nunca se conseguirá eliminar os fogos, mas poderá existir uma política de diminuição de risco dos mesmos.

"Nós temos que encontrar mecanismos novos e não usar os mecanismos de há 50 anos, pois esses já não funcionam, para quebrar essa continuidade de combustíveis, para conseguirmos gerir o fogo. Não é eliminar o fogo porque isso não existe. quando as pessoas dizem nós temos que acabar com os fogos. Não! Ninguém se lembra de dizer que temos de resolver o problema dos sismos, pois não?Nunca se consegue acabar com os fogos pois é um elemento tão natural como os sismos. "O que eu procuro explicar é que isto é um processo muito natural", defende o arquitecto.

Esta tese foi defendida no Café de Ciência que promove tertúlias de debate e o último centrou-se no tema "A evolução da paisagem e o fogo". O convidado foi o Arquitecto Henrique Pereira dos Santos

Henrique Pereira dos Santos trabalhou nas áreas protegidas de Montezinho, Peneda-Gerês e Serras de Aire e Candeeiros. Foi também Vice-Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade vários anos e participou na coordenação do Plano Sectorial da Rede Natura 2000.
Actualmente é Presidente da direcção da Montis - Associação de Conservação da Natureza, com sede em Vouzela, Viseu.

A próxima edição do Café de Ciência vai decorrer no próximo 16 de fevereiro, com a apresentação de Moisés Lopez, da Universidade da Corunha, com o tema da Poluição Ambiental e os usos de químicos.

Escrito por Brigantia

BOUÇA - Freguesias do Concelho de Mirandela

BOUÇA-Ferradosa-SOLAR DA FAMÍLIA CASTRO
BOUÇA Esta aldeia e freguesia com o mesmo nome, pertencente ao concelho de Mirandela, fica para o seu lado NNO, e dista cerca de 22km da cidade, a pequena distância da margem esquerda do Rio Rabaçal. A origem da palavra Bouça anda ligada à existência de um povoado maior (talvez Ferradosa?), e, não muito distante, umas duas ou três habitações, numa zona destinada ao cultivo do mato e outras culturas. "Bouça" seria a designação dada ao lugar onde ficavam essas habitações.
Em documentos do século XVII aparece como Bouça do Nuno, enquanto que na Estatística Paroquial do século XIX é designada por Bouça do Nunes. (Talvez por ligação a algum habitante com aquele nome.) Depois o local foi sendo aumentado com a vinda de mais população dos arredores. Ali houve habitantes já antes da nacionalidade, como nos mostra a arqueologia romana e pré romana, da qual se destaca a "Estátua Menir" da Bouça, estudada por Maria de Jesus Sanches e Vítor Oliveira Jorge. É um belo exemplar fálico usado na pré-história para assinalar a homenagem aos mortos. As Inquirições de D. Afonso 111 também nos falam da Bouça.
A 4 de Abril de 1827 por ali se encontravam os "artilheiros" de António da Silveira, aquando das lutas liberais de então. Pertenceu ao concelho de Torre de D. Chama até 24 X 1855, data em que passou para o de Mirandela. A Paróquia era curato da apresentação do abade da freguesia de Santa Valha, no termo da Vila de Monforte do Rio Livre, passando mais tarde a reitoria. Em 1861 é ali instalada uma destilaria de vinhos para aguardente. E, a 13 de Dezembro de 1900 passa a ter escola primária mista. Há ainda mais alusões a esta terra a propósito dos Viscondes da Bouça, dos quais o 2.° foi nomeado Governador Civil de Bragança ao entrar no nosso século. O Dr. José Bacelar, também um dos Viscondes da Bouça, foi um dos grandes beneméritos da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Mirandelenses na 1.a metade do século XX. Aliás, nas primeiras décadas desse século, o Visconde da Bouça manteve ali uma Banda de Música, depois extinta e cujos instrumentos serviram para iniciar a de Mirandela em 1945.
Por volta de 1960 tinham registado ali uma farmácia, 1 médico na Ferradosa, 4 lavradores/agricultores, 4 mercearias e 2 professoras. A nível de população, a freguesia de Bouça tinha 836 habitantes em 1950, diminuindo até aos nossos dias. Em 1991 eram 477 os residentes e, no censo de 2001 baixou para 360, dos quais 163 eram do sexo masculino. Estas gentes ocupam se com a agricultura e a pecuária produzindo vinho, azeite, batata, feijão, hortaliças, fruta em abundância. A construção habitacional tem se aproximado do cruzamento das estradas Valpaços/Torre D. Chama e Mirandela/Vinhais. É ali que se vê o maior desenvolvimento com serralharia mecânica, serração de madeiras, padaria, restaurantes, bombas de gasolina, lagares de azeite e outros serviços/indústrias. Designa-se inclusivamente por Cruzamento da Bouça. Porém, deixando a estrada e entrando na povoação, destaca se de imediato um conjunto de edifícios: a escola Primária, a Igreja Matriz, (arranjada e com escadas exteriores para a torre sineira), a Casa do Povo. Mais abaixo, e do lado oposto, esquerdo quando se entra na povoação, está a casa dos Viscondes da Bouça, com Capela e uma Quinta. É no Eirô, no Café, no Largo da Capela, na Rua Visconde da Bouça, ou na estrada nacional atrás referida que as pessoas gostam de se juntar para conversarem ou ocuparem os tempos de lazer. Ou ainda a Associação Cultural e Recreativa.
Ferradosa é uma anexa de Bouça, em fase de despovoamento, pois actualmente as casas
vazias são em grande número. Fica situada para Nordeste da freguesia, junto da estrada que segue para a Torre D. Chama, e a cerca de 2 quilómetros. Nesta aldeia com tradições rurais bem próprias, mostra se ainda a importância de alguns casais rurais abastados, cujas construções graníticas se manifestam à vista, dando lhe um bucolismo exemplar. O silêncio e as formas aparelhadas das pedras causam admiração a quem visita esta aldeia. O casario sobre a estrada com seus quintais bem tratados Agricolamente é a renovação das construções em pedra mais antigas do povoado. A Igreja Matriz destaca se na zona histórica, representando a ligação entre as várias gerações que ali têm passado.

