quarta-feira, 25 de abril de 2018

As crianças divertem-se!



Diogo Piçarra e Mastiksoul são destaques da semana académica de Bragança que arrancou esta terça-feira

Já começou a semana Académica de Bragança. Até domingo serão muitos os artistas que vão passar pelo pavilhão do Nerba, com destaque para Diogo Piçarra e Mastiksoul.
A organização afirma que apostou num cartaz diversificado, como destaca Ricardo Cordeiro, o presidente da Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança.

“Este ano temos um cartaz bastante diversificado e equilibrado, todos os dias com uma banda bastante conhecida. Dia 24 temos um artista internacional, o Dj MC G15, brasileiro, quarta-feira temos Wet Bed Gang, quinta-feira Putzgrilla, sexta temos a dupla de DJ’s Karetus, sábado actua o que considero um artista que está mais no top a nível nacional que é o Diogo Piçarra, seguido do Dj Overule, domingo é Mastiksoul”, descreveu.

Este ano o orçamento aumentou devido à escolha dos artistas e o presidente da associação académica espera que tal se traduza em mais público.

Hoje o arranque dos espectáculos é com a serenata académica.

Sábado acontece a missa da bênção das pastas, às 9h30, e no mesmo dia às 14 horas decorre a queima das fitas. Já domingo tem lugar o desfile académico a partir das 14 horas.

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

Despiste seguido de capotamento deixa jovem ferido em Macedo

Um despiste seguido de capotamento ao inicio da tarde desta quarta-feira provocou um ferido ligeiro na estrada N216 em Macedo de Cavaleiros.
Ao que apuramos, o vítima, um jovem de 22 anos, era passageiro do veículo que estava a ser conduzido pela mãe e foi transportado para o Hospital de Macedo de Cavaleiros.

No local estiveram cinco homens entre Bombeiros de Macedo e GNR, apoiados por 2 viaturas.

Escrito por ONDA LIVRE

terça-feira, 24 de abril de 2018

Clube de Leitores | 3.ª Sessão | 26 de abril de 2018

Grândola Vila Morena





Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

O município de Vila Flor organizou mais uma edição da prova de atletismo que contou este ano com cerca de 500 participantes

GNR deteve suspeito da prática de incêndio florestal no distrito de Bragança

A Guarda Nacional Republicana deteve nos últimos dois dias cinco incendiários, um deles no distrito de Bragança.
A força de segurança informou hoje em nota de imprensa que deteve cinco pessoas, em flagrante delito, pela prática do crime de incêndio florestal, nos distritos de Bragança, Portalegre, Porto, Vila Real e Viseu.

Os suspeitos, dois homens e três mulheres, com idades compreendidas entre os 38 e 72 anos, durante a realização de queimas de sobrantes não conseguiram controlar as chamas, tendo resultado numa área ardida total de cerca de 59 000 m2 de pinheiro bravo, eucalipto e mato.

Os detidos foram constituídos arguidos e sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

Revista Brigantia apresenta novas facetas desconhecidas do Abade de Baçal

A nova edição da revista cultural Brigantia foi lançada, no passado domingo e é dedicada aos 100 anos do museu Abade Baçal e aos 150 anos do nascimento do historiador e arqueólogo de Baçal no concelho de Bragança. 
A revista Brigantia apresenta facetas desconhecidas do Abade Baçal, como refere Ana Maria Afonso, directora da revista e do Museu.

“A temática da revista é dedicada ao Abade de Baçal no âmbito dos 150 anos do seu nascimento e dos 100 anos do museu. Esta revista teve uma colaboração diversificada e com uma abordagem nova e que nos permitem dar a conhecer facetas um tanto ou quanto desconhecidas do Abade de Baçal. Temos também uma segunda parte de epistolografia do Abade de extrema relevância cultural, com cartas inéditas. Começa uma edição que será longa, com a publicação de 5000 cartas que vamos editar.” referiu Ana Maria Afonso.

Telmo Verdelho, do conselho científico da publicação vê esta revista como a memória mais rica que Bragança já viu.

“Certamente que a revista é um dos monumentos mais ricos que Bragança produziu. As revistas, cada uma tem o seu valor muito desigual, entre os vários textos. Não vão ser encontradas obras-primas, mas o conjunto das revistas ocupam um espaço numa estante numa biblioteca que ocupa um espaço ainda maior do que as memórias, do que a bibliografia do distrito de Bragança e portanto está ali um repositório informativo que necessita de ser trazido à memória activa” destacou Telmo Verdelho.

Artur Nunes, presidente da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes, entidade detentora da revista, destaca a importância deste lançamento no contexto cultural do distrito de Bragança.

“A CIM agarra aqui uma possibilidade cultural no lançamento e na publicação desta revista. Fizemos o lançamento e havia muita gente, para um domingo à tarde. Esta é uma revista de âmbito distrital e parece-me de facto bastante importante. As pessoas continuam interessadas na cultura e é um dos pilares importantes nas Terras de Trás-os-Montes. Como eu disse na minha intervenção abre-se aqui uma janela de oportunidades para futuras acções culturais” Artur Nunes.

A revista é bi anual e junta temas como a cultura, a arqueologia, o património, a investigação história e antropológica.

Escrito por Brigantia

O DIA DE NATAL

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)
                                                                                           O DIA DE NATAL
Na noite de natal, propriamente dita, não era costume de se fazer a ceia. De tempos em tempos, meu pai convidava alguns compadres para jogarem um jogo de cartas chamado "Dourada"; às vezes era o jogo do "Truco". Nestas ocasiões, ficávamos ali, andando em volta da mesa que era montada vizinha à de jogo, onde mamãe dispunha algumas galinhas assadas, leitão, pães e anisete (bebida preparada com cachaça, açúcar e essência de anis, mais um quinto de água) ou vinho. Cachaça, confesso, nunca vi ser servida ou bebida em minha casa,, nunca! 
Antes de eu e meus irmãos irmos dormir, deixávamos nossos sapatos, engraxados e lustrados debaixo do presépio. Esperávamos um dia vermos o Papai Noel... . Caindo de sono, íamos para a cama e, quase sempre minha mãe vinha no quarto e gritava, avisando que o Papai Noel havia passado e deixado presentes. Aos treze anos de idade tive que sair daquele paraíso, porém minhas retinas mantêm gravadas as lembranças, as cores, as vozes, os cheiros e os significados dos presentes que ganhava, todos os anos, até os treze, sem nunca ter falhado uma única vez. Somente quando já era um "cavalão" de trinta anos, soube em detalhes do esforço de minhas irmãs mais velhas e de meu pai, para comprar presentes para nós todos.
Os parcos recursos do salário de meu pai eram insuficientes para comprar presentes para seis ou sete dos filhos; os menores. Entrava em cena minhas irmãs mais velhas, que se desdobravam, trabalhando na casa dos patrões preparando comidas e mais comidas para o Natal e ano Novo; a outra, só depois soube, sempre plantava muito alho e nos obrigava a regá-los todos os dias: não sabíamos que aquele alho, vendido fora da época da colheita tinha preços melhores e minha irmã os vendia e os transformava em caminhões, piões, bonecas, casinhas e roupas, que nos vestiam e os brinquedos que nos encantavam. Uma dessas irmãs, a mais velha, já viajou fora do combinado e deve estar, como sempre, ajudando no que for possível às almas que estão no céu, junto com ela. Nem é preciso dizer de como chorei no primeiro Natal longe da família, da fazenda, das pessoas gentis que falavam caipirês, assim como eu: afinal eu estava morando na metrópole de São Paulo, onde começava a vivenciar um novo modo de vida e novos valores.

