terça-feira, 31 de outubro de 2017

Falecimento do Pe. António Augusto Ribeiro

Partiu para a casa do Pai, o Pe. António Augusto Ribeiro, aos 91 anos.
A celebração das exéquias está prevista para quinta-feira, dia 2 de novembro, pelas 14h00, na igreja matriz de Carrazeda de Ansiães, Unidade Pastoral de Ansiães. Preside o bispo diocesano, D. José Cordeiro.

Nascido em Marzagão, concelho de Carrazeda de Ansiães, ingressou no Seminário de S. José de Vinhais e de Bragança, em 1940.

Foi ordenado presbítero em 29 de junho de 1951 na igreja do Seminário de S. José de Bragança, por D. Abílio Vaz das Neves.

Foi Professor de Francês no Seminário de Vinhais até Junho de 1956 e Prefeito e Professor no Colégio de S. João de Brito de Bragança entre 1956 e 1960.

Coadjutor em Torre de Moncorvo foi capelão do Asilo e do Convento das Carmelitas. Naquele concelho paroquiou também a comunidade do Larinho.

Em 1968 assumiu a Paróquia de Nossa Senhora da Encarnação, em Mirandela. Aí fundou o Corpo Nacional de Escutas, promovendo encontros e acampamentos de âmbitos regional e nacional.

Em 1976, a comunidade mirandelense prestou-lhe homenagem pública.

Paroquiou, ainda, no concelho de Carrazeda de Ansiães (Margazão e Luzelos).

in:diocesebm.pt

Iniciativa decorreu no Centro Cultural de Vila Flor e contou com a participação de vários músicos nacionais e internacionais

Homem encontrado morto

Foi encontrado um homem morto na casa dos 60 anos, ontem de manhã na Freguesia de Castelãos em Macedo de Cavaleiros. 
Após várias tentativas a GNR conseguiu entrar dentro da habitação onde encontraram o corpo que ainda apresentava sinais vitais. 
Transportado para o Hospital de Macedo, o indivíduo do sexo masculino acabaria mais tarde por perder a vida.

Ao que conseguimos apurar o homem morava sozinho e as autoridades desconfiam que a causa da morte possa ser intoxicação por gás.

Escrito por ONDA LIVRE

Memórias da RTP - 2010-01-25 - Peditório em Bragança

Campanha de angariação de fundos da delegação da Cruz Vermelha com vista a ajuda humanitária às vítimas do sismo do Haiti.
clica na imagem para aceder ao video

Praça Cavaleiro de Ferreira

Fotos da Fundação Mário Soares

PJ de Vila Real deteve dezasseis suspeitos do crime de tráfico de droga dentro da cadeia de Izeda

A Policia Judiciária de Vila Real fez dezasseis detenções por tráfico de estupefacientes dentro do estabelecimento prisional de Izeda.
Em comunicado, a Policia Judiciária informou que através da Unidade Local de Investigação Criminal de Vila Real procedeu à identificação e detenção de dezasseis pessoas no âmbito de inquérito por crime de tráfico de droga, no interior daquele estabelecimento prisional.

Foram realizadas dezassete buscas, com o apoio do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional e da PSP, tendo sido apreendidas centenas de doses de produto estupefaciente, dinheiro e telemóveis.

A PJ esclarece ainda que a investigação contou com a estreita colaboração da direcção do estabelecimento prisional em causa.

Os detidos vão ser presentes às competentes autoridades judiciárias para interrogatório e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas. 

Escrito por Brigantia

Subdirector geral de reinserção e serviços prisionais garante que cadeias do distrito não correm risco de fechar

O subdirector geral de reinserção e serviços prisionais deixou em Bragança a garantia de que nenhum dos estabelecimentos prisionais do distrito de Bragança deverá fechar no âmbito da reorganização de estabelecimentos prisionais a nível nacional.
Paulo Moimenta de Carvalho explica que foi feito um levantamento das necessidades no sistema prisional para um plano de acção a 10 anos que não prevê o encerramento nem da prisão de Bragança, nem da de Izeda.

“Há um plano a dez anos, que vai agora ser apresentado pela Sr.ª Ministra na Assembleia da República visando o cumprimento de um artigo que havia na lei do orçamento, para fazer uma previsão de dotações para os serviços prisionais, quase uma lei quadro que permita intervir a este nível nos serviços prisionais. Não há nenhuma proposta de diminuição naquilo que corresponde ao distrito de Bragança”, assegurou.

A garantia de Paulo Moimenta de Carvalho de que nem a prisão de Bragança, nem a de Izeda irão encerrar, numa altura em que o estabelecimento prisional de Bragança está a receber obras de beneficiação. A empreitada vai requalificar os espaços de refeitório e de visitas, mas no futuro pode haver mais intervenções.

O sub-director geral de reinserção e serviços prisionais, Paulo Moimenta de Carvalho, refere no entanto que as obras não vão seguir o projecto inicial elaborado pela câmara municipal de Bragança e que previa uma intervenção mais profunda no edifício

“Nesse protocolo originário não se integram. Esse protocolo previa uma intervenção mais ampla do que a que está ser executada mas que tinha um encargo financeiro sobre a direcção geral que não era possível suportar. Para não abandonarmos de todo este projecto, fizeram-se algumas adaptações a essa intervenção maior, que a câmara tinha visado, para se adequar à capacidade financeira da direcção geral”,

O responsável pelos equipamentos e instalações nos serviços prisionais explica que estas obras se inserem na primeira fase de uma empreitada que se vai prolongar no tempo e será alargado mediante as possibilidades que venham a surgir, e uma próxima etapa deverá incluir a ampliação da zona de alojamento.

“São obras que vão concretizar-se na melhoria do espaço do refeitório, do espaço de visitas, dando mais dignidade a esses espaços, permitindo também, numa fase posterior, a possibilidade de ser alargada a zona de alojamento, porque temos que ter a adaptação do espaço ao número de reclusos que o estabelecimento prisional tem. A sua lotação oficial irá aumentar certamente. Se terá mais presos? Poderá não ter, porque neste momento poderá já estar acima da sua lotação oficial”, referiu.

Apesar de não estar inicialmente previsto, também o espaço de recreio vai ser nesta primeira fase melhorado.

Trata-se da primeira fase de uma intervenção na cadeia de Bragança para tentar suprimir alguns dos problemas da estrutura. 

Escrito por Brigantia

Torneio de classificação para a 3ª divisão do campeonato nacional de clubes de natação leva perto de 300 nadadores a Bragança