In III volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,

coordenado por Barroso da Fonte.

Crédito Agrícola atribui incentivos a IPSS

Este Programa distribuiu 25 mil euros por 12 instituições e o objectivo desta iniciativa é ajudar as IPSS e melhorar a vida dos utentes.
O objectivo deste programa é ajudar as IPSS e melhorar a qualidade de vida dos utentes que pretende sobretudo actuar na área social, visando sobretudo, a requalificação de edifícios, a aquisição de equipamento e mobiliário e também a criação de eventos lúdicos e artístico.

"É um programa para ajudar as IPPS a melhorar a qualidade de vida dos seus utentes quer pela aquisição dos materiais de uso diário" refere Delmina Pires, Presidente da Conselho de Administração da Fundação Caixa CA.
Uma das instituições premiadas com este Programa de Incentivos CA foi o Centro Social Paroquial de São Tomé Quintanilha que vai receber cerca de 3000 euros.

A instituição com este valor pretende adquirir material informático e colchões para as camas dos idosos.

"Vamos adquirir material informático. Tínhamos um computador na instituição ainda do ano 2000 ou dos anos 90, queremos comprar um computador portátil e um fixo, e depois a nível de imobiliário vamos comprar colchões para as camas dos idosos", refere Rui Rodrigues Centro Social Paroquial de São Tomé Quintanilha. Uma medida refere é uma medida muito bem-vinda.

"Um sentimento de profundo agradecimento e de uma grande alegria. Realmente porque todas as instituições precisam e a nossa em particular também, e muito. Estes apoios são sempre bem-vindos. É uma instituição que passa por algumas dificuldades, sempre com um orçamento apertado, dá para o ano, estamos sempre a contar os tostões. E estes apoios são de extrema importância, porque nos ajudam a adquirir algum equipamento em que se estes apoios não existissem seria impossível" explica Rui Rodrigues.

Ao abrigo deste programa de incentivos do Crédito Agrícola, já foram atribuídos, cerca de 355 mil euros repartidos por 177 projectos de 67 Instituições, desde 2014. 

Escrito por: Brigantia

Sarau Cultural - Miranda do Douro

V Concurso de Tabafeia de Miranda

A Câmara Municipal de Miranda do Douro e a Sabores de Miranda – Associação de Produtores Gastronómicos das Terras de Miranda, promovem o V Concurso de Tabafeia de Miranda, no dia 17 de fevereiro, às 15h30, no Recinto do Jardim dos Frades Trinos, inserido no Festival de Sabores Mirandeses, que irá decorrer de 16 a 18 de fevereiro.
O concurso tem como objetivo promover e incentivar a produção e consumo da Tabafeia de Miranda, bem como estimular o seu melhoramento sensorial e degustativo, sensibilizando a população para a valorização dos recursos e produtos locais. A tabafeia de Miranda é um enchido fumado, de carne de aves e porco, pão regional de trigo, azeite, condimentada com sal, alho, colorau ou pimenta e salsa.

Inscrições até dia 8 de fevereiro, no Balção Único deste município.

Venham apreciar e degustar este produto de excelência!

CM de Miranda do Douro

Via Sacra - MOGADOURO

Participe na encenação da Via Sacra.
Início dos ensaios dia 7 de Fevereiro das 20:30 às 22:30 na Casa da Cultura.

Choque em cadeia condiciona a circulação na Estrada Nacional 213

Há um acidente na estrada nacional 213 que liga Mirandela a Valpaços.
Trata-se de uma colisão no sentido Valpaços-Mirandela, que envolveu 4 viaturas,ao que apurámos tratou-se de um choque em cadeia. 
Segundo a GNR de Vila Real, do acidente resultaram três feridos ligeiros, que foram transportados para o hospital de Mirandela.
Neste momento os veículos acidentados estão a ser removidos e a circulação está condicionada, fazendo-se de forma alternada por apenas uma via. 

Escrito por Brigantia

Dizeres e Ditos na Carta Gastronómica de Bragança

Letícia de Jesus Rocha
Sr.ª Dona Letícia de Jesus Rocha77 anos, vive em Bragança. É natural de Coelhoso. Nunca viveu mal. De manhã costumava comer sopas de pão com um ovo batido, torradas com manteiga, mas gostava das barradas com unto. 
Os salpicões penduravam-nos num quarto escuro. As carnes consumidas eram as de cordeiro e vitela compradas no talho.
O porco cevava-se em casa. No dia de festa assava-se carne no forno de cozer pão. No dia a dia tanto comia centeio como trigo. A aveia dava-se aos animais. Apanhavam peixes do rio e consideravam-nos um petisco. A caça era coelhos, lebres, e perdizes. Também tinham pombos caseiros. Principiou a cozer pão aos treze anos. Cozinhava pastelões de batata, empadas de carne e refogava coelhos.
Na noite de Consoada comiam filhós e leite-creme.
Nas tabernas não se comiam petiscos, bebia-se vinho.


Leonor Amélia Alves
Sr.ª Dona Leonor Amélia Alves, 94 anos, vive em Baçal. Comíamos mal e éramos de uma casa remediada.
Comiam castanhas cruas, mas diziam se comêssemos castanhas cruas nasciam-nos piolhos.
O que mais gostava de cozinhar era bacalhau.
No dia a dia as refeições compunham-se de batatinhas cozidas, toucinho, pita e ovos. As pitas só as velhas por causa dos ovos.
Aos meninos de colo davam-se caldinhos do fundo. Na matança, de manhã salada de
bacalhau, depois ao almoço carneiro, fígado de porco e um bocado da barbada. Para o sangue não coalhar deitavam-lhe uma pitada de sal e batiam-no muito. Criava patos e perus. Vendíamos os perus, o dinheiro dava para comprar outras coisas.

Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Foto: É parte integrante da publicação
Publicação da Câmara Municipal de Bragança

Vai abrir um centro de acolhimento a vítimas de violência doméstica em Bragança

Um projecto que visa receber 15 a 30 dias as vítimas de violência doméstica
A ASMAB - Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança pretende criar um Centro de Acolhimento de vítimas de violência doméstica emergente, de forma a preencher uma das lacunas de Trás-os-Montes.

"Nós elaboramos uma candidatura ao programa Portugal 2020, e era uma lacuna do nordeste transmontano, elaboramos essa candidatura, no sentido de ter em Bragança um centro de Acolhimento a vítimas de violência doméstica,  na questão da emergência. É um projecto para 15 dias, de acolhimento no máximo 30 dias, com capacidade para 9 pessoas" como refere Alcidio Castanheira, presidente da Direcção desta instituição.

Um projecto de parcerias com todas entidades locais que estão envolvidas nestas matérias no terreno.

Esta resposta é de âmbito nacional, mas pretende dar resposta principalmente ao distrito de Bragança.

"Isto é uma resposta de nível nacional, mas que prioritariamente servirá o distrito de Bragança e nesse sentido, nós já fizemos vários contactos com os municípios do distrito de Bragança, no sentido de todas as entidades que estão no terreno e que se confrontam com situações de vítimas de violência doméstica com essas situações de emergência poderão encaminhar as respectivas vítimas para essa casa. Não vou dizer a localização dessa casa de Bragança e prevê-se que possa abrir portas no dia 1 a 15 de fevereiro", diz Alcidio Castanheira.

O projecto tem um prazo de 15 meses, ao qual a associação pretende dar continuidade.

A ASMAB está a reunir todos os esforços para que a abertura deste centro seja realizada já nos próximos 15 dias.

Paralelamente, pretende-se a iniciação das obras de uma Casa Abrigo, com capacidade para 30 vítimas que vão durar cerca de um ano e meio.

Escrito por: Brigantia

Autarca de Macedo de Cavaleiros pede mais infraestruturas de regadio para o concelho

Até ao final do ano o Governo vai abrir novos concursos para candidaturas de projetos de regadio.
Uma garantia de Capoulas Santos por ocasião da Feira da Caça e Turismo de Macedo de Cavaleiros, depois do autarca local ter manifestado a necessidade de aumentar as infra-estruturas do concelho.
Em Trás-os-Montes, a Festa dos Caçadores do Norte aconteceu por estes dias e mais uma vez conseguiu afirmar-se como um feira de referência no setor com um aumento de visitantes.

Macedo é o terceiro concelho do distrito onde as casas são mais caras

O preço das casas vendidas em Portugal atingiu, no terceiro trimestre de 2017 (julho a setembro), 912 euros por metro quadrado, mais 1,8% que no trimestre anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
No distrito de Bragança, a média é bem inferior ao que se pratica no país, mas também existem diferenças assinaláveis entre os 12 concelhos.
Sem surpresa, Bragança e Mirandela são os concelhos onde são praticados os preços mais caros, com o preço por metro quadrado, em média, a chegar aos 542 euros, contrastando com o concelho de Vimioso, onde comprar casa fica por apenas 177 euros o metro quadrado, uma diferença de 365 euros.

Macedo de Cavaleiros é o terceiro concelho mais caro, com o metro quadrado a chegar ao 427 euros, ainda assim, menos 115 euros por metro quadrado que em Mirandela e Bragança.
Vila Flor é o quarto concelho mais caro, com 370 euros, segue-se Vinhais com 368 e Miranda do Douro com 335 euros.
Do meio da tabela para baixo, a média do preço das casas fica abaixo dos 300 euros por metro quadrado. Em Mogadouro, comprar casa fica em 277 euros.
Segue-se Alfândega da Fé, com 268 euros. Carrazeda de Ansiães, com 263 euros. Torre de Moncorvo, com 240 euros e Freixo de Espada à Cinta com 197 euros.
Como já referimos, o local mais barato é no concelho de Vimioso com o preço do metro quadrado a rondar os 177 euros.
De acordo com os dados do INE, os preços de venda subiram na maior parte dos 308 municípios do país e há alguns aumentos significativos, como em Santa Marta de Penaguião, no distrito de Vila Real, onde os valores por m2 subiram 94,7% (mais 199 euros) nos 12 meses compreendidos entre o terceiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Terra Quente)

Os diabos vão andar novamente à solta em Vinhais

No próximo dia 17 de fevereiro que os diabos vão andar à solta em Vinhais.
A iniciativa é fruto de uma tradição ancestral e única em Portugal.
As festividades começam na Quarta-feira de Cinzas e prolongam-se até ao sábado seguinte com uma procissão com a figura da morte e mais de mil diabos.

Projeto transmontano leva arte e ciência aos mais idosos

'Do Museu ao Lar' é um projeto que tal como o nome indica promove a arte e a ciência nas instituições para idosos.
Algumas IPSS de Vimioso e Bragança têm acolhido diversas iniciativas e o Porto Canal acompanhou uma tarde sobre o ciclo da seda na Fundação Betânia.

Confraria do Javali quer que Macedo seja referência na gastronomia daquela carne de caça

Confrades querem que o nome de Macedo seja cada vez mais associado à gastronomia da carne de javali.
Uma espécie cinegética com grande proliferação no concelho e peso na economia local, cuja importância deve ser tida em conta e levada além-fronteiras. Quem o diz é Benjamim Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Macedo e membro da Confraria do Javali.

“De facto, tem havido aqui um movimento interessante de dinamização do javali enquanto iguaria, alimento ancestral e enquanto peça importante na economia local.