                                                         NATAL NA ROÇA: IMPRESSÕES DO AUTOR
Descrevi aqui o ambiente do natal na roça, lembrado por um velho, que sou eu, ao tempo em que era uma criança. Natais, onde num almoço compareciam mais de cinquenta pessoas, algumas com desculpas de que..."só vim cumprimentar a comadre e o compadre..."! Nesses casos, meu pai, Seu Joaquim, os recepcionava da seguinte maneira:

-     Podem chegar! Vão chegando e se assentando. O menino Jesus passou por aqui!

E assim, o almoço de natal era servido até que a noite chegasse. A mesa nunca era desfeita. A presença do Deus Menino era coisa palpável, que também junto com todos, faziam a festa de natal prorrogar e fechava-se a noite com terço e uma roda de viola. 
Às vezes, o grupo de baianos e mineiros que faziam parte da "Folia de Reis" compareciam por cortesia. 
Com lágrimas nos olhos, lembro vocês daqueles natais, daqueles cantares, da bandeira dos reis magos, dos versos, das homenagens "tiradas" pelo líder da folia de reis e do palhaço, que não entrava na casa e ainda tinha que dançar, ao som das caixas e zabumbas lá fora, no quintal fronteiriço da casa grande, para ganhar as "boas festas". 
-Estas, são coisas que me enchem de emoção; até hoje.


Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - FRANCISCO DA COSTA HENRIQUES (N. VIMIOSO, 1623)

Francisco da Costa Henriques nasceu em Vimioso, cerca de 1623, filho de António da Costa e Beatriz Lopes. Tinha meia dúzia de irmãos e quantidade de tios paternos e maternos, muitos dos quais assentaram morada em Castela. Sim, que à época os dois reinos ibéricos estavam unidos pela coroa dos reis Filipes e as rotas comerciais de Vimioso e do Nordeste trasmontano se dirigiam especialmente para aquelas bandas. Aliás, as cidades então capitais da Ibéria (Valhadolid e Madrid) eram mais próximas que Lisboa.
Também Francisco cedo começaria a viajar com mercadorias para Castela, certamente acompanhando seu pai. Não sabemos que géneros de mercadorias levavam e traziam, mas pegariam a tudo o que aparecia, como era normal entre os da etnia. Das andanças por Castela, Francisco dirá que assistiu em Toledo e Valhadolid.
Teria uns 15 anos quando foi viver para a cidade do Porto, parecendo haver coincidência com idêntico movimento de seu tio materno, António Henriques da Costa, mercador, natural de Vimioso que, depois de viver 15 anos em Castela, (1) regressou ao reino para casar em Vila Franca de Lampaças, com Isabel Cardosa e ali viver por 9 anos, posto o que a família se mudou para o Porto. Eles seriam os sogros de Francisco, que, por 1648, casou com Leonor Henriques, filha única do casal, nascida em Vila Franca, por 1630.
Não sabemos onde e como viveria Francisco Henriques no Porto antes de casar. Viveria já em casa do tio e com ele trabalharia, como viveu e trabalhou depois de casado, “porque viviam na mesma casa e tratavam de tudo misticamente”, como ele próprio declarou?
Ao Porto foram ter com Francisco seus dois irmãos mais novos, Manuel e João da Costa (2) que, por 1656 se embarcaram para Pernambuco, Brasil, onde vivia Bento Cardoso, natural de Lampaças, tio materno de Leonor Henriques da Costa.
Adivinha-se a existência de uma rede familiar de negócios, baseada na importação de açúcar do Brasil e sua distribuição a partir do Porto, não apenas em Portugal mas também para Castela e principalmente para os países do Norte da Europa. De contrário, receberiam e fazendas e manufaturas que seriam enviadas para o Brasil. Isso não impedia Francisco de fazer constantes viagens de negócio, nomeadamente a Lisboa, Trás-os-Montes e terras da raia de Espanha onde, nem a guerra da Restauração impedia as transações comerciais.
Floresciam os negócios de Francisco da Costa Henriques e podemos com certeza afirmar que ele integrava a elite da burguesia mercantil da cidade, a avaliar pelo seu relacionamento com outros poderosos mercadores da época. Esta classe viria a ser completamente arrasada pela inquisição que, ao início do verão de 1658, lançou uma terrível operação de limpeza, que levaria à prisão mais de uma centena de pessoas. E muitos mais fugiam, conforme as informações dos familiares do santo ofício que chegavam a Coimbra dizendo:
- A gente da nação desta cidade anda de alevanto para se ausentar da mesma (…) lembro em termo de 6 dias não fica aqui cristão-novo algum… (3)
Logo na primeira vaga de prisões seguiu o nosso biografado, assim como o sogro, António da Costa. Dias depois, levaram também a mulher, Leonor Henriques da Costa. (4) No Porto ficaram 2 filhos e 2 filhas do casal, o mais velho contando apenas 9 anos. Quando o prenderam, Francisco trazia 4 dobrões de ouro que valiam 28. 800 réis, “cosidos no gibão” e mais 150 réis em prata.
No inventário dos seus bens móveis ressaltam 4 cofres, mobiliário de escritório, e mobiliário de casa feito de madeira de castanho, jacarandá, pau-preto ou pau-Brasil… tudo peças marchetadas de marfim, assim como bufetes, cadeiras e tamboretes de couro do Brasil, painéis e espelhos com boas molduras… reveladoras de um ambiente burguês.
Porém, o que verdadeiramente importa do mesmo inventário, são as janelas que se abrem sobre o mundo empresarial deste homem de 35 anos. Vejamos, antes de mais, as mercadorias que estavam embarcadas.
No porto de Viana do Castelo, chegadas no navio do mestre Cosme Vaz Carneiro, à responsabilidade de Heitor Tinoco, tinha 2 caixas de açúcar branco, pesando 47 arrobas.
Em um navio acostado na Foz do rio Douro, que havia de seguir para Hamburgo, tinha, carregadas, 10 caixas de açúcar “e um feito de mascavado” vendidas a Fernando Álvares e António Correia da Mesquita, ali moradores. Na margem do processo aparece desenhado o sinal identificativo destas caixas. Desenho diferente também, para identificar 3 caixas de açúcar branco que iam destinadas a António Henriques do Vale, mercador em Hamburgo. No mesmo navio estavam embarcadas mais 12 caixas de açúcar branco e 10 de mascavado, cujo destinatário não aparece identificado, sendo apenas a terça parte de Francisco, pertencendo as outras duas a Jorge Garcia de Leão.
Imperador Octaviano era o nome de um navio, dirigido pelo mestre João Bernardo, vindo de Hamburgo e atracado no rio Douro, com fazendas dali remetidas por Duarte e José de Lemos a ele e ao sogro e antecipadamente “vendidas” a Domingos Lopes Pereira, filho de Francisco Vaz Artur, mercador no Porto, natural de Segóvia, Castela, significando isso que o nosso biografado era um verdadeiro importador / exportador, ganhando nisso a sua comissão.
Pena que não tenhamos o preço das mercadorias para avaliar a grandeza dos negócios. De contrário, sabemos que ele devia “perto de 200 mil réis” à firma de António Rodrigues Mogadouro, (5) com sede em Lisboa, na Rua das Mudas, se bem que as contas do ano ainda não estivessem apuradas, significando isso que eram parceiros comerciais, não se antevendo o tipo de mercadorias fornecidas. De contrário, devia 20 mil réis a Diogo Lopes Dias, estabelecido na ilha Terceira, Açores, respeitantes a despesas havidas com o embarque de uma caixa de açúcar. Também ao mestre de navios, Manuel Álvares dos Santos, devia 7 mil réis que gastou com o embarque de uma caixa de açúcar. De tudo isto e mais dívidas se acharia registo concreto e preciso no seu “livro da razão” e no “livro que tem do recebimento das caixas que vêm do Brasil”.
Se as dívidas passivas são poucas e quase exclusivamente relativas a embarque ou transporte de açúcar, já as dívidas ativas são mais e de natureza diversa, mostrando que o nosso biografado vendia mercadorias tão diversas como sedas a um mercador portuense morador à Ponte de S. Domingos ou madeiras a um tanoeiro de Aveiro, certamente para a construção naval. E agora, veja-se um estranho tipo de negócio, contado nas próprias palavras de Francisco da Costa Henriques:
- Comprou ele de uns homens de junto a Bragança, cujo nome não se lembra, a herança do padre Amaro Martins que faleceu na Baía, estando no Brasil, do qual padre ficaram testamenteiros Miguel Carneiro e Pedro Vargas Carneiro, da Baía, e remeteram já a ele declarante o que lhe tocava; mas ainda lhe está devendo, da dita herança um Francisco Nunes da Mota, morador no Rio de S. Francisco, do mesmo estado, uma dívida grande, não sabe a quantia ao certo, e era procedida de gados, de que pertence a metade aos herdeiros do dito padre, conforme o contrato que fizeram; e todos os papéis tocantes à compra e cobrança desta herança tinha ele declarante no seu escritório. 
Não vamos analisar o processo de Francisco Henriques que logo começou a confessar as suas culpas e a denunciar familiares e amigos, particularmente trasmontanos e marranos, tal como fizeram a sua mulher e o seu sogro. E foi a partir das suas denúncias que a inquisição lançou em terras de Vimioso e Carção uma grande operação contra a heresia judaica, na qual foram parar ao tribunal de Coimbra umas 7 dezenas de pessoas.