REGRESSO ÀS MEMÓRIAS – Seminário de São José de Bragança

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Embora este texto seja intimista e sem razão de ser, não pude deixar de o escrever como preito a sítios e a pessoas e sobretudo como um sinal de gratidão.
Há algum tempo regressei a um lugar de onde saí há muitos anos. Esse lugar é o Seminário de São José de Bragança.  
Contudo, o meu regresso a lugares, a livros, a salas que permaneceram ali como quem espera uma visita que tarda, devolveu-me a gratidão necessária a homens, a professores que moldaram o meu sentir e a minha crença na vida e nas instituições. Poucos minutos bastaram para definitivamente fazermos as pazes de ressentimentos antigos, de desgostos velhos, de ausências de afectos, pois, verdadeiramente aquele era o meu Seminário que envelheceu como os seus Seminaristas e os seus Padres.
Ao dobrar do corredor, de novo senti os passos do velho Reitor, o Cónego Jerónimo que no final dos seus dias continuava a deambular pelos salões e pelo coro do Seminário, com uma austeridade de patriarca e com uma sabedoria de Santo. O Seminário, naquele tempo, revia-se no grande número dos alunos à procurem de serem os escolhidos, uma vez que tinham sido os chamados. A juventude extravasava em manifestações de alegria, muitas vezes para além das orações da noite que convidavam ao descanso e ao recolhimento. Por isso, na sua paciência de velho, o Cónego Jerónimo, com uma sombra, percorria, negro e pesado, o seu Seminário, tossindo, tossindo sempre.
Pouco tempo antes do Senhor Reitor morrer, visitei-o, ofereceu-me um copinho de vinho do Porto, ele que era austero em tudo, até nos prazeres da mesa, chamou-me pelo nome, acho que me confundiu com o meu irmão mais velho, também seminarista e comentou como numa confidência em tempo de grandes segredos: - Às vezes eu tossia pelos corredores, por necessidade, outras vezes para não me aborrecer. E era verdade, o Senhor Reitor, na sua austeridade, não gostava de se aborrecer com as traquinices dos seus Seminaristas, perpetuando a tolerância, mas também a indignação materializada num olhar de censura que terrificamente atravessava a alma e o sentir dos jovens estudantes.
Percorri com vagar, aqueles lugares, cheios de memórias, de histórias, de conflitos, de amores secretos, mas sobretudo, uma verdadeira escola de formação humanística, de criação de hábitos de trabalho, de estudo e de resistência às exigências da vida.
Sem dúvida, às pazes com o Seminário estavam definitivamente feitas e no percorrer das memórias de colegas que perdi na grande diáspora que espalhou os ex-Seminaristas pelo mundo, pude verificar que muitos dos lugares, da maior responsabilidade no aparelho do Estado, das Instituições públicas e privadas são ocupadas por estes homens que um dia de desgosto maior, saíram pela porta grande do Seminário, rumo à vida.
Os meus últimos anos de Seminário vivi-os na abertura ao mundo do Pós Concílio, o Seminário atravessou uma profunda crise, não foi possível conciliar o ascetismo do Cónego Jerónimo, com a modernidade dos novos tempos e o Seminário entrou num colapso monumental com cursos inteiros procurando, sobretudo, a Faculdade de Filosofia de Braga e mais tarde do Porto.
O meu último exame, nesta casa, foi com o Cónego Mário Brás, pedindo-me que entoasse uma lição em Gregoriano do ofício dos defuntos, despediu-me regalado pelo exame, com a promessa, que um dia, iria fazer um curso de canto a Roma. A profecia ainda não se cumpriu.  
A minha visita de paz ao Seminário terminou...era necessário este regresso adiado. Ainda visitei a Biblioteca, lá estavam os meus livros, da minha Juventude e do meu imaginário...informaram-me que actualmente os alunos lêem pouco...por isso, os meus livros ainda lá estão.
E pronto...a estátua do Anjo que tem a fivela do cinto ao contrário ainda me fez um último aceno de ternura e cumplicidade.


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Projeções Cinematográficas - mês de novembro em Bragança

Grande Conferência A Voz de Trás-os-Montes

O Jornal A Voz de Trás-os-Montes, na comemoração do seu 70º aniversário, promove uma Grande Conferência subordinada a dois temas: “O futuro da imprensa” e “Os desafios da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro”. 
Não Falte!

DA CATALUNHA A CARVIÇAIS PASSANDO POR CASCAIS

Quadras escritas pelo Abade Tavares
in:lelodemoncorvo.blogspot.pt
Mais ou menos à mesma hora que em Barcelona no Parlamento Autónomo Catalão era proclamada unilateralmente a independência, na cidadela de Cascais, Teresa Patrício Gouveia questionava Rien Van Gendt sobre a legitimidade de se poder adaptar a vontade póstuma e fundadora, à realidade atual, necessariamente diferente, diversa e, seguramente, mais complexa que quando foi postulada. O consultor holandês afirmou claramente que não só era legítima como, provavelmente, seria necessária e conveniente, a incorporação do conhecimento atual para maximizar a relevância do legado. Estava certo que o próprio fundador seria o primeiro a promover uma tal reflexão. Contudo seria sempre necessário balizar as possíveis alteraçãos e adequações pelo estatuído no testamento fundacional.

O processo de independência é complexo, apaixonante e contraditório. Há seguramente razões, sobejamente conhecidas, de um e outro lado que suportam e justificam as tomadas de decisão. Compete aos interessados valorizarem as que mais lhe tocam. Há contudo duas, cujo relevo não pode ser ignorado e ambas estão do lado autonómico. A primeira tem a ver com a inviolabilidade do direito que todos os povos têm de poderem manifestar a sua opinião e vontade, de forma livre, genuína e sem que nada nem ninguém os impeça, seja de que forma for, muito menos recorrendo à violência institucional. A segunda tem a ver com ilegitimidade do argumento histórico. Legalidade e legitimidade não são a mesma coisa mesmo que andem, felizmente, muitas vezes de mão-dada. A norma constitucional impõe uma legalidade que só é legítima enquanto o texto fundamental representar, agora e não quando foi escrito, aprovado ou referendado, a expressão do povo que o sustenta e justifica. O facto de a Constituição ter sido aprovada maioritariamente, em referendo na Catalunha não pode impedir os justos anseios de gerações que entretanto surgiram e se afrmaram. Interpretar um texto datado, seja testamentário, fundamental ou instituidor, no tempo atual, sem ter em consideração as alterações que o tempo carreou é semelhante a citar uma frase polémica retirando-a do contexto.

Por igual razão de raciocínio se desvanece a “certeza” que querem fazer vingar os que garantem que o Abade Tavares ao referir explicitamente a vila de Torre de Moncorvo como o local onde pretendia que fosse instalado o Museu que guardasse e expusesse o seu rico legado. É necessário recuar oitenta anos para entender a forma como o clérigo via o mundo, o seu mundo e o interpretava. Fazer um Museu em Moncorvo era, para o investigador, colocar uma lança em África. De tal forma complicado e difícil que ele mesmo verificou da impossibilidade da sua concretização durante a sua vida. Fazê-lo em Carviçais era pura ficção. Impensável!
Não é assim agora. Pelo contrário. O Museu do Abade Tavares tem uma localização lógica e natural na Terra do Ferro e essa é uma e única: a aldeia de Carviçais. Refleti muito, recentemente sobre qual seria a genuína vontade de prior sobre o verdadeiro chão que deveria receber a sua riquíssima coleção. As poucas dúvidas que me restavam desapareceram quando, recentemente, “tropecei” num texto de Carlos d’Abreu sobre o processo de concurso para pároco de Carviçais. Apesar da sua origem, não me restam quaisquer dúvidas, nem restarão a quem quer que olhe para esta problemática da forma correta, que o padre José Augusto Tavares é um cidadão moncorvense de Carviçais. Nenhum local melhor que a sua aldeia de adoção para preservar a sua memória e reconhecer o seu mérito, talento e trabalho. Mesmo que os seus documentos contenham, em forma de letra, a expressão explícita à vila, sede do concelho.