É uma carne óptima, com muitas propriedades, podemos até chamar-lhe quase um produto light com grande proteção no aspeto da saúde.

O papel da confraria é, de facto, levar o javali além do nosso território. Promover encontros, intercâmbios, em que nós possamos divulgar e difundir o nosso produto local.

Aqui faz todo o sentido porque existe uma proliferação interessante do javali e nós, confraria, também temos o papel de proporcionar algum equilíbrio na biodiversidade.

É já um dos produtos de referência neste momento, tem algum peso económico e também na dá visibilidade aos restaurantes.”

Além do destaque dado ao Javali que há cinco anos está presente na Feira da Caça com uma rota gastronómica que inclui quase todos os restaurantes locais, são esperadas mais novidades, e entre elas a possibilidade de criar um Festival do Javali.

“Claro que sim. O Festival do Javali também pode ser feito no contexto atual, isto é, criar, paralelamente à Feira da Caça, uma rota gastronómica, não nos moldes que já existe mas sim com outras variantes.

Existem imensas soluções e acredito que, em breve, iremos ter outro tipo de iniciativas.”

Hoje em dia o javali é já confeccionado de mais formas do que era antigamente, porém, ainda há muito por fazer, considera António Silva, Grão-Mestre da Confraria do Javali.

“Há muito a fazer. Eu recordo-me de quando fundamos a Confraria do Javali era impensável fazerem-se pratos gastronómicos como hoje se fazem. Era o tradicional javali no pote estufado e era só confecionado dessa forma. Hoje em dia já não é assim. O javali já é uma iguaria preparada, empratada e confecionada de dezenas de maneiras diferentes. E o que interessa à confraria é isso, que o javali não seja só o prato tradicional que era antigamente mas que seja também grelhado, aromatizado entre outras variadíssimas formas de o confecionar.

Portanto, o Javali ainda tem muito para dar.”

Desde de domingo que a Confraria do Javali conta com mais 9 membros, oficializados numa cerimónia de Entronização, somando agora um total de 51 confrades.

As confrarias que têm um papel importante na valorização dos territórios e estão cada vez mais entre os interesses das populações, deixa saber Olga Cavaleiro, Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.

“Nós sentimos que cada vez mais o movimento das confrarias cresce, é algo que se propaga pelo território e não só pois faz a divulgação da gastronomia mas acaba também por ser uma forma de promover a totalidade do seu território, ou seja, para além da gastronomia também a paisagem, a cultura, a história, a arquitetura e tudo aquilo que diz respeito a um território acaba por ser divulgado.

Assistimos ao aparecimento de mais e novas confrarias com maior diversificação e, por outro lado, sentimos que a prórpia sociedade se envolve cada vez mais pois percebe que acaba por ser um ato de voluntariado, que além da parte festiva tem também a parte do trabalho e da dinamização local.”

O javali a ganhar cada vez mais espaço e importância na gastronomia e tradição do concelho de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

"Butelo de Histórias"

No próximo sábado às 10:30, inserido no Festival do Butelo e das Casulas, decorrerá o "Butelo de Histórias". Vamos cozinhar histórias divertidas, suculentas e deliciosas para os mais pequenos. Aproveitem, visitem a feira e disfrutem de um momento de "gastronomia literária"!

Bragança recebeu presidentes de associações mutualistas do país

Decorreu a 1ª reunião anual de presidentes mutualistas, no Arquivo Municipal de Bragança. A iniciativa contou com a participação de 40 instituições.
Decorreu em Bragança a primeira reunião anual de Presidentes Mutualistas que teve como mote "a Liderança como Exemplo".

"Um deles é este que vamos ter hoje, o encontro Nacional de Presidentes Mutualistas. Uma liderança forte nas várias instituições provoca que as instituições se desenvolvam, que criem mais riqueza, que no fundo criem mais emprego". disse o Presidente do Conselho de Administração da União de Mutualistas Portugueses, Luís Alberto Silva

Bragança a ser escolhida como palco, e a ser um passo para a descentralização dos eventos da União de Mutualistas portugueses, como destaca Alcídio Castanheira, presidente da direcção da ASMAB Associação de  Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança e única associada da União de Mutualistas Portugueses.

"Porque se insere numa política de descentralização por um lado e também de articulação entre todas as instituições do pais, é importante colocar à disposição de todos, todos os recursos poderemos rentabilizar-los e consequentemente, poderem usufruir desses recursos." destacou Alcídio Castanheira, presidente da direcção da ASMAB Associação de  Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança

A reunião decorreu numa partilha de experiências entre todas as instituições. Centrou-se num debate em três eixos. Um deles foi o debate em como se poderão envolver mais jovens nas associações mutualistas. Outro motivo de discussão centrou-se na questão em como poderá ser comunicado o trabalho desenvolvido das associações mutualistas, ou seja, como poderá ser desenvolvida a área da comunicação e divulgação das instituições e, por fim, foi ouvida a opinião de todos os presidentes no que diz respeito, às actividades das instituições.

Para Abril está agendado o encontro Nacional de Jovens Mutualista e o Encontro Nacional de Mulheres Mutualista para Outubro.

Escrito por: Brigantia

O VÉIO

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)
VÉIO CAIPIRA PICA-FUMO
Eu tava bão inté aquela hora. Inda intentei chamá minha fia, mais ela num mi iscuitô! Inté pensei que podia pelejá  co´as dô,  passano um café forte ô fazeno um chazim de capim santo. Mais a dô num passava. Era uma dô no peito que só veno! Inda agorinha ela mi bateu aqui nas paqüera; num pudia nem toma fôrgo!
Oiei nu patacão pindurado adetrais da porta: era duas hora da madrugada. Pros lado do quarto da fia num se iscuitava nada; deviam de tar durmino! Saí do meu catre de jirau cum cochão de páia. Pensei de í no quintár tomá ar fresco. Distramelei as duas parte da porta e me irrompi no quintár. Lá fora tava crarinho; parecia que um farolete tava alumiano a casa, os teiado, os chiquero coás marrã i os marrão gordo; os pulero cheio de ligorna e ródia; tudas ela quietinha! Só o galo índio deu um cocorocô quarqué, bem de mansinho. A lua táva linda, cheia, intêra. Lembrei que fazia muitos ano que num arreparava que a lua era tão bunita! Senti saudade da finada minha muié, que tinha a mania de decramá verso quando a noite era de lua cheia.