Notas:
1-Em Espanha, António Henriques da Costa viveu 2 anos em Medina de Rio Seco; 7 em Ávila dos Cavaleiros e 5 em Segóvia. Tinha 2 irmãs, uma em Castela e outra em Livorno e um irmão, também morador em Castela, na cidade de Sevilha.
2-João da Costa faleceu em 1657, ainda solteiro, em pleno mar, em viagem de regresso ao Porto. Manuel da Costa continuava no Brasil em 1658 e Bento Cardoso morreu, na tomada de Pernambuco aos Holandeses, em 1654, conforme informação da sobrinha, Leonor Cardosa.
3-ANTT, inq. Lisboa, pº 4603, de Vasco Fernandes Campos, mercador, natural de Vila Flor, morador no Porto, assistente em Lisboa.
4-IDEM, inq. Coimbra, pº 280, de Francisco da Costa Henriques; pº 2256, de António Henriques da Costa; pº 7102, de Leonor Henriques da Costa. 
5-ANDRADE e GUIMARÃES – A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa, Ed. Vega, Lisboa, 2009.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

Agricultores de Vale de Madeiro (Mirandela) estão com a vida complicada porque não conseguem regar

A conduta de rega de Vale de Madeiro, em Mirandela, não se encontra aberta e está a complicar a vida aos agricultores. A responsabilidade é da delegação de Regional de Agricultura. Emanuel Baptista não compreende a postura do Director Regional de Agricultura do Norte.
Emanuel Batista é presidente da Associação de Beneficiários do Perímetro de Rega de Vale de Madeiro e diz que já solicitou a abertura da conduta, até porque a barragem já está na sua capacidade máxima, mas teve uma resposta negativa. A delegação de Agricultura do Norte alegou que é necessário manter o caudal ecológico da ribeira.

“Pedimos à direcção regional que é a titular da obra para abrir a conduta de rega e não nos foi concedida essa abertura. Porque tem que se manter o caudal ecológico da ribeira, quando no Verão a ribeira não corre. A ribeira no verão não tem caudal ecológico e não sei como o vão conseguir manter, durante o verão. E o mais grave é que a Barragem transborda pela descarga superior essa água que é mais do que o caudal ecológico que o Ministério do Ambiente obriga e essa água não está a ser utilizada, havendo agricultores proprietários de estufas. Não percebo o porquê do nosso director não nos conceder a abertura do caudal da rega” disse Emanuel Batista. 

Emanuel Batista não entende esta postura da Direcção Regional de Agricultura que, diz estar a causar enormes constrangimentos aos utilizadores da conduta de rega.
O presidente da Associação de Beneficiários do Perímetro de Rega de Vale de Madeiro diz mesmo que os protestos são tantos que já chegaram ao seu local de trabalho.
“No meu local de trabalho era uma romaria de agricultores a perguntar o porquê de a conduta não estar aberta e que quem é a responsabilidade. A associação de regantes não tem responsabilidade no canal da rega. Apenas tem responsabilidade na gestão do canal da rega. Mas para o canal da rega funcionar a Direcção Regional tem que abrir a conduta principal para nós podermos accionar todos os hidrantes e deixar à disponibilidade dos seus utilizadores a água para eles fazerem a sua agricultura.”  

Emanuel Batista não contém a indignação com situação e deixa algumas questões no ar sobre os critérios aplicados pela direcção regional de agricultura do Norte.

“Nós agricultores transmontanos precisamos que os responsáveis solucionem esta questão e não provoquem ainda mais a desertificação em Trás-os-Montes. Temos uma estrutura que podemos utilizar mas não a utilizamos quando a pretendemos. É preferir dizer que não vamos realizar a exploração agrícola e é melhor irmos para uma zona onde nos ajudem e não nos compliquem a vida. O que neste momento a direcção regional de Trás-os-Montes e o seu director está a fazer” advertiu Emanuel Batista.