José Mário Leite
in:jornalnordeste.com

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - MIGUEL CARDOSO (N. BRAGANÇA, 1598)

Nasceu em Bragança, por 1598 e tinha uns 2 anos quando foi levado para o Rio de Janeiro, onde sua mãe foi cumprir o degredo imposto pela inquisição de Coimbra. (1) Ali se criou e apenas terá feito uma curta viagem ao Porto, pelos 12 anos, ao início da vida ativa. Casou com Francisca Coutinho, da família Baeça vinda de Castela para o Porto, um ramo da qual estabeleceu ligação a Torre de Moncorvo. A profissão de Miguel era mercador, um mercador de sucesso. A ponto de, em 1649, quando se criou a Companhia Geral de Comércio do Brasil, ter sido escolhido para administrador e tesoureiro da mesma em terras da América Latina.
Na origem desta Companhia, esteve um membro da Companhia de Jesus, o padre António Vieira, que a inquisição elegeu como seu maior inimigo público. E a grande maioria dos capitais da Companhia, proveio dos bolsos dos mercadores da nação hebreia. Estavam, pois, associados nesta empresa os “judeus” e os jesuítas.
Na cidade do Rio de Janeiro, Miguel Cardoso era então um dos homens de mais consideração e respeito, com acesso ao palácio do governador da capitania, o poderoso almirante Salvador Correia de Sá. Tinha lugar cativo no coro da igreja do colégio dos jesuítas e eram filhos e netos seus que tocavam órgão e harpa nas festas e solenidades religiosas. Da sua casa levavam assentos para as pessoas fidalgas ouvirem os sermões na igreja e da sua botica saíam mezinhas e remédios para os enfermos do colégio. Membro de todas as confrarias da cidade, notabilizou-se como juiz da irmandade de Nossa Senhora da Ajuda, à qual presidiu por 34 anos, promovendo as maiores festas e romarias da cidade. “Até os seus escravos levavam vantagem na doutrina” em relação aos outros! – Diria um padre jesuíta.
Imagina-se o embaraço do reitor do colégio e comissário da inquisição quando recebeu ordem de Lisboa para o mandar prender, por judeu! E do capitão Francisco Monteiro Mendes, familiar do santo ofício a quem foi cometida a tarefa.
Era o dia 22 de Fevereiro de 1661 e o capitão Monteiro fazia-se acompanhar de outro familiar do santo ofício, chamado Diogo Correia, mais velho e experiente. E esta será mais uma prova do embaraço que a situação provocava.
O ato da prisão foi seguido pelo sequestro dos bens do prisioneiro, a começar pela casa, cujas portas foram fachadas e seladas. (2) Para fazer o sequestro e necessária inventariação dos bens, foi requerido o ouvidor-geral e o trabalho prolongar-se-ia por 2 meses, o que dá ideia da sua complexidade.
Foi o preso levado para o “cárcere mais secreto da cadeia”. Porém, 3 dias depois, o comissário e os familiares do santo ofício decidiram tirá-lo da cadeia e metê-lo em um “cubículo” do colégio. Era um tratamento de favor, coisa nada usual na inquisição e que o familiar Monteiro Mendes justificou em carta para Lisboa, do seguinte modo:
- Por não me parecer muito decente a prisão para tal preso e com o receio que poderia comunicar por escrito ou por palavras e não muito segura a tal casa, e mais com a alteração deste povo…
Mais elaborada foi a justificação dada pelo comissário e reitor do colégio, o jesuíta António Fortes:
- Não podia evitar-se que com o decurso do tempo iria a falar com alguém, arriscado talvez a lhe darem peçonha os de sua nação, se porventura alguns deles se sentissem culpados (…) fui forçado a mudar-lhe a prisão.
No colégio esteve o prisioneiro até ao dia 7 de maio em que foi confiado ao mestre do navio Nª Sª da Assunção, que o entregou em Lisboa em 2 de outubro do mesmo ano de 1661.
Na base da prisão de Miguel Cardoso estavam duas denúncias. Uma feita em 1658 por Domingos Pimentel, cristão velho, morador no Rio de Janeiro e então de passagem por Lisboa, hospedado na “Estalagem da Casa dos Bicos”. Apresentou-se na inquisição e disse que estivera em Amesterdão onde um tal Gregório Mendes lhe perguntou se no Rio de Janeiro ainda se fazia a festa da Rainha Ester na ermida de Nª Sª da Ajuda. Acrescentou que havia fama de a casa de Miguel Cardoso servir de sinagoga dos judeus.
A outra denúncia foi feita por Afonso Munhoz de Lima, morador no Brasil, dizendo que “em outubro de 1649 se encontrou com Manuel Gomes Inigo, e com Miguel Cardoso, sogro do mesmo (…) e com Henrique da Paz…” e se declararam seguidores da lei de Moisés.
Claro que Miguel Cardoso se defendeu dizendo que tudo era mentira e que ele era cristão exemplar, apontando como testemunhas de defesa as pessoas mais gradas do Rio, quantidade de padres, incluindo o vigário geral, o comissário e familiares da inquisição.
A inquirição das testemunhas foi feita pelo reitor do colégio que então era já o padre Francisco de Avelar. Obviamente que o caso alimentava todas as conversas e muitas movimentações político-religiosas se ensaiavam. Como a do 3º familiar da inquisição que havia na cidade, Manuel Francisco Franco de seu nome e que, talvez despeitado e tentando ganhar “peso” na inquisição, escreveu uma carta para Lisboa dizendo que todos os padres da Companhia de Jesus eram amigos da família e frequentadores da casa de Miguel e até o próprio escrivão da diligência era suspeito e muito chegado a um genro do prisioneiro. Acrescentava que os parentes e amigos e “a muita gente da nação que aqui há poderosa (…) se dão os parabéns de que muito cedo será solto”. (3)
A acusação era bem pouco convincente e os próprios inquisidores reconheceram a debilidade da prova. Mas também notaram que duas testemunhas eram “de parentesco com o réu” e que, na verdade “entre o réu e o contraditado (Munhoz Lima) havia trato e amizade” e não “embustes e tramoias”, como a defesa alegou. Por isso o condenaram a tormento e depois a cárcere e hábito a arbítrio, saindo no auto da fé de 21.7.1665.
Não caberá nesta folha do jornal falar de todas as linhas tecidas pela sua família no seio da sociedade Fluminense da época. Bastará dizer que uma das suas filhas casou com Manuel Lopes Morais que era Secretário da Junta do Comércio no Rio de Janeiro, outra com o advogado João Álvares Figueiró e uma terceira com Manuel Gomes Inigo, um grande mercador. Dos filhos, o mais velho foi “senhor de engenho”, o que significa poder económico e elevado estatuto social. Teve o nome de Baltasar Rodrigues Coutinho, o qual foi casado com sua prima Beatriz Cardosa. O casal teve uma filha que batizaram com o nome de Lourença Coutinho e casou com o advogado João Mendes da Silva. E estes foram os pais de António José da Silva, o Judeu, um dos maiores dramaturgos nacionais, processado também ele pela inquisição.
Impossível fazer uma descrição da fortuna e vida comercial de Miguel Cardoso. Diremos tão só que tinha adquirido 3 lotes de terreno na Rua Direita (atual Rua 1º de Março), que então seria a mais comercial da cidade, onde se preparava para edificar 3 casas. Para isso tinha já ali as pedras talhadas para os portais e as varandas, pedras mandadas ir de Lisboa! Tinha uma plantação de cana-de-açúcar onde trabalhavam 8 escravos e dava umas 8 ou 10 caixas de açúcar; uma xácara de terras, “com pomar, horta e frutas da terra” e 2 escravos adstritos ao seu cultivo; 100 “braças de terra” no rio Iguaçu, 6 léguas distante da cidade. Era proprietário de uma barca equipada em permanência com 3 índios (escravos “de cabelo corredio”) e um escravo negro; uma lancha movimentada por 3 negros da Guiné e um “cabra”, indiano, feitor da lancha, com sua mulher, escrava da Guiné.
Todavia, o grosso da fortuna de Miguel Cardoso traduzia-se em escritos, sentenças e dívidas, ascendendo estas a mais de 14 contos de réis. De outra parte, o administrador da Companhia que lhe sucedeu reclamava que Miguel era devedor de 10 contos de réis, enquanto o genro Álvares Figueiró reclamava o pagamento da escritura de dote casamento no montante de 2 contos, 610 mil e 535 réis.