Eu tava cô´a cara moiada. Me admirei um pôco. Já tenho quase setenta ano nas costa e inda sinto saudade darguém, que já se foi faiz cinco ano! Sintí uma mão nos ombro. Minha fia foi vê o que o véio foi fazê lá fora numas hora dessa. Ela me abraçô cuma há muito tempo nem queria pensá. E moiô a brusa co’as minha lágrima. Falei pra ela que táva cum saudade  da Maria. Ela me disse que tamém táva, mais que a vida tinha de continuá. Eu disse pra minha fia que amava ela, i que amava a Maria tamém! Falei que achava  uma pena que nunca tinha tido coráge pra contá pra Maria, do meu amor por ela. Eu só pensava em trabaiá. Das veiz o cansaço da lida era tanto que durmia em seguida de comê um prato de comida.
Eu dormia co’as galinha! Nos domingo táva sempre sem disposição de í assistí a missa ô visitá um cumpadre. Falei pra minha fia tuda essas coisa, i ela ó dizia: - tá bom pai, tá bom pai! E eu chorei como nunca tinha chorado na vida! Nóis entremo. Tudo os neto acordáro; uns disséro que távam cum fome, ôtro que doía um dente. Demo de comê pra unsunzotro, fizemo chá de capim santo, - inté eu tomei um poquim! Minha fia me pois na cama, tar e quar faz co´s bacurim dela, me cobriu, me deu um bejo e disse que me amava. Naquele resto de noite meu espírito deu revestrés! Sonhei que táva oiano a casa de cima do teiado, depois de mais encima, dispois tudo azulô. Eu intão vi um enorme jardim, muito bunito, com muitos banco e bacurim pra tudo que era lado. E vi a Maria num banco rindo pra mim. E ela era cuma eu conheci nas flor dos seu quinze ano.


Foto da Maria aos 15 anos de idade
Ela me abraçô cum força i me disse que a fia e os neto iam ficá bem. E se riu do boné que eu tinha na cabeça; boné que a mãe dela me deu no dia em que fui pedi ela em namoro. Oiei o boné. Percebi que eu usava suspensór e táva de carça curta. Eu tamém era menino.
Se fez noite de lua cheia. Lembrei dos tempo passado e dos meu deslexo co’as coisa do amor. Disse pra Maria que eu amava ela! E ela correspondeu e inda recitô uma poesia pra mim.
- Só intão eu me dei conta: eu táva no Paraiso!

(Texto Criado em 15.12.2011)
GLOSSÁRIO À LA ANTÓNIO TORRÃO
Acordáro = acordaram.
Bacurins = crianças.
Chazim = pequena quantidade de chá.
Chiqueiro = espaço reservado para criação e/ou ceva de porcos; pocilga.
Distramelá = destravar (portas e/ ou janelas). As taramelas são travas rústicas, mormente feitas de madeira, retangulares, com furo central, donde é fixado um parafuso que serve de eixo. A taramela na posição vertical significa que a porta/janela está destravada; na posição horizontal, estão travadas.
Durmí co´as galinha = ir dormir cedo, tão logo escureça.
Suspensór = suspensório.
Paqüera = região do pescoço.
Passá um café = Coar o café; ato de despejar água fervente sobre o café moído, dentro do coador.
Patacão = relógio com mostrador de grande diâmetro.
Pelejá = lutar.
Pulêro = poleiro.
Táva = estava.
Unzunzôtro = uns e outros.

REFERÊNCIAS

- Pintura em óleo do “Caipira Pica-Fumo”, de autoria de um dos mais importantes pintores brasileiros de todos os tempos: José Ferraz de Almeida Júnior (Séc. XIX)-Viveu apenas 49 anos. Era caipira de Itu (SP).
- Imagem da Maria colhida na internet, sem autores definidos.

Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

Massa de ar muito frio faz as temperaturas descer significativamente a partir de amanhã

Vêm ai dias de muito frio já a partir de amanhã, 1 de fevereiro.
A alteração meteorológica deve-se à passagem de uma massa de ar frio e seco e à intensificação do vento no litoral oeste e terras altas, que pode chegar aos 80 km/h, informa o Instituto Português do Mar e da Atmosfera em comunicado.

As temperaturas máximas vão descer em todo o território continental, baixas que podem ir de 3 a 7 graus.

A partir do dia 3, sábado, há probabilidade da queda chuva fraca em todo o continente.

No distrito de Bragança prevê-se temperaturas mínimas abaixo de zero até pelo menos ao fim da próxima semana.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - MANUEL ANTÓNIO MONTEIRO (N. FREIXO E. CINTA, 1647)