Esta associação integra 182 agricultores que beneficiam desta conduta de rega, pertencentes às localidades de Mirandela, Vale de Madeiro, Carvalhais, Vila Nova das Patas, Vale Pereiro e Vilar de Ledra, numa área a rondar os 144 hectares. Até ao momento ainda não foi possível obter uma reacção de Manuel Cardoso, Director Regional de Agricultura do Norte, sobre este assunto.

Escrito por Terra Quente (CIR)

UM OLHAR SOBRE OS 44 ANOS DEPOIS DE ABRIL

Completam-se amanhã quarenta e quatro anos sobre o dia em que floriram cravos nas mãos e nos canos das espingardas neste Portugal, país do poente, sempre promessa de madrugadas empolgantes e manhãs radiosas, enquanto não chegam tardes entediantes e vésperas de desânimo.
Do alto destas montanhas podemos olhar para o tempo que passou e concluir que o país não ficou muito diferente. Fartamo-nos de sonhar com quintos impérios da alma, mas continuamos a revolver-nos em pesadelos que nos doem no corpo todos os dias, tolhendo a vontade de chegar além da tristeza e da desilusão.
A festa foi intensa naquela Primavera, mas durou pouco. Por Setembro o país dividia-se, iniciando um percurso que culminou na ruptura, em Março do ano seguinte, uma quase guerra civil que poderia tornar-se numa tragédia para muito tempo.
O mundo de então vivia a longa experiência da política de blocos ideológico-militares, apesar de tudo mais tranquilizadora que o caos actual, selva de predadores sem controle, que se dão a caprichos sanguinários, sem objectivo para além do terror diabólico.
Nesse tempo as lideranças europeias tinham um norte estratégico. Por isso, não baixaram a guarda, permitindo que Novembro do segundo ano dos cravos fosse tempo de consolidação democrática, num país que se poderia ter perdido para sempre. Permanecerá a memória da coragem que permitiu resistir a tentativas de tomada do poder, empenhadas em replicar modelos que, dali a poucos anos, entraram em fragorosa ruína, mesmo se ainda prolongam agonias na Coreia do Norte, em Cuba, na Nicarágua e nesse caso paradigmático, triste e miserável da Venezuela.
Entretanto o país absorvera, com relativa tranquilidade, cerca de setecentos mil cidadãos, deserdados do fim do império, num processo de torna viagem bem menos exuberante que os dos brasileiros do século dezanove, mas que trouxe nova vida aos territórios do interior, alimentando esperanças de reverter o isolamento, a subsistência, o êxodo que se arrastava há mais de um século.
Mas foi sol de pouca dura. Os que tinham voltado também se escoaram na torrente nunca travada, porque não houve sensatez nem prospectiva para conceber e construir um futuro de equilíbrio territorial, que passaria por investimentos selectivos, pela autêntica discriminação positiva, realizando um outro país, verdadeiramente mais livre, tranquilo, sorridente e próspero.
Por isso, ao iniciar o quadragésimo quinto ano da era da última revolução, até ver, arrimados às fragas que nos sustentam o orgulho, sentimos que, por mais que a alma não seja pequena, podemos ter chegado ao momento em que nada vale a pena, deixando-nos ir na vaga que ameaça lançar o país contra um novo cabo das tormentas, onde o Adamastor é a insânia, o imediatismo, a mediocridade, a ganância, as acções malévolas e as omissões cobardes que não soubemos combater. 
Fica-nos a sensação de que o tempo dos cravos foi, para nós, uma oportunidade perdida, talvez a derradeira, para garantir a esta terra e a estas gentes a dignidade a que tinham direito.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

PASSADORES E PASSANTES

O género do negócio – furar a fronteira – redundava em pingues lucros para os furadores, os passadores embrenhados numa controversa teia de transportarem gado humano para uma terra, terras sem guerra colonial, onde as padarias vendiam pão a todos quantos o podiam pagar.
A notícia informa-me de o Museu Abade de Baçal ter ter inaugurado uma exposição referente à emigração clandestina ocorrida no Nordeste desde a eclosão da guerra colonial. Não vi a exposição, li o artigo de fundo de Teófilo Vaz que calou fundo na plataforma se palavras, sons e sentidos do que entendo ser a nossa memória colectiva, no caso em apreço de toda a negregada e forçada fuga ao oróbio, ao analfabetismo, à miséria e funesta opressão conduzida por «educadores» de um sistema político antidemocrático e amigo das medidas de segurança instituídas por um Ministro bragançano.
Tais medidas inspiradas nas leis fascistas produziram muito sofrimento, muita miséria e, graças aos militares de Abril, macias retaliações, o Catedrático legislador foi saneado, todos os sequazes ficaram de férias uns tempos sendo reintegrados sem perda de direitos ou regalias de estatuto e mesura.
Ora, o editorial de Teófilo Vaz teve o condão de remexer o baú da memória, daí o recrudescer centrado em actores que de uma forma ou outra desempenharam papéis ma grotesca peça do negócio que no essencial, a cupidez, conseguiu superar as negociatas do volfrâmio onde se espalhavam semienterrados bocados e vestígios do metal levando os lorpas ao engano de forma a vender-lhes a ilusão. Sobre o volfrâmio escreverei um dia!
No tocante à exposição não sei se contempla relatos sonoros e descrições proferidas e descritas por passadores, alguns estarão vivos, vivi e ouvi conversas no café Progresso e esporadicamente em duas casas de pasto bragançanas onde pontificavam passadores quase sempre de samarra colada às costas, de olho vivo e pé-ligeiro mormente nos dias de feira pois propiciavam recrutamentos e prisões ou não existisse bem perto (Quintanilha) um posto da PIDE dirigido por frenético agente nascido em Moimenta da Raia que o Senhor José Reis enfrentou olhos nos olhos e punhos cerrados.
Alguns passadores corriam parados a recolherem e segregarem informações na potenciação (como agora se diz) do negócio longe das evocações daquela Senhora Clímaco que escreveu uns pitorescos livros relativos aos clandestinos, longe da cesura higiénica de autores austeros e longe da escrita de Pugalle. Eu disse cesura, não disse censura!
Seria estultícia enunciar sacerdotes, escritores e publicitas que conseguiam furar a cortina censória do Estado Novo escrevendo acerca dos dramas decorrentes dos saltos quantas vezes mortais advindos das custosas transposições de obstáculos naturais e humanos, no entanto, felizmente, também surgiram vozes de apoio aos desgraçados caídos nas garras de ladrões de tudo. Neste vaivém emigratório deve-se incluir os transportadores muito bem pagos, estes comparsas ganharam muito dinheiro apesar de untarem as mãos visando o fechar de olhos de vigilantes de raias secas e molhadas, sem esquecer os celerados a depositarem as vítimas onde calhava.
No tocante a documentação também ignoro o trazido a lume, penso que o meu amigo Professor Doutor Francisco Cepeda deve possuir e saber onde se pode encontrar para além das instituições habituais, o Centro de Documentação 25 de Abril e o Museu da Resistência e a Biblioteca de Pacheco Pereira terão documentos de várias origens referentes ao tema em boa hora ressuscitado pelo Museu. O Dr. Ochôa trabalhou junto de emigrantes na Alemanha, de qualquer modo, o importante seria convencer os homens e as mulheres a testemunharem as suas errâncias no grande palco francês e luxemburguês prioritariamente, no alemão na primeira fase e no espanhol um pouco na qualidade de comprido corredor até à fronteira francesa. Seria vaidade pacóvia indicar este ou aquela nos diversos patamares do drama, a mala de cartão da maioria dos atingidos não se esvaneceu, continua a perdurar no seu imaginário sem canções a acompanhar, sim imagens de dormirem em barracas, de trabalharem de sol a sol, de amealharem sorrisos de troça e humilhações porque a instrução era escassa e a míngua de conhecimento da língua hospedeira aumentavam as provações.
Nas festas estivais descendentes dos forçados foragidos vêm as aldeias dos ascendentes, não acreditam no antigo modo de vida dos avós, às vezes já nem eles querem acreditar porque preferem esquecer, só que tão funda e forte ferida aberta a golpes de infortúnio não ser cerzida porque continua a purgar, esta exposição tem o mérito de possibilitar o reforço da nossa identidade colectiva, neste caso pelas piores razões.
O desafortunado e eminente historiador Lucien Febvre escreveu uma obra que, pelo menos, todos os professores de História deviam ler e meditar, trata-se de Combates pela História, o autor argutamente aponta o papel da História para o conhecimento do Mundo, de nós próprios. Ora, o período de passadores e passantes nas nossas aldeias e cidade (naquela época ainda não se tinham multiplicado as vilas e cidades) devia fazer parte das preocupações educacionais e culturais dos nossos burgos para sem peias e resguardos estudarmos a documentação existente nos mais variados suportes, os discutirmos e cicatrizarmos a referida ferida. É melindroso, é. O mesmo melindre que encerram duas canções de Zeca Afonso, uma a contrastar com a outra, as duas invocando dois homens há pouco tempo desaparecidos.
O restauro da democracia cuja efeméride comemoramos amanhã também se fez a fim de permitirmos abrir as arcas encoiradas de toda e qualquer natureza porque a História pode ser branqueada, mutilada, distorcida, falseada, pura e simplesmente arrasada como no século XX os ditadores e tiranos pretenderam, porém a história deixa sempre um vestígio a denunciar os regimes criminosos e os apagadores cheios de invisível pó de giz a surgir imitando o nariz do Pinóquio. 25 de Abril sempre!



Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com

O AUTO PROCLAMADO ESTADO DO INTERIOR 2 (CONTINUAÇÃO)

Penso que os Transmontanos não se revêem na recomendação Salazarista de que “os pobres devem saber ser pobres” mas também não os vejo, de forma alguma, na postura de “chulecos” valendo-se de expedientes tácticos para ir buscar mais “algum”. Também não os vejo como os “moderados” do Maio de 68 que aconselhavam “Sede realistas! Pedi o impossível!” Mas ainda os vejo menos como uns parolos reconhecidos com o estatuto de burro ou de vaca Mirandesa com que o “Movimento pelo Interior” os quer brindar quando vaticina que “sem subsídio não ides lá”. Os Transmontanos são orgulhosos demais para aceitarem esmolas mas também são suficientemente humildes para aceitarem, como bem vinda, qualquer ajuda quando sozinhos não logram alcançar. Não aceitamos qualquer estatuto de excepção ou de privilégio  pois seria o reconhecimento da nossa incapacidade, da nossa incompetência. ( “Não queremos o peixe mas queremos que nos ensinem a pescar”). Somos como somos, temos o que temos mas temos, sobretudo, a obrigação de o saber rentabilizar. E para rentabilizar as nossas potencialidades não nos envergonhamos de pedir às “cabeças iluminadas” (espero que por Deus que não, só, pela luz elétrica - O. Salazar) ajuda para remover dificuldades. Darei alguns exemplos de empreendimentos que teimam em não se realizar pela falta de conjugação de esforços e que poderá ser um teste às capacidades dessas figuras públicas. Assim queiram elas.
1- Não temos uma estrutura agro-industrial desde que o Cachão fechou. Como se sabe a falta de estruturas de recolha da produção agrícola leva ao abandono da produção. Claro que a transformação deve ser o passo a seguir à produção. Só que, se além falhámos, aqui falhamos mais. Este falhanço ganha especial relevância quando falamos na castanha. Vêmo-la ir sem lhe tirar o sumo. Não resisto a relatar o que vi e ouvi numa feira de produtos da terra que a televisão transmitiu. Foi assim: dois empresários italianos do ramo da castanha, com fortes negócios aqui no Nordeste, exibiam um pacote de “bombons” de castanha, o mais recente produto das suas indústrias transformadoras. Quando o entrevistador televisivo lhes perguntou onde poderia comprar um pacote desses “bombons”, responderam “ não, para já é só para Itália”. Fiquei indignado mas também envergonhado. Indignado por ver a arrogância daqueles italianos que levam daqui a matéria prima e sem o mínimo de elegância dizem-nos, na cara, que o produto acabado não é para indígenas. Mas também fiquei envergonhado porque quem tinha obrigação de fazer aqueles bombons eramos nós. Eu sei que os não sabemos fazer mas podemos ir buscar quem saiba. O Eng. Camilo de Mendonça para fazer as compotas no Cachão também foi buscar Mestres ao estrangeiro.
2- A falta de dimensão das explorações agrícolas não permite uma mecanização eficiente o que aliada à falta de escala trás produtividades abaixo do sofrível. Sem competitividade logo com baixos salários, o abandono da actividade é a saída. O emparcelamento, não sendo panaceia, daria outro fôlego ao sector. Mas o emparcelamento não é coisa que nós possamos fazer, isso é coisa da política. Ora, é mesmo à política que nós devemos este atraso ancestral, esta política de minifúndio, esta agricultura de canteiro. A falta do emparcelamento, logo a falta de dimensão, acarretou a falta de investimento na agricultura, a manutenção do paradigma agrícola, em suma o atavismo. Mas os políticos sempre  tiveram medo ao emparcelamento. Acho que já é altura de sacudir esses receios e para isso contamos com a prestimosa colaboração dos nossos “chefes de turma”.
Por outro lado, os nossos baldios, excluindo a parte alocada às Matas Nacionais, não produzem rigorosamente nada. E não se pense que é despiciendo pois Bragança mais Vila Real têm aproximadamente 120.000 hectares de baldios. Ponham esses hectares nas mãos de quem sabe e os quer trabalhar. Mas isso também não é tarefa nossa, é da Política. Aceitamos ajuda.
3- Trás-os-Montes recebeu uma prenda de luxo e não sabe o que há-de fazer com ela. Trata-se de 100 km de zona ribeirinha na albufeira do baixo Sabor. A albufeira, com 50 km de comprido, é um espelho de água imenso onde se pode fazer pesca, caça, mergulho, sky aquático, náutica de recreio, motonáutica de competição isto tudo contando com o apoio logístico dos bares, das praias, dos restaurantes, dos parques de campismo, etc. É estranho que, sendo mais ou menos consensual a ideia que o turismo é uma das poucas hipóteses de desenvolvimento sustentado que temos, ninguém mexa uma palha.
4- Moncorvo tem sido muito falado pela hipótese de reabertura das minas de ferro. Os jornais trouxeram escalpelizado o assunto do escoamento do minério para a siderurgia do Seixal. Vantagens e inconvenientes do escoamento por rodovia, pela via fluvial ou pela ferrovia. Por fim assentaram que o escoamento se fará por rodovia até Vila Franca das Naves e daí seguirá por ferrovia até ao Seixal. Ora, o que me faz confusão é terem estudado até à exaustão o escoamento do minério para a siderurgia do Seixal e nem uma linha, nem um pensamento sequer, sobre a possibilidade de trazer a siderurgia para Moncorvo apesar das imensas vantagens que isso traria para a região. Nem aos autarcas, sempre tão zelosos dos interesses dos seus municípios, lhes ouvi aflorar essa hipótese. E não é novidade nem deve ser difícil. Não é novidade pois em tempos houve os altos fornos da Campeã-Vila Real que era onde descarregava o minério de ferro de Guadramil. Além disso se se pensa que a deslocalização da siderurgia é “um bicho de sete cabeças” eu lembro que o dono da siderurgia, há um ano ou dois, ameaçou mudá-la para Vigo se lhe não fizessem um determinado preço na electricidade. É porque não deve ser muito difícil.  5- A mobilidade em automóvel com propulsão eléctrica será, dizem, a 4ª revolução industrial. A peça fundamental desse veículo é a bateria de lítio. Ora, segundo a empresa mineira Dakota Minerals, Portugal possui em Montalegre, na Serra de Arga e Barca de Alba as maiores reservas de Lítio da Europa. Isto devia ser motivo bastante para que as Câmaras, os Politécnicos, as Universidades instituíssem prémios, criassem bolsas de estudo, contratassem Professores e peritos estrangeiros, enfim, que de uma forma ou outra fomentassem a investigação na aplicação do Lítio às baterias. É absolutamente fundamental que quando o Lítio sair da mina haja pessoal especializado de maneira a prosseguir os procedimentos que constituiriam a fileira do Lítio. Em suma: da mina à bateria seria tudo trabalho nosso com a arrecadação das respectivas mais valias para não falar na colocação de mão de obra especializada no interior. Que não aconteça ao Lítio o que aconteceu à castanha. Seria demasiado mau.
Pelos vistos, algumas nozes, ainda, há. Temos de compor os dentes.