Notas e Bibliografia:
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 7945, de Brites Cardosa.
2-ANTT, inq. Lisboa, pç 17999, de Miguel Cardoso. O familiar Monteiro Mendes escreveu: - Assim que o prendi, mandei logo recado ao ouvidor-geral, lançando mão das chaves e pondo guardas nas portas de dentro, que tinha, por onde se comunicava com duas filhas casadas que têm paredes meias, e com a mulher e mais filhos os mandei retirar a um aposento, por não falar o preso com eles.
3-Na verdade duas testemunhas eram da família de Miguel: o juiz ordinário, capitão Matias de Mendonça e o padre jesuíta Manuel de Araújo, vigário-geral e provisor eclesiástico.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

ERNESTO RODRIGUES: HABITAR A CASA DE BRAGANÇA

De há tempos a esta parte pensava escrever sobre o meu conterrâneo nordestino Ernesto Rodrigues, que desenvolve uma relevante carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, como autor, pertencendo ao restrito grupo dos que poderemos denominar por criadores literários completos. Apresenta obra de grande valia como ficcionista (nos três subgéneros da ficção), poeta, dramaturgo, crítico, ensaísta, tradutor, incansável pesquisador de temas da literatura e da cultura, sobre cuja investigação faz assentar, para além das obras ensaísticas, também alguns dos seus romances, como é o caso da obra que hoje nos ocupa, A Casa de Bragança (2013), ou O Romance do Gramático (2011), incidindo na figura marcante de Fernão de Oliveira, que com a sua Gramática da Língua Portuguesa de 1536 ganhou o justo título de primeiro gramático da nossa língua. A nossa primeira intenção era abordar a sua vertente de poeta através do livro Do Movimento Operário e Outras Viagens, antologia meticulosa dos seus 40 anos de trabalho poético, mas após a leitura de A Casa de Bragança concluímos que, sem deixar de falar do poeta pelo intimismo e modelo de linguagem que percorre este livro, poderíamos alargar essa referência ao notável romancista que Ernesto Rodrigues é, com um conjunto já vasto de romances publicados.
Embora natural de Torre de Dona Chama, a cuja terra dedica um dos seus romances mais conhecidos, precisamente Torre de Dona Chama (1994), a sua profunda ligação à cidade de Bragança, por vivências e afinidades familiares, que marcam de resto a diegese do romance homónimo, está pois bem plasmada na obra, que assenta em três vectores primordiais que incidem no lexema alegorizante casa: Casa de Bragança no sentido da linhagem dinástica, casa de Bragança no sentido de lar do narrador autobiográfico na cidade, casa ainda enquanto sinédoque, no sentido mais abrangente da cidade que o acolhe, cuja história se propõe narrar em decisivos momentos históricos e quadros sociais marcantes. Acrescentaríamos uma quarta asserção, como não poderia deixar de ser num ficcionista que nunca se esquece, mesmo escrevendo em prosa, da sua condição de poeta, através de uma linguagem intimista, reflexiva, meditativa e contemplativa, minuciosamente trabalhada; poética no primeiro sentido do termo. Linguagem poética também no sentido heideggeriano de casa do ser, porque este é um dos livros de Ernesto Rodrigues onde o ser profundo do nosso autor mais habita.
Do ponto de vista histórico, Ernesto Rodrigues defende três teses fundamentais no seu romance, divergindo, nessa defesa, de Fernão Lopes, entre tantos outros. A  primeira é que teria realmente havido casamento entre D. Pedro e D. Inês de Castro. A segunda é que esse casamento não se teria realizado em Coimbra mas, justamente, em Bragança. A terceira é que o legítimo rei de Portugal seria D. João de Portugal e Castro, segundo filho de Pedro e Inês, nascido precisamente em Bragança, e não o seu meio-irmão D. João, Mestre de Avis, futuro D. João I.
Não pretendemos aqui desvendar naturalmente o real curso da História, mas as peripécias romanescas e a lógica do seu encadeamento, não está na mão do crítico literário questionar ou testar os fundamentos históricos, mas decompor a arquitectura minuciosa da diegese. Assim, tratando-se de um romance histórico, interessará fundamentalmente analisar como o sujeito capta pelo tipo de linguagem esse lugar que ele procura dar a ver miticamente, espiritualizando-o com passagens também elas míticas captadas na História de Portugal, nos momentos em que esta se cruza com a história da sua cidade. Romance histórico simplesmente, com um forte veio estético e artístico. Não nos parece que a obra apresente características típicas do romance histórico pós-moderno, embora haja alguns pontos de contacto, como não poderia deixar de ser num autor de uma funda preparação teórico-literária também nesta área. Mas centrando-nos em determinadas prorrogativas que configuram o romance histórico pós-moderno, podemos constatar que este romance recusa a vertente paródica, bem como a mistificação voluntária entre o verdadeiro e o falso ; o autor quis uma obra elevada, austera, em tom maior, que, entre outros objectivos, homenageasse uma cidade na comemoração dos seus cinco séculos e meio de história. Naturalmente, este facto condiciona o seu horizonte de recepção, visto que é necessário o conhecimento do topos brigantino para uma plena descodificação da dimensão histórica e estética da obra.
Pretende-se, por conseguinte, a narração dos fundamentos da cidade até praticamente à actualidade, através dos narradores autodiegéticos Afonso Roiz e Afonso Rodrigues. O primeiro habita o velho burgo e movimenta-se no âmago dos acontecimentos de Quatrocentos e, numa visão abrangente, baseado em testemunhos orais e vivências, dá-nos as origens e a evolução do antigo burgo até esse momento. Sucede-lhe na retoma da crónica da cidade o segundo narrador, Afonso Rodrigues, que praticamente da actualidade nos reconstitui, baseado em fólios do primeiro, os momentos decisivos da história de Bragança ao longo de cerca de um milénio. Em simultâneo, através desta estratégia diegética, o autor deixa atrás de si, bem nítida, a caminhada da família Rodrigues, ou Roiz, fazendo corpo com a cidade que habita, não obstante suportar errâncias várias com o infante e futuro regente D. Pedro pela Europa e a participação nas campanhas de Ceuta e Tânger: viagens, vitórias, derrotas, exílios, inerentes ao percurso da dinastia de Avis que acompanhou. Mas, sobretudo, salienta o enraizamento nas circunstâncias do tempo e da história que marcam a cidade, e que lhe deram rosto e identidade. História nacional, local e linhagem familiar entrecruzam-se e suportam a composição romanesca. A realidade cruza-se com a ficção; esta serve-se da realidade como material primeiro da obra literária, conferindo-lhe verosimilhança, fisionomia, historicidade.
Talvez seja útil apresentar brevemente a estrutura diegética e dialógica do romance pelas palavras do próprio autor, que tem uma capacidade exímia de ler a sua própria obra, assumindo-se deste modo como seu primeiro e privilegiado leitor. (Já nos foi dado assistir a vários lançamentos de livros de Ernesto Rodrigues e, sistematicamente, é sempre o próprio que os apresenta, em tom pausado, pessoalizado e de certa forma intimista para com a assistência, sempre numerosa, que o ouve e lê os seus livros). Seguindo esta sua marca autoral, e preservando a fidelidade ao fio condutor da acção, servimo-nos então de excertos das suas próprias palavras para resumir o enredo e contextualizar o tempo histórico:

“[…] A narrativa é organizada por Afonso Roiz, cujo pai tanto pode ser D. João de Portugal e Castro como o sobrinho D. Afonso, primogénito do Mestre de Avis e primeiro duque de Bragança. […] As andanças de Afonso Roiz pela Europa, com o infante e futuro regente D. Pedro (1425-1428); a participação no desastre de Tânger (1437), logo companheiro de infortúnio de D. Fernando, Infante Santo, em Fez (1443), a amizade com o segundo duque, D. Fernando I, e presença no arraial de Ceuta, donde trouxe carta de foral dirigida à nova cidade (20 de Fevereiro de 1464) – tudo isso, aventuras ouvidas dos avós e aventuras de um raro observador, retrata o Portugal de Quatrocentos, no concerto europeu e marroquino.
Essas duas partes – quanto ouviu sobre a cidade e os amores de Pedro e Inês, quanto viveu – ficaram em fólios que outro Afonso Rodrigues (nascido em 1956), agora, colige: não só acompanha, aos oito anos, as celebrações do quinto centenário do foral (1964), como, 50 anos depois, no mesmo dia 20 de Fevereiro de 2014 – quando acaba a história -, resolve enigmas da sua vida, junto à Domus Municipalis, inaugurando vida nova com outra Inês do seu tempo de estudante (1974; uma Inês Rodrigues, cujo apelido fazia temer serem irmãos, o que não se confirma), reencontrada 40 anos depois… Será este final indicação suficiente de que, também pelo nome, Afonso Roiz é filho do primeiro duque, Afonso […].
Esta hipótese conjuga o pensamento inicial do livro: reunir, em 2014, as linhagens de Inês de Castro (até à mãe Inês de Castro e filha Inês Rodrigues) e D. Afonso, duque de Bragança (até ao colega Afonso Rodrigues, segundo narrador), subsumidas no facto de todos descenderem de D. Pedro, pai de D. João de Castro e de D. João I, Mestre de Avis.
Deste modo, História local, histórias de famílias e momentos altos da pátria conjugam-se em demanda de afectos e celebração de Bragança, nos seus 550 anos de cidade”.

Este segundo narrador, o já referido Afonso Rodrigues, cuja idade e transes de vida coincidem com o autor, configuram aproximadamente essa abrangência entre autor, narrador e personagem que Philippe Lejeune tem por necessária à presença conceptual no texto do pacto autobiográfico. Tal facto faz com que a mundividência histórica e a vivência pessoal se cruzem e interpenetrem, dando ao romance uma curiosa historicidade poética, numa linguagem também ela, em simultâneo, ágil, dinâmica e de intensa sensibilidade estética. Há pois, do ponto de vista dos narradores primeiro e segundo, um longo percurso dentro de uma genealogia geracional que coincide com a história de uma cidade, que em determinados momentos se funde e confunde com a história do país. A vividez descritiva, o intimismo biográfico, a descrição topográfica da velha vila e da cidade actual, os lugares que centralizaram os principais acontecimentos de Quatrocentos e os mais recentes, estes decisivamente marcados pela transição e consolidação democráticas, conferem à narrativa uma poeticidade que não colide, antes complementa a historicidade. O espírito do lugar, que Ernesto Rodrigues tantas vezes convoca e constrói na sua escrita, está desde logo bem patente na forma como é iniciado o livro, num presente que encerra à partida um enraizamento do sujeito no seu espaço identitário, espaço esse que é igualmente um espaço psicológico, gnosiológico e ontológico, visto que mergulha nas raízes do ser e é uma página escrita na pedra em vista ao conhecimento das origens da cidade e de si mesmo:

“Eu tinha oito anos e nada sabia de mim.
Vivia em rua de filósofo – Oróbio de Castro […] o empedrado desaguava na Rua Direita, que nem por isso, e se chama dos Combatentes da Grande Guerra, mas eu descia a paralela Rua dos Gatos, em sandálias lestas, não me caísse uma varanda em cima.
Dirigia-me à cidadela como quem vai atrás de enigma – enigma quase, quase a resolver-se, cinquenta anos depois.
Estava longe de imaginar que desvendaria alguns segredos: de família, da cidade, mesmo da pátria. Amo este chão, que me fez quem sou, e desejo refrescar-lhe dúvidas, certezas, raízes.
No Largo do Principal, tomava fôlego: obelisco soletrava vidas caídas na França de 14-18; da igreja de São Vicente nascera quadra, que minha avó recitava amiúde […] subir o S invertido da Costa Grande não era pêra doce, irregular nos calhaus de xisto delidos pelo tempo. Vencida a ladeira, ao cimo, um portal quinhentista na então Rua Larga lembrava o primeiro arrabalde deslizando para o rio. Era memória antiga de burgo determinado que já no século XV transbordara da cinza do medo guardado em barbacãs” .

E poderíamos continuar por muito tempo sobre o traçado do mapa da cidade desenhado pelas palavras comovidas do narrador, onde os espaços exteriores convivem, como se disse, intimamente com o itinerário da sua emoção. Através de um processo retrospectivo, os narradores, cada qual recuando no tempo com base em fontes testemunhais orais e escritas, vão portanto seleccionando, filtrando, relacionando, reconstruindo o passado familiar e a memória colectiva da cidade, valorizando essa intersecção com a memória histórica da nação no período decisivo de Quatrocentos. Estamos assim perante camadas temporais e sociais enquanto verdadeiros palimpsestos que segregam por sobreposição as diversas fases da cidade e da linha genealógica dos narradores. Percurso no espaço, no tempo entranhado na fisionomia dos lugares, e no ser da personagem autoral, pela filtragem emotiva e por uma consciência interna crítica e vigilante. Também um percurso iniciático de conhecimento enquanto reconhecimento dos lugares e dos narradores mesmos nesses lugares. Daí, mais que histórico, que o é, sem dúvida, o que ressalta ao leitor é a voz sensível, emotiva de um sujeito em demanda, errância e deambulação no espaço-tempo de Bragança, que perpassa em fundo de episódios, circunstâncias políticas, movimentos populares, reificação e revisitação de mitos. Pratica desse modo o autor uma refinada arte da memória afectiva, sob a elaboração de um meticuloso trabalho de linguagem, sem nunca deixar enredar o fio longo e labiríntico da narrativa, embora, pela poeticidade do texto, sistematicamente a imaginação aja sobre os episódios, a reflexão sobre a acção, a arte da escrita sobre a escrita do real. Parece ecoar aqui a lição proustiana filtrada pela durée de Bergson, na incansável acção do escritor em busca do seu tempo perdido, até às fontes primevas. Essa acção do tempo é de tal forma estruturadora da narrativa que parece-nos não ser despropositada a referência ao roman-fleuve enquanto rumo e intencionalidade. 
Em síntese, confluem na obra as várias facetas que no início do texto apontamos em Ernesto Rodrigues: o ficcionista (na memória inventiva, recriativa e afectiva), o poeta (no trabalho de linguagem e no intimismo descritivo), o dramaturgo (na vivacidade e propriedade dos diálogos, tendo sempre em conta a diversidade das personagens e a sobreposição dos tempos históricos, dando-nos assim uma verdadeira diacronia de falares, personificando igualmente por essa forma a cidade), o cronista, o historiador, o investigador que fundamenta a narrativa com uma sólida base factual e cultural. Essa voz narrativa, esse sujeito que se interna em temporalidades e espaços vários, parece ter como arquétipo orientador os antigos livros de linhagens, procurando dessa forma uma unidade pessoal e social que abarque o sujeito e a sua circunstância, sendo que esta é decisivamente marcada pela cidade que habita, ou, melhor, foi habitando, visto que em cada demanda longínqua, cosmopolita, se seguiu o regresso, o recentramento do “eu”.
Uma passagem crucial em que o narrador convoca o seu leitor não sei se ideal se implícito clarifica a arte romanesca de Ernesto Rodrigues, pelo menos a arte que permitiu a construção deste notável romance, e no qual, reitera-se, o literário e o estético são ostensivamente destacados. Igualmente na passagem que a seguir transcrevemos se pressente o pensamento poético-antropológico de Giambattista Vico: “para ti leitor posto em assédio, construo bairro de letras, onde seja agradável passear; instalo outra casa de água viva, borbulhante, que refresque e alimente, ergo um castelo de enigmas, como na infância dos homens, disposto a ser conquistado” ; ainda uma curta frase que clarifica a alegoria poética da casa: “vista daqui, essa casa é imaginação, como qualquer infância” .