Casa dos Carrascos em Freixo de Espada à Cinta
Historicamente, a família Monteiro Carvalho é uma das mais nobres de Freixo de Espada à Cinta. Remontando ao século de 500, ali vivia o casal constituído por Diogo Garcia de S. Miguel e Isabel Monteiro Carvalho, que foram os pais de António Monteiro Carvalho, que vivia de sua fazenda e tinha o emprego de guarda a cavalo das alfândegas e portos secos. Era um emprego de importância estratégica pois o porto e alfândega de Freixo registavam então um extraordinário movimento de pessoas e mercadorias, até porque nesses anos os dois países ibéricos estavam unidos debaixo do mesmo trono, sendo as feiras de uma e outra banda da fronteira frequentadas por mercadores de ambos os países. E foi por causa de facilitar a fuga de “judeus” para Castela que o guarda António Monteiro Carvalho foi preso pela inquisição, em 1629.
António era casado com Catarina Pereira Varejão e estes foram os pais de outro António Monteiro Carvalho (1) que, criando-se em Freixo, foi fazer vida em Madrid e Lisboa, na casa do “fidalgo D. Álvaro de Sousa”. (2) Quando regressou à terra natal, depois da revolução de 1640, vinha já casado com Maria Saraiva Cardoso, de Marialva. E estes foram os pais de Manuel Monteiro Carvalho que terá nascido em Freixo de Espada à Cinta pelo ano de 1647 e foi batizado em Marialva, onde seus pais viveram algum tempo.
Manuel casou com Maria Coelho Zuzarte, de outra nobre família freixenista, recebendo de seu sogro, em dote, um olival no sítio de Riba Boa, uma vinha às Fontainhas “que leva de cava 10 homens” e 2 tapadas e 2 courelas ao Santoquixo. Para além disso, o sogro, Pedro Lopes da Fonseca, passou para ele o emprego de meirinho do judicial.
Seria com muito espanto que, em Julho de 1669, as gentes de Freixo assistiram à prisão de Manuel M. Carvalho, (3) juntamente com sua mulher e 2 cunhadas, pela inquisição de Coimbra, denunciado como sendo cristão-novo e acusado de se ter declarado por judeu.
Levado para Coimbra e dizendo ser cristão-velho, houve primeiro que apurar a qualidade do seu sangue. Foram para isso interrogadas 40 testemunhas, de avançada idade e reconhecida idoneidade, para além de outras que os comissários ouviram extrajudicialmente, fazendo-se diligências em Freixo de Espada à Cinta, “Maria Alva” (4) e Celorico da Beira, terra de sua avó materna, Guiomar Saraiva Cardoso, (5) que “uns parentes levaram ainda pequena para Marialva, onde a casaram”. Todas as testemunharam e o parecer dos comissários foram unânimes sobre a qualidade do sangue e o Conselho Geral proferiu o seguinte despacho:
- Assentou-se que ele é cristão-velho legítimo, limpo de toda a raça de cristão-novo…
Prosseguiu então o processo destinado a averiguar a veracidade das denúncias, provando ele que os denunciantes terão agido por ódio e vingança. E aqui reside o maior interesse do processo de Manuel Monteiro Cardoso. É que as suas contraditas constituem um verdadeiro tratado do viver quotidiano da vila de Freixo de Espada à Cinta naquela época.
Vamos então para a casa do sogro de Manuel Monteiro, que era vizinha da casa de Isabel Madeira, filha única, cujo pai falecera e que vivia de sua fazenda. Havia entre eles uma grande familiaridade, tratando-se até por parentes. Isabel seria um bom partido e o sogro de Manuel tratou de a casar com o seu filho João Coelho da Fonseca, então ocupando o cargo de meirinho delegado pelo pai. Mas o João é que não estava pelos ajustes do casamento.
Pelo meio meter-se-ia então um grande amigo de Isabel, chamado António Rodrigues Pereira (6) que, por seu turno, tinha entrada na casa do marquês de Távora, que então era o governador de armas de Trás-os-Montes. E António Pereira foi falar com Luís Álvares de Távora que chamou a Chaves o João Coelho Zuzarte e o colocou perante o dilema: ou casava com a Isabel ou ele o obrigaria a sair de Freixo recrutando-o para soldado. João terá respondido que não casaria com ela e antes iria para soldado. Efetivamente João foi feito soldado e o cargo de meirinho foi então delegado em Manuel Monteiro, seu cunhado.
Enraivecido por não conseguir o casamento da amiga (e não “ganhar a fanega” (7) - dizemos nós), o mesmo António Pereira foi depois a Freixo e, encontrando o pai de João, puxou de uma faca… e só não o espetou porque aquele fugiu. E sempre foi comentando que Pedro Fonseca fazia bem melhor casar o filho com a Isabel  do que a filha com o “judeuzinho de Marialva”… e dizendo-lhe as pessoas que o ouviam que Monteiro Carvalho não era da família de judeus… “ele mudou de cor e se foi da conversação em que estavam”.
Francisco de Almeida era, de certo modo, o líder da comunidade hebreia de Freixo e grande inimigo de Manuel Carvalho. Porquê? Aquele trazia arrendada uma fazenda de um parente seu. E falecendo este, Manuel, na qualidade de tutor de uma filha órfã, tentou tirar-lhe a fazenda, antes do tempo contratado, metendo uma ação no juízo de Freixo, a qual perdeu. E recorrendo para o juízo da correição, perdeu também. Mas conseguiu tirar-lhe uma casa que trazia também arrendada, com o argumento de que não pedira autorização ao juiz dos órfãos. E daí nasceu a inimizade.
Mas a inimizade do Almeida com a família de sua mulher tinha ainda outras razões, uma delas motivada porque, estando os Almeida a passar a fronteira, vindos de Castela, em uma noite, com fazenda contrabandeada, foram vistos pelos guardas da alfândega que os perseguiram. Não os apanhando, foram, com o escrivão da alfândega “dar varejo em casa do dito Francisco Almeida para descobrirem a dita fazenda”. O escrivão era… Pedro Lopes da Fonseca… Claro está que…
As lutas entre os cristãos-novos de Freixo, quase todos ligados por laços familiares a Francisco de Almeida e a Francisco de Matos, este originário de Foz Côa e aquele de Almeida, ganharam mesmo contornos políticos. De modo que, sendo juiz de fora interino e, consequentemente, presidente da câmara de Freixo, Domingos Lopes da Fonseca, irmão do sogro de Manuel Carvalho, foi aprovada em reunião de câmara uma deliberação no sentido de expulsar da terra todos os que dela não eram naturais.
A deliberação não foi cumprida… imagine-se: porque os “carmijuteiros” (assim chamavam aos de fora) conseguiram um despacho do tribunal da inquisição de Coimbra “para os não despejarem da terra”. Estranha esta imiscuição dos inquisidores na vida política de um recôndito vilarejo trasmontano! Possivelmente receavam perder o proveito dos bens sequestrados aos Freixenistas que tinham presos.
Dissemos atrás que, com o recrutamento do cunhado para a tropa, Manuel Monteiro tomou posse do lugar de meirinho. Pois, no exercício de tal cargo, sabendo que um Duarte Nunes e uma Ana Nunes, cristãos-novos, primos entre si, andavam amancebados, fez participação do facto no tribunal de Freixo, processo que subiu à relação do Porto e cujo desfecho não conhecemos.
Muitas mais histórias do viver coletivo quotidiano dos Freixenistas se contam no processo de Manuel Carvalho Monteiro que, naturalmente, foi declarado inocente. 