Manuel Vaz Pires
in:jornalnordeste.com

DA FILOSOFIA E DA POLÍTICA

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
A reflexão filosófica conduz-nos a uma aventura fascinante do devir do pensamento e a um percurso ímpar que vai da família, à aldeia e à cidade. Paulatinamente o mito vai dando lugar à filosofia e à política. Platão fala-nos da cidade ideal. Aristóteles vai alicerçar a génese da filosofia política no poder paternal da família. Várias famílias dão origemA a uma estrutura mais complexa que é a aldeia. Por seu lado as aldeias dão origem à cidade, à “polis” de grande complexidade que já exige um poder político que tende ao bem comum. E assim, com Aristóteles há uma importante sistematização da política como ciência, partindo dos seguintes pressupostos: “Primeiro, procuraremos rever o que foi dito pelos nossos predecessores que investigaram este assunto. Depois, com base na nossa recolha de constituições, consideraremos o que preserva e o que destrói as cidades bem como as respetivas constituições e quais são as causas de que umas sejam bem governadas e outras não. Estudadas estas questões, podemos compreender melhor qual a melhor constituição, como cada uma deve ser ordenada e de que leis e costumes carece.”
E é por isso que cada vez mais me fascina a política enquanto repositório de saberes antiquíssimos que o devir humano vai completando, vai aperfeiçoando, no sentido de tornar a ação política numa prática tendente ao bem comum e ao bom governo da cidade.
Isto é política, a mais nobre ação humana e de novo ouvimos o grego Aristóteles: “o homem é, por natureza, um animal político.” 
Regressando aos nossos dias e à nossa ação política, facilmente se confunde política, com política partidária que sem dúvida é essencial para garantir a democracia, entendendo que, como diz Winston Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história.” E infelizmente a história está cheia de maus exemplos do aproveitamento político-partidário. Todos nos lembramos, horrorizados, como o Cabo Hitler chegou a líder do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialistas Alemães e mais tarde acumulou os cargos de chanceler e presidente dando origem à criação do “Terceiro Reich”, da polícia secreta “Guestapo” e ao extermínio desumano, entre outos, de milhares de judeus, ciganos e opositores. “Se existe um Deus, ele terá que implorar pelo meu perdão.” Foi esta a frase escrita na cela por um prisioneiro judeu. Horrores em nome da política.
Claro que hoje a política partidária, aparentemente, no nosso meio, é mais civilizada, mais afetiva, mais pluralista, embora seja no seio dos partidos que muitas vezes renascem os antigos tiranos que facilmente quebram o verniz: Quem não é por mim é contra mim. E assim, fiéis seguidores vão catapultando, numa dinâmica de clubismo, políticos que não estudam e exibem qualificações e títulos que não possuem.
É por isso que dentro do espírito da velha máxima atribuída a Sócrates, o grego: “só sei que nada sei”, continuo a estudar a ciência política com devoção. Participo na vida partidária em liberdade. Aprendi o máximo que pude com os meus antecessores, a quem respeito e venero. Ensino humildemente os mais jovens. Leio Platão e Aristóteles, pioneiros do pensamento político e acredito, convictamente, que a política é o dom maior do homem ético que tende à felicidade.

Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 

Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

26ª Feira Franca da MOIMENTA

Sessão Comemorativa do 44º aniversário do 25 de Abril - Mogadouro

O Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, convidam V.ª Ex.ª a estar presente na Sessão Comemorativa do 44º aniversário do 25 de Abril.

23 DE ABRIL - DIA MUNDIAL DO LIVRO

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor foi instituído pela UNESCO em novembro de 1995, procurando fomentar o gosto pela leitura e, simultaneamente, respeitar a obra daqueles que, pela escrita, têm contribuído para o progresso social e cultural da Humanidade.
Qual a razão para se optar pelo dia 23 de abril? Publicam-se livros todos os dias...

Por coincidência, nesta data nasceu e morreu William Shakespeare, deixou-nos Cervantes e numerosos escritores famosos vieram ao mundo ou faleceram.

Mas já antes a Catalunha instituíra um Dia Internacional do Livro, festejado a 5 de abril, em que, tradicionalmente, se ofereciam livros e rosas aos amigos. O hábito gentil de associar o livro a uma flor nesta celebração foi adotado em vários países e ainda perdura.