[1] Cf., Marinho, Maria de Fátima – Romance Histórico em Portugal, Porto, Campo das Letras, 1999. 
[2] Ernesto Rodrigues, A Casa de Bragança, Lisboa, Âncora Editora, p. 11. 
[3] Idem, p. 17
[4] Idem, p. 16. 



Fernando de Castro Branco
in:jornalnordeste.com

Especial Halloween: afinal o que sabe sobre o oculto?

Máscaras, figuras horrendas, sons assustadores e muitas travessuras. É assim que se passam as noites de 31 de outubro para 1 de novembro um pouco por todo o mundo de forma a celebrar o Halloween ou, se quiserem, a Noite das Bruxas.
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Apesar de popularizada nos Estados Unidos da América, acredita-se que Halloween tenha nascido na Europa, criado pelos povos que habitavam na Gália e nas Ilhas da Grã-Bretanha, entre os séculos 600 a.c. e 800 d.c..

Na altura era representativo de uma antiga celebração Celta, o Samhain, surgindo como uma forma de marcar o fim do verão, o encerramento das colheitas e a passagem para a estação do inverno.

Quanto às origens, não há muito consenso. Há quem atribua raízes pagãs ao nascimento desta celebração assim como como quem encontre associações católicas para o justificar. O que é certo é que, em outros tempos, o Halloween durava três dias, coincidindo com as atuais celebrações católicas da vigília de Todos os Santos (31 de outubro à noite), o Dia de Todos os Santos (dia 1 de novembro) e o Dia dos Fiéis Defuntos (dia 2 de novembro).

Nos tempos que correm, a data é encarada como um dia de festa e de permissão para interpretar personagens mitológica, fantasmáticas e quem sabe, na volta conseguir alguns doces ou, caso isso não aconteça, pregar algumas partidas.

Mas para compreender melhor o que se passa hoje em dia na relação entre humanos e o mundo oculto, chegamos à fala alguém que, diariamente, convive entre as duas dimensões. Médium, astrólogo ou vidente, muitos são as funções exercidas por Carlos Nascimento que nos deixou saber que, afinal, o desconhecido desperta cada vez mais interesse no mundo dos vivos, e, segundo ele, a própria ciência tem dado um empurrãozinho.

“Cada vez mais. O oculto suscita interesse já desde a idade média. Acho que atualmente até desperta mais porque a ciência tem evoluído em alguns aspetos e tem detetado energias, hoje em dia até há aparelhos que detetam fantasmas, espíritos ou aspetos dos mesmos.

As pessoas interessam-se porque elas próprias sentem que estamos a viver em um mundo do “salve-se quem puder”, onde as pessoas são capazes de tudo para ter o que os outros têm, o que depois suscita as intrigas, a inveja e o ciúmes. Esta é uma fase de um mundo de rivalidade e a culpa é do dinheiro e o poder.”
Apesar de ter o consultório em Chaves, Carlos recebe semanalmente mais de 100 pessoas em busca de ajuda espiritual e de todas as partes do país.

E as razões para recorrer a um especialista do desconhecido são de várias ordens.

“As pessoas trazem problemas de todos os tipos. Normalmente procuram por ajuda com problemas com relacionamentos, quando não estão bem e não entendem porquê, por questões profissionais, financeiras, ou porque não entendem o porquê de a vida lhes andar para trás quando lutam para que ande para a frente. São razões diversas.”
E para conseguir conexões com o oculto, não basta gostar, é preciso nascer com o dom.

“Normalmente, quando uma pessoa é médium, não é porque gosta. Ou se nasce com dom ou não se tem.

A aptidão nasceu comigo e desde a adolescência que se manifestava com sintomas de incorporação, artes de adivinhação, situações onde eu dizia algo que depois acontecia. 

Ser médium não é uma questão de se querer, apesar de hoje em dia a internet e os livros ensinarem tudo, é preciso nascer com a sensibilidade espiritual, aquela canalização energética. Se assim não for não lhe vai valer de nada.”
Fica o aviso de quem sabe das coisas: não vale a pena temer o desconhecido.

“Não devem temer. Devem saber, aprofundar, conhecer um pouco do que é o oculto, ter um pouco mais de informação para, por vezes, saberem lidar com determinadas situações que o ser humano não consegue entender.

Acho que toda as pessoas são médium, apenas há uns que evoluem enquanto outros não.

Todo o ser tem uma alma, um espírito. Cabe a cada um , dependendo do trajeto da peregrinação com que passou neste planeta, o que vai levar consigo quando a alma se separar do corpo e passar para a outra dimensão. “
O Halloween dá origem ainda a várias festas um pouco por todo o mundo, onde os temas não fogem ao oculto e as fantasias são, muitas vezes, até motes para concursos.

E por isso, já sabe, se esta noite quiser fugir à travessura, não deixe que os doces faltem na hora em que lhe baterem à porta.

Escrito por ONDA LIVRE

Projeto de ligação de Vimioso a Bragança deve arrancar em 2019

O acesso há muito tempo pedido pelos brigantinos que vai ligar o concelho de Vimioso ao concelho de Bragança está agora dependente da Declaração de Impacto Ambiental. 
Espera-se que tudo fique resolvido até ao final do ano para que, tal como previsto, as obras possam avançar já em 2019.

Sistema de pagamento de portagens está a diminuir fluxo de turistas em Bragança

Há turistas espanhóis que estão a deixar de visitar Bragança por dificuldades na altura de pagar as portagens.
O caso é denunciado pelo autarca da cidade, Hernâni Dias, que diz que há necessidade de criar condições especiais sobretudo para os concelhos de fronteira.

Entrevista com Tereza Carvalho

Falta de Chuva reduz a produção de Castanha em Carrazeda de Montenegro

Memórias da RTP - 2010-01-11 - Escolas encerradas devido à neve

Em Macedo de Cavaleiros quase todas as escolas encerraram devido à neve, mas as estradas do distrito de Bragança estão quase todas transitáveis.
clica na imagem para aceder ao video

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Avelanoso, no concelho de Vimioso, recebeu a terceira edição da Montaria ao Javali, inserida na Feira da Castanha e dos Produtos da Terra da aldeia

A caça, o encher alheiras, a sueca no café, a sesta à beira da lareira: "Alfaião" é o retrato do quotidiano da típica aldeia transmontana

O Centro de Fotografia Georges Dussaud recebeu performance de Joana Providência, aliada à exposição fotográfica da autoria de Georges Dussaud

Música e castanhas: III Feira da Castanha e dos Produtos da Terra, em Avelanoso, fecha portas com magusto e os cantares do Rancho Folclórico de Vimioso

População ajudou bombeiros de Sendim a substituir viatura acidentada

Diversas iniciativas solidárias permitiram aos Bombeiros de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, reunir a verba necessária para substituir uma viatura de combate a incêndios florestais que ficou inoperacional em agosto, disse hoje fonte da corporação.
O corpo de bombeiros conseguiu mais de 26 mil euros, que lhe permitiu comprar uma viatura "usada, mas com capacidade operacional", disse à agência Lusa o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Sendim, Ilídio Rodrigues.