Notas:
1-O casal teve outro filho chamado Manuel Monteiro Carvalho que foi sacerdote e uma filha, Joana Monteiro Carvalho que casou com João de Gamboa, de igual nobreza e fidalguia.
2-Trata-se, certamente,  de Álvaro de Sousa, que vivia em Madrid à data da Restauração e fugiu para Inglaterra e para Lisboa, não obstante a concessão do título de conde de Ansiães pelo rei Filipe IV, com o objetivo de o aliciar contra o novo regime entretanto instaurado em Portugal.
3-ANTT, inq. Coimbra, pº 8969, de Manuel Monteiro Carvalho.
4- Maria Alva – assim aparece escrito. Ao final da diligência, o inquiridor escreveu: - Não faça aos senhores inquisidores reparo eu tirar tantas mulheres, porque homens antigos não os há nesta vila…
5-Os pais de Guiomar Cardoso eram donos da Quinta de Espinheiro, que tinha uma capela particular onde eles foram sepultados.
6-Embora cristão-novo, António Rodrigues Pereira era feitor da alfândega de Mogadouro.
7-Pelo menos em algumas terras da região do Douro Superior, perdurou até meados do século XX, o hábito de dar uma fanega (4 alqueires) de cereal à pessoa (inculcador) que proporcionava condições de casamento com alguém que se pretendia.
8-António Rodrigues Pereira foi preso pela inquisição de Coimbra e, enquanto esteve preso, faleceu Isabel Madeira. Na mesma ocasião foi também presa uma Francisca Soares, amiga do mesmo Rodrigues Pereira, moradora em Freixo e antes de ser presa, entregou valores em casa de Isabel Madeira, para escapar ao seu confisco pela inquisição. Aconteceu que, quando foi solta e regressou à terra, foi a casa de Isabel reaver o seu “fato”. Não o conseguiu porque Catarina Ribeira, meia-irmã de Isabel e sua herdeira universal, disse que não sabia de nada e nada tinha para lhe dar, ameaçando-a aquela “que não quisesse vir para onde o réu (Manuel Monteiro Carvalho) vinha e a sua gente”.


António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

ÁGUA MOLE... PSITACISMOS

Próprio de inúmeras espécies vivas e parte apreciável da sua aprendizagem, imitar é para a nossa tão útil que será difícil, ao fim de um dia qualquer, lembrarmo-nos de algo que tenhamos feito não aprendido dessa forma. Os comportamentos imitativos têm ainda a vantagem de ser socialmente aceitáveis, facultando desse modo sentimentos de inclusão, proteção, a segurança do rebanho.
Mas imitar também traz riscos. A tendência para o fazer é tanto maior quanto menor for o autoconhecimento, quer a nível individual quer coletivo. Ora o que nos identifica é o que mais ninguém tem. Por isso, se ao reproduzir não juntarmos o tempero da reflexão e da personalidade, estamos apenas a responder a estímulos, como os cãezinhos de Pavlov, a ser robôs. E em íntima ligação com isto, é sabido que a liberdade pessoal diminui na razão inversa da normalidade, de maneira que, embora sob os riscos da punição do grupo, os que têm a coragem de ser eles próprios são também os mais livres. O maluco é muitas vezes aquele que, não se cingindo a copiar, se desvia tanto quanto possível de condutas uniformizadas.
As ações de cada um tendem assim a ser uma linha média entre a permeabilidade às forças e pressões externas e a capacidade crítica perante elas. Acontece que, no que nos diz respeito, somos bem mais inclinados a plagiar do que a refletir. Basta pensar nos tiques de linguagem que de repente desatamos a repisar para nos sentirmos “in”, nos gestos estereotipados que fazemos ao apanhar uma câmara pela frente, no afã com que, para aparecer no Guiness, construímos o maior seja o que for do mundo, na paixão com que nos deixamos pescar pelas redes sociais, na forma como acatamos cegamente as modas do vestuário mesmo se nos propõem algo tão disparatado como andar esfarrapados. No meu prédio os carros não cabem nas garagens e são forçados a manobras árduas porque as dimensões destas obedecem a um modelo trazido sabe-se lá de onde.
Mas não era bem aí que queria chegar, até porque há coisas mais e menos ponderosas. É já proverbial o caso de uma das nossas vilas que possui uma larga avenida de alto a baixo com uma série de belas rotundas, vitais para a fluência do tráfego, onde não falta absolutamente nada a não ser o próprio tráfego. Sucede que a rotunda se tornou um cliché para obter votos, qualquer quinta faz questão de ter a sua e aquela gente não quis ser menos que as outras. Aborrecido é que, para mal dos nossos pecados (e bem da dívida) este anedótico caso está longe de ser único, a insensatez conta-se por milhares, por todo o lado.
Os de Arçanha-de-cima arranjaram que o presidente lhes erguesse um pavilhão desportivo todo apetrechado mesmo que, com a escassa gente da terra, não se enxerguem grandes eventos para lá fazer? Que importa, os de Arçanha-de-baixo, não se querendo ficar atrás, e sob a tácita ameaça de não votarem no partido nas eleições seguintes, exigem um superior e mais moderno. E conseguem-no.
Um autarca vê algures um belo campo de futebol de cinco com o que há de melhor e o faz recuar ao seu imaginário infantil? Não está com meias medidas e toca de construir um igual na sede da junta. Até podia dar-se o caso feliz de tal equipamento ser usado para fazer as delícias de uma série de garotos. Mas ocorre esta coisa bizarra de não haver no sítio nenhum garoto, nem sequer um para amostra, é extraordinário.
Noutra aldeia faz-se um parque de merendas junto ao rio, num local concorrido, uma bela ideia para os piqueniques de verão tanto para locais como visitantes? Logo os outros povos do concelho pedem parques de merendas. E eles prontamente aparecem, bem arquitetados, com bons materiais, mesmo que não haja rio, nem sombras, e seja pouco provável que apareça lá alguém para merendar.
Os exemplos, todos com o seu quê de risível, poderiam amontoar-se. Avanço só mais um, referido à cidade. Entre as décadas de setenta e noventa vivi nos dois grandes centros do país. Acontece que, nessa altura, tanto num como noutro a invasão automóvel era caótica, sendo muito comum ver os carros fazer dos passeios parque e atirar com os pobres peões para o meio das ruas. Foi para acabar com o abuso que sensatamente se decidiu colocar aqueles pinos que toda a gente conhece.
Mas aqui, não me lembro de alguma vez ter sido hábito estacionar dessa maneira. E como neste caso os bonecos conseguem juntar o inútil ao desagradável, não estou a ver outro motivo a não ser que alguém se tenha deixado encantar por eles. É isso. Assim não vamos lá.