Hoje, o Dia Mundial do Livro celebra-se em todo o planeta das mais diversas formas.

Mercado de Rua & Visita ao Património - Mirandela

Comemorações do 25 de Abril em Mirandela

Não deixe de participar nas comemorações do 25 de Abril. É uma celebração de todos e para todos os mirandelenses. Temos encontro marcado às 10:00h no Paço dos Távoras. 

Programa
10:00H - Receção aos convidados e início das comemorações
10:30H - Hastear da Bandeira (Paço dos Távoras)
11:00H - Porto de Honra
11:30H - Tertúlia “Histórias do 25 de Abril” (Salão Nobre do Paço dos Távoras)

Convidados: Professor Pedro Beato, Historiador José António Ferreira e Senhor Armando Figueiredo Sarmento
Moderador: Fernando Pires (Jornalista)

"A Cultura está na Rua!"

"A Cultura está na Rua!" é um evento, oferecido pela Lérias - Associação Cultural à população do Planalto Mirandês, no dia 25 de Abril, desde 2013.
Este ano, pela primeira vez, esta acção decorrerá nos 3 concelhos do Planalto, Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso. 

Em parceria com o Município de Miranda do Douro, a Lérias vai fazer arruadas com gaitas-de-fole, caixas e bombos, tocando músicas de Abril. Iniciando na cidade pelas 15h, a animação seguirá para Sendim e depois Palaçoulo, espalhando Música e Cultura pelo concelho.

"Lhibros i anhos fáien l home sábio"

"Lhibros i anhos fáien l home sábio"

No dia Mundial do Livro,perca-se no Mirandés! 
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Ne l Die Mundial de l Lhibro, perdei-bos ne l Mirandés!

Macedo de Cavaleiros tem nova aposta para combater o insucesso escolar

O Município de Macedo de Cavaleiro e o Agrupamento de Escolas vão trabalhar em parceria para tentar combater o insucesso escolar em todos os anos letivos.
Trata-se de um projeto que prevê a constituição de uma equipa multidisciplinar para dar apoio aos alunos e famílias sinalizados, como explica Elsa Escobar, Vereadora da Cultura.

“O objetivo primordial é combater o abandono escolar e o insucesso.

No caso do nosso concelho, vamos focar-nos mais no insucesso porque não temos casos flagrantes de abandono escolar.

Este projeto consiste na criação de uma equipa multidisciplinar, constituída por três técnicos que serão contratados através de um concurso para depois poderem dar apoio aos alunos, às famílias e aos próprios professores. Numa primeira fase vão identificar aquilo que está na base do insucesso e tentar colmatar as dificuldades dos alunos, ajudando-os depois a superar os seus problemas.”

A vereadora estima que a equipa comece a ser constituída em junho para que possa já começar a trabalhar no início do próximo ano letivo.

“O nosso objetivo é abrir o concurso para contratar os técnicos no próximo mês (maio) de modo a que em junho eles possam começar a trabalhar com os professores e com o Agrupamento em geral, fazendo um estudo dos alunos que têm maiores problemáticas para depois começarem a pensar nas medidas a aplicar no arranque do próximo ano letivo.

Pretende-se com isto tentar aumentar os índices de sucesso nos próximos dois anos.”

Este projeto resulta de uma candidatura ao Portugal 2020 no âmbito da CIM Terras de Trás os Montes.

E ainda sobre o ensino, Macedo de Cavaleiros vai ter uma Academia Sénior integrada da Rede de Universidades da 3º Idade.

Será a formalização do projeto “Idade Maior, Idade Melhor” já existente no concelho com o objetivo de estimular a atividade na terceira idade, com a diferença que, com esse estatuto, pode abranger uma maior oferta de ensino, avança Elsa Escobar.

“Esse projeto já existente, tem estado a decorrer, e nós agora vamos formalizá-lo e torná-lo em uma academia sénior que cumpra os requisitos legais para integrar a rede de universidades. Com isso podermos ter parcerias com outras universidades e academias, desenvolvendo outras atividades que neste momento não nos são possíveis, como por exemplo uma maior oferta de disciplinas.

Estas ofertas funcionam muito assentes num sistema de voluntariado, a maior parte dos professores são voluntários e qualquer pessoa pode fazê-lo, não será necessário ter uma licenciatura ou formação na área do ensino. Os próprios alunos poderão ser professores ao mesmo tempo.

Penso que as pessoas acima dos 55/60 anos já poderão integrar esta academia.”

Projetos a desenvolver na área do Ensino no concelho de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

BRAGANÇA - Ciclo de Conferências - Convidado Dr. Pires Cabral

Conferência “Língua Charra - Regionalismos de Trás-os-Montes”
No dia 30 de abril de 2018, às 10h00m, no auditório da Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Bragança, realiza-se a Conferência “Língua Charra - Regionalismos de Trás-os-Montes”, proferida pelo autor transmontano A. M. Pires Cabral.

Arciprestado de Mirandela reflete sobre o baptismo - 12 e 19 de maio | Diocese Bragança-Miranda

O Arciprestado de Mirandela vai promover duas reflexões sobre o baptismo. A primeira será no dia 12 de maio, na cidade de Mirandela. A segunda terá lugar uma semana depois, a 19 de maio, em Macedo de Cavaleiros.
A história, a teologia e a pastoral do primeiro sacramento da iniciação cristã serão os temas a abordar nas duas reflexões.

«Ambas as iniciativas são gratuitas e destinam-se aos leigos, consagrados e ao clero das unidades pastorais de Macedo de Cavaleiros e Mirandela, nomeadamente: UP Santo António, UP Macedo e Santo Ambrósio; UP Senhora do Amparo e Divino Espírito Santo», salienta o Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais. «As iniciativas também estão abertas à participação dos agentes pastorais diocesanos e de leigos de outros arciprestados. Não é necessária inscrição», frisa.

Em Mirandela, a reflexão terá lugar no Centro Juvenil S. João Bosco e em Macedo de Cavaleiros decorrerá no Centro D. Abílio Vaz das Neves. O bispo diocesano estará presente na conclusão de ambos os trabalhos.

Diocese Bragança-Miranda

Associações de Produtores Transmontanas querem criar marca própria da região

As Associações de Produtores Transmontanas acreditam que através da criação de uma marca própria de Trás-os-Montes vai ser mais fácil chegar ao mercado com os produtos da região.
Azeite, mel, vinho ou frutos secos são alguns dos exemplos que passariam a estar representados pela mesma marca.

Dia Mundial da Terra comemorado por alunos do Jean Piaget e pelo Geopark “Terras de Cavaleiros”

No dia 22 de abril celebrou-se o Dia Mundial da Terra e o Geopark Terras de Cavaleiros, em parceria com a Escola Profissional Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros não deixaram a data passar em branco.
Ontem, cerca de 20 alunos dos cursos profissionais de animação e de bem-estar realizaram um passeio pelo Geossítio Sedimentos Cenozóicos de Vale da Porca, onde receberam explicações ambientais e procederam à limpeza do lixo do meio envolvente.