Acrescentou que a verba foi angariada "através de um concerto solidário, que juntou músicos transmontanos, ao qual se juntaram donativos de pessoas e empresas".

Os Bombeiros de Sendim ficaram sem uma viatura de combate a incêndios florestais após um acidente na manhã de 02 de agosto, junto a Lagoaça, no concelho de Freixo de Espada à Cinta.

A viatura fazia o trajeto em direção a Torre de Moncorvo para um pré-posicionamento do dispositivo de combate a fogos florestais e ficou inoperacional devido aos elevados danos estruturais. Deste acidente resultam cinco feridos.

A viatura de substituição agora adquirida, embora usada, "tem todos os requisitos de segurança" e estará ao serviço dos bombeiros até que o processo de aquisição de um outro Veículo Florestal de Combate a Incêndios esteja concluído, "o que deve demorar algum tempo".

Um novo veículo para as mesmas funções irá custar cerca de 150 mil euros, e, apesar de haver apoios das entidades oficiais e das seguradoras, a corporação na dispõe da parte que lhe cabe suportar.

"Teremos de aguardar por uma candidatura a fundos comunitários para a sua reposição", afirmou o dirigente desta corporação de bombeiros do distrito de Bragança.

Agência Lusa

CONSPIRADORES – Lista dos indivíduos pertencentes ao distrito de Bragança que foram processados por conspiradores ou sofreram perseguições do governo republicano.

Na madrugada de 4 para 5 de Outubro de 1911, primeiro aniversário da proclamação da República, entrava Henrique de Paiva Couceiro, ex-capitão de artilharia, chefe da conspiração monárquica, com a sua gente (que havia concentrado em Puebla de Sanábria, Espanha), em Portugal pelo termo da povoação de Soutelo da Gomoeda e Cova de Lua, concelho de Bragança, à frente de dois mil homens, quatrocentos dos quais bem armados, e ia descansar a Espinhosela, onde se demorou duas horas, marchando depois para Vinhais, visto a guarnição de Bragança, com que contava, não aderir, contra o parecer de Homem Cristo, pai e filho, e de outros homens de valor que o acompanhavam e logo o deixaram, por verem que as prometidas adesões daqui falhavam, tendo apenas servido para alguns se encherem de dinheiro à tripa-forra, enquanto os ingénuos expunham a vida e pagavam depois na prisão a sua leviandade.
De Espinhosela seguiu por Soeira e Prada e, às três da tarde de dia 5, atacou Vinhais, que quase foi tomada sem resistência, porque o capitão Rodolfo São Boaventura Andrade, que guarnecia a vila com setenta homens, se retirou a tempo, dada a carência de elementos defensivos, voltando depois com reforços de cavalaria nº 6, de Chaves, a atacar Vinhais, já abandonada pelos monárquicos desde a meia-noite desse dia 5, que marcharam ao longo da raia, e no dia 7 tiveram um combate no lugar da Quadra com esses reforços, onde houve alguns feridos de parte a parte, entre os quais um filho do grande escritor Eça de Queirós, pertencente às hostes monárquicas.
Seguiram depois pelo Pinheiro Velho e Segirei onde chegaram no dia 11 internando-se em Espanha e indo surgir a Montalegre, vindo mais tarde atacar Chaves, mas já no ano de 1912, sem nada tocar ao território bragançano.
O governador militar de Bragança, quando da incursão, era o coronel Rego Baião, sucedendo-lhe depois o coronel Matos Cordeiro.
Nas suas marchas, os republicanos estacionaram em Valpaços, Curopos, Salgueiros, Edral e Sendim.
Logo que se deu a entrada dos monárquicos a 5 de Outubro, a cadeia de Macedo de Cavaleiros foi arrombada pelo povo amotinado, soltando os dezassete presos políticos que lá estavam, entre os quais o padre José António de Castro e seu pai, naturais de Bragança. Ao mesmo tempo, na via férrea de Mirandela foi cortado um troço da linha.
Assim ficaram as coisas, sem mais tentativas monárquicas pelo território bragançano, até Outubro de 1914, em que o coronel Adriano Beça, chefe desta segunda incursão, veio de Espanha, onde estava homiziado, pernoitar a Sacóias, caindo na noite de 18 para 19 desse mês sobre Bragança, para soltar o grito da revolução, que ao mesmo tempo devia estalar em todo o país. Adriano Beça foi preso antes de entrar na cidade e o movimento nada deu, além de várias prisões.
A 19 de Janeiro de 1919 rebentou no Porto outro movimento monárquico, secundado logo em Bragança com a aderência dos comandantes dos dois regimentos da guarnição – infantaria n.os 10 e 30 – e a monarquia foi proclamada na cidade. O comandante do 10 era o tenente-coronel Carlos António Leitão Bandeira e o do 30, José A. Ferreira Machado. Sobre o coronel Adriano Beça, ver o respectivo artigo, pág. 46.
Na ponte de Mirandela, já assinalada por acontecimentos idênticos, teve lugar o combate de 9 de Fevereiro de 1919, em que, além de outros, morreu o alferes monárquico Costa Alemão, filho do lente do mesmo apelido, e o republicano Eugénio das Neves Vilares, estudante do liceu de Bragança, natural de Sambade.
A 13 de Fevereiro restaura-se novamente no Porto a República e a coluna monárquica, receosa das forças do general Abel Hipólito, que, das Beiras, marchava sobre Mirandela, abandona esta vila, segue para Bragança, onde Hipólito chegou pouco depois, e interna-se em Espanha pela estrada de Rabal.
Este movimento monárquico ficou conhecido pelo nome de Traulitânia e os seus adeptos pelo de trauliteiros.
Por decreto de 18 de Março de 1919 foi conferido à cidade de Aveiro e às vilas de Chaves e Mirandela o grau de oficial da ordem da Torre e Espada, da Lealdade e Mérito, pelo modo corajoso como se portaram nesta revolução monárquica. Por outro de 2 de Maio desse ano foi dada a mesma condecoração às cidades do Porto, Coimbra, Évora e Bragança pelo heroísmo, civismo e amor que manifestaram na mesma altura em manter as instituições republicanas.