Eduardo Pires
in:jornalnordeste.com

Helena e os Lobos - Albino Falcão

Albino Falcão, desde há muito desenvolveu o gosto pelas tradições, hábitos e singularidades da Gentes Transmontanas.
Talvez por isso tenha decidido dedicar um pouco do seu tempo livre à escrita de alguns contos de índole popular, ou talvez não, que retratam o quotidiano aventureiro e místico que carateriza as populações e as terras nordestinas.
A sua paixão pela escrita desenvolveu-se na Universidade dos Açores, onde a distância aguçou a saudade da serrania e das suas gentes. Aí, além de exercer as funções de subdiretor do Jornal  Universitário, começou por escrever e publicar curtas crónicas satíricas.
Talvez aqui tenha começado o gosto pela narrativa curta de índole proverbial.


Albino Falcão é professor de Português do 3.º Ciclo do Ensino Secundário.
Licenciado em Português/Francês pela Universidade dos Açores.
Natural e residente em Bragança, onde nasceu a 17 de novembro de 1967, aí exercendo a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas Augusto Moreno.

Contacto do autor para aquisição do livro: ajrfbrg@gmail.com

DA RELAÇÃO COM OS ANIMAIS E DO NECESSÁRIO BOM SENSO

Recentes acontecimentos ocorridos nas imediações do espaço urbano de Bragança, que encharcaram a terra com sangue de ovelhas, mortas por cães ditos selvagens, deveriam ser motivo de reflexão séria sobre as distorções que estamos a impor aos equilíbrios que a natureza vai instalando, que não se compadecem com os nossos caprichos.
Há cerca de dez mil anos terá começado a domesticação de animais, de acordo com necessidades e propensões dos grupos humanos, na transição do Paleolítico Superior para o Neolítico, quando da mudança da condição de caçadores recolectores para produtores sedentários.
É geralmente reconhecido que o cão foi um dos primeiros mamíferos procurado e adestrado para auxiliar na caça, na vigilância, mesmo na segurança das comunidades, o que lhe reservou um lugar especial entre os animais que têm sido decisivos na evolução económica e social da humanidade.
Também o gato se adaptou a conveniências próprias e dos humanos, com vantagens mútuas, atingindo um patamar invejável, com direito a lugar de honra nas lareiras e acesso especial às casas, as famosas gateiras. A rataria, portadora de incómodos e pestes, assim o exigia.
Mas, não foram somente estas duas espécies que acompanharam os humanos nestes milénios. Várias raças de bovinos, ovinos, caprinos, equinos, asininos, suínos e diversas aves foram afeiçoadas à gestão doméstica, permitindo sucessos notáveis na alimentação, na força de trabalho, na guerra, no transporte de mercadorias, conduzindo à prosperidade das sociedades humanas.
A relação com estes animais, mas também com os que se mantiveram na condição natural, tem sido marcada pela noção de que se houver desequilíbrios todos correremos sérios riscos.
No entanto, nas últimas décadas, temos vindo a assistir a um processo de afastamento da natureza, que resulta num enviesamento estranho: desprezando a condição animal, alguns pretendem redimir-se com a escolha de duas ou três espécies para desempenhar o papel do que chamam criaturas de companhia.
Tal ilusão foi consagrada na letra da lei, confundindo animais com pessoas e legitimando comportamentos que raiam o absurdo. Encher as zonas habitacionais de apartamentos com cães e gatos, não garante aos animais condições de vida dignas e pode tornar-se num grave problema para as pessoas.
Se conviver com animais afinal implica esterilizá-los, castrá-los e enchê-los de rações artificiais, não estamos a promover uma relação natural. Por outro lado, mais dia menos dia, não admira que se instale uma epidemia tão mortífera como foi a famosa peste negra do século XIV, provocada por parasitas que iam saltando de rato em gato, em cão e assim sucessivamente, até que foi arrasado um terço da humanidade então conhecida.
Voltando aos casos dos ataques selváticos, é curioso verificar que ninguém se mobilizou por causa da quase centena de ovelhas “assassinadas” mas não faltarão alguns disponíveis para lançar petições para que nada aconteça aos cães. Sabe-se lá se não serão recuperáveis para animar algum apartamento. Que os deuses nos ajudem.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com