Ações promovidas pela UNESCO que pretendem sensibilizar mentalidades para temáticas ambientais, como refere Maria João Rodrigues, Técnica de atividades educativas do Geopark Terras de Cavaleiros.

“Os Geoparques Mundiais desenvolvem atividades em prol do património da Terra, de forma a promover. Nós, como Geoparques somos uma plataforma para desenvolvimento dessas mesmas atividades, nestas questões ambientais e este ano com a temática da poluição plástica, porque cada vez se produz mais lixo. 

Cada Geopark comemora de forma diferente, com diversas atividades, e nós achámos por bem fazer uma ação de sensibilização com estes alunos. Poderíamos ter feito com muitos mais mas optamos por sensibilizar uma só turma da Escola Profissional Jean Piaget e tentar mover estas questões.” 


E os alunos, mostram-se preocupados com o lixo acumulado na natureza, mas confessam que nem sempre agem da melhor forma para com o meio ambiente.

“Estou a gostar da atividade porque é interessante e é sempre bom poder ajudar a natureza. Sou preocupada com estas questões ambientais, embora não faça a separação do lixo em casa, mas sempre que posso ajudo nestas coisas. 
As pessoas cada vez se importam menos, como conseguimos ver por este sítio, cada vez está pior.
Devemos ser sensibilizados desde cedo, acho que quanto mais novos, melhor.
É importante limpar a natureza, por isso isto são atividades importantes. 
As pessoas da nossa idade não são muito preocupadas com estas questões, talvez nos passe um pouco ao lado.” 
O Dia Mundial da Terra a ser assinalado, de forma educativa, em Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

Salgueiro Maia

25 de Abril - Breve Resumo


22h55m do dia 24 de Abril de 1974.
A Emissores Associados de Lisboa faz a transmissão de “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, dando ordem de partida para a saída dos quartéis.
00:20 do dia 25 de Abril de 1974.
A Rádio Renascença transmite a canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, segundo sinal do MFA, para que os militares dessem início às operações previstas.
03:00
Início do cumprimento das missões militares, de acordo com o "Plano Geral das Operações".
04:20
O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA. O Aeroporto de Lisboa é ocupado pela EPI.
06:45
O Posto de Comando toma conhecimento de que Marcello Caetano, Presidente do Conselho de Ministros, está no Quartel do Carmo.
08:30
Uma força da PSP chega ao Terreiro do Paço, mas nem tenta entrar em confronto com as tropas de Salgueiro Maia.
11:30
Salgueiro Maia comanda as forças da EPC (Escola Prática de Cavalaria), que vão cercar o Quartel da GNR no Largo do Carmo, em Lisboa.
11:45
O MFA informa o país, através do RCP, que domina a situação de Norte a Sul.
12:30
As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, para obter a rendição de Marcello Caetano.
15:00
Por ordem do Posto de Comando, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo.
17:00
Salgueiro Maia entra no Quartel do Carmo e exige a rendição a Marcello Caetano, que lhe responde que só se renderia a um Oficial-General para que o Poder não caísse na rua. O Posto de Comando mandata o General Spínola para ir receber a rendição de Marcelo Caetano ao Quartel do Carmo.
18:00
Spínola chega ao Largo do Carmo e, acompanhado por Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com Marcello Caetano.
18:30
A Chaimite Bula (blindado) entra no Quartel do Carmo para transportar Marcelo Caetano à Pontinha.
23:30
São promulgadas a destituição dos dirigentes fascistas (através da Lei 1/74) e a extinção da PIDE/DGS, da Legião Portuguesa e da Mocidade Portuguesa.

Visita a Associação 25 de Abril em http://www.25abril.org/a25abril/

25 de Abril de 1974-Bragança

O 5.º L do Liceu marcou, provavelmente, a nossa geração.
Mais um ano de exame. Uns já tinham abandonado o ano a meio, quer para irem trabalhar, quer para ingressarem no serviço militar. A sociedade estava conturbada e confusa, o meu Pai estava doente e sempre nervoso. A guerra no Ultramar estava a ser uma sombra. Eu estáva a começar a fazer a mochila.
Faltou apertar as correias da mochila.
Em 1972, as propinas já custavam 125$00 x 3, ou seja 375$00 para a frequência mais 250$00 de inscrição. Era dinheiro para a altura…era muito dinheiro. Talvez, em pormenores como este, se entenda melhor a razão porque poucos conseguiam seguir os estudos e optavam pela vida laboral por cá ou no estrangeiro. “O dinheiro era caro”.
25 de Abril de 1974 - Bragança
  Estava eu a menos de 3 meses de fazer 18 anos.
Logo de manhã, no Liceu, ouvimos uns rumores de que algo se estava a passar no País, mas nada a que estivéssemos a dar demasiada importância.
Entretanto, na hora do almoço e no refeitório, o Dr. Subtil não tirava o transístor do ouvido e ia relatando os acontecimentos. Todos estavam em silêncio a escutar o que o Dr. Subtil ia dizendo. Ele ouvia as notícias e transmitia-as para nós todos.
O Governo Caiu. Prenderam o Tomás e o Caetano. As tropas estão fora dos quartéis. O povo, em Lisboa e no Porto, está a invadir as ruas para apoiar o “Movimento das Forças Armadas”.
Apesar de tudo, nada de anormal se passou no Liceu e as aulas recomeçaram na parte de tarde. As horas e os dias seguintes, com muita informação, veiculada pelos órgãos de comunicação social, foram decisivas para começarmos a entender melhor as repercussões do que se estava a passar efectivamente em Portugal.
Chegou a Liberdade! Para nós, no início, não nos pareceu coisa de sobeja importância, mas, alguns de nós ao chegarmos a casa começámos a perceber que, para os nossos Pais, a importância era enorme. Eu sabia, por ele me ter dito, que o meu Pai tinha votado em 1958, no General Humberto Delgado.
Conversámos um pouco e fui entendendo melhor algumas coisas que pouco ou nada me tinham preocupado até ao momento. O meu Pai, que bem sabia a “peça” que tinha em casa, apenas me dizia: - Não te metas em confusões.
Um grupo restrito de amigos, já tinha anteriormente a noção do Portugal das diferenças. Afinal a Ilha do Rei era mesmo ali ao lado do Liceu e muitas vezes surripiamos leite de nossa casa para levar aos miúdos da ilha do Rei. A sensibilidade estava latente.
Era hora de mobilizar. Portugal tinha mudado.
Não me lembra se, por iniciativa própria ou mobilizados por alguém, já participámos no 1 de Maio de 1974. Eu, mais o Lacerda empunhávamos uma faixa onde se podia ler: “Os estudantes ao lado do povo e sob a direcção da classe operária”.
Eram dias de euforia, talvez pouco racional, mas era assim por todo o lado. O povo estava na rua. E a hora era de festejos.

HM