Segue a lista dos prisioneiros das duas tentativas de restauração:

ABEL ASSUNÇÃO NAZÁRIO, condenado em 8 de Agosto de 1912 pelo tribunal marcial de Chaves a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, por tomar parte na segunda incursão de Paiva Couceiro, tendo sido indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Além deste decreto, houve o de 22 de Fevereiro de 1914, que amnistiou todos os crimes políticos, com excepção de alguns chefes, nenhum dos quais pertencente ao distrito
de Bragança.
ABÍLIO FERNANDES VILA, de vinte e sete anos, solteiro, lavrador, natural e residente em Edral, concelho de Vinhais. Respondeu à revelia no tribunal marcial de Braga, por conspirador, em Janeiro de 1913.
ABÍLIO FERREIRA, presbítero, natural de Vinhais, pároco de Travancas, concelho de Chaves, diocese de Bragança; retirou para Espanha, pouco antes da primeira incursão de Paiva Couceiro e foi julgado como ausente pelo tribunal marcial de Chaves em Dezembro de 1912. Como companheiros, também ausentes, teve o padre Ferreira no julgamento muitas das maiores mentalidades monárquicas, tais como: Joaquim Leitão, Homem Cristo, pai e filho, Álvaro e Mário Pinheiro Chagas e outros. Foi também no tribunal marcial de Chaves que respondeu Paiva Couceiro, chefe militar da conspiração.
ALBINO EZEQUIEL, jornaleiro, de Espinhosela, condenado em 2 de Agosto de 1912 pelo mesmo tribunal a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Confessou o crime e declarou que fora aliciado pelo criado do bispo de Bragança, Eduardo Borges, que vai adiante mencionado.
Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
ALBINO AUGUSTO GONÇALVES RODRIGUES, do Porto, residente em Vila Nova; deu entrada na cadeia a 19 de Maio de 1919.
ALBINO FREDERICO,presbítero, natural de Bragança, capelão da Misericórdia da mesma cidade. Foi condenado pelo tribunal marcial de Chaves em 26 de Novembro de 1913 a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo, por conspirador. Respondeu como ausente, pois pouco antes da segunda incursão de Paiva Couceiro fora juntar-se-lhe a Espanha e, após o insucesso desta, emigrou para o Brasil.
ALFREDO DA CARDANHA, de Cardanha, concelho de Moncorvo. Estava em Fevereiro de 1912 preso por conspirador na Trafaria em Lisboa.
ALFREDO JOSÉ FERREIRA, solteiro, professor da Escola Central de Chaves, natural de Vinhais. Estava em Fevereiro de 1912 na Trafaria em Lisboa preso por conspirador.
ALFREDO DA RESSURREIÇÃO CANGUEIRO, presbítero, de Sendim, concelho de Miranda do Douro, secretário do bispo de Bragança D. José Alves de Mariz. Retirou-se para Espanha pouco antes da primeira incursão couceirista e por lá se demorou até pouco antes da segunda, em que emigrou para o Brasil. É irmão do padre Ernesto Baptista Cangueiro adiante mencionado.
ÁLVARO DE JESUS, de Mirandela, foi condenado por conspirador no tribunal marcial de Braga a 20 de Fevereiro de 1913.
AMADEU SÁ MIRANDA, proprietário, natural dos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros, foi condenado a 26 de Novembro de 1913 pelo tribunal marcial de Chaves a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo por conspirador. Respondeu à revelia, pois havia seguido na emigração as hostes de Paiva Couceiro.
AMADOR DE JESUS PIRES DIAS, presbítero, de Parada, residente em Izeda, filho de Miguel Pires Dias e de Maria do Carmo Pires, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919.
AMÉRICO ANTÓNIO CARVALHO, de vinte e quatro anos, solteiro, de Bragança, 1.º cabo de infantaria nº 2, preso no castelo de S. Jorge e em 4 de Abril de 1913 transferido para o Limoeiro. Foi condenado por conspirador, pelo tribunal de guerra da 1.ª divisão militar, a quatro anos de prisão celular. Era filho de José Miguel de Carvalho (o Lamalonga) e de Júlia dos Anjos.
ANTÓNIO AUGUSTO, de vinte e dois anos, solteiro, pedreiro, de Bragança, filho de pai incógnito e de Maria do Carmo. Foi julgado à revelia pelo tribunal marcial de Braga em Março de 1913.
ANTÓNIO AUGUSTO, de Rebordainhos, concelho de Bragança, soldado de infantaria na mesma cidade, de onde desertou indo apresentar-se a Paiva Couceiro; filho de Josefa Rosa, solteira, de vinte e um anos. Respondeu como ausente ante o tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze anos de degredo.
ANTÓNIO AUGUSTO DE CASTRO, de Bragança, pai do padre José António de Castro, adiante mencionado.
ANTÓNIO AUGUSTO SOARES, casado, correeiro, de Bragança. Estava preso na Trafaria em Fevereiro de 1912.
ANTÓNIO BENEDITO RODRIGUES, de vinte anos, solteiro, sapateiro, natural de Mirandela; filho de José Benedito Rodrigues e de Maria Luísa. Respondeu à revelia perante o tribunal marcial de Braga em Julho de 1913.
ANTÓNIO CARLOS SARMENTO COLAINHO DE AZEVEDO, engenheiro civil, natural de Bragança. Respondeu à revelia, por conspirador, perante o tribunal marcial de Chaves em Novembro de 1913. Faleceu em Lisboa a 1 de Abril de 1930.
ANTÓNIO JOSÉ AFONSO CARRAZEDO, solteiro, agenciário, de Samil. Em Fevereiro de 1912 estava preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa.
ANTÓNIO JOAQUIM ESTEVES, de Mirandela. Foi condenado a 27 de Fevereiro de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por tomar parte na segunda incursão couceirista.
ANTÓNIO JÚLIO SALGADO, de vinte e um anos, solteiro, ex-cabo, de Moncorvo, preso no castelo de S. Jorge em Lisboa e em 4 de Abril de 1913 transferido para o Limoeiro. Foi condenado por conspirador a quatro anos de prisão celular pelo tribunal de guerra da 1.ª divisão militar.
ANTÓNIO MARIA ESTEVES, pároco de Paradela, concelho do Mogadouro.
Por aviso publicado no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante seis meses no seu concelho por infringir a lei da separação da Igreja do Estado.
ANTÓNIO RAFAEL ALVES, de trinta e oito anos, natural de Sendim, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, abade de Agrochão, do mesmo concelho; filho de Francisco Meia e de Miquelina Rosa Alves. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913.
ARMANDO CORREIA DA ROCHA, proprietário, de Lamego, mas residente em Bragança, filho de Custódio Rocha e de Maria Cândida, deu entrada na cadeia a 4 de Março de 1919.
ARMÉNIO AUGUSTO, de vinte e dois anos, solteiro, de Meixedo, concelho de Bragança, soldado de infantaria na mesma cidade, de onde desertou, indo apresentar-se a Paiva Couceiro; filho de João Pires e de Beatriz de Jesus. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Junho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze de degredo.
ARTUR LOBATO PEREIRA, aspirante dos correios, de Bragança, filho de José Augusto Pereira e de Joaquina Rosa Lobato; deu entrada na cadeia a 20 de Fevereiro de 1919.
AUGUSTO CÉSAR PAIS, natural de Travanca, concelho do Mogadouro, e agora pároco de Miranda do Douro. Era pároco de Mairos, concelho de Chaves, quando fugiu para Espanha por conspirar; mas, sendo depois atraído traiçoeiramente à raia, foi preso; porém o governo espanhol reclamou-o por via diplomática e foi-lhe entregue, seguindo para o Brasil em Junho de 1911.
AUGUSTO CÉSAR DE SÁ MIRANDA, de trinta e sete anos, casado, proprietário, de Carrapatas, concelho de Macedo de Cavaleiros, filho de Bernardo José Luís de Sá e de Antónia de Sá Miranda. Respondeu à revelia por conspirador ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912.
AUGUSTO CÉSAR DE SÁ MIRANDA, casado, professor de instrução primária em S. Pedro Velho, concelho de Mirandela. Estava em Fevereiro de 1912 preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa.
AUGUSTO DAVID DE SÁ LEÃO, solteiro, comerciante, de Bragança, preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa, em Fevereiro de 1912.
AUGUSTO DAVID DE SÁ LEÃO, solteiro, estudante, de Bragança. Foi condenado por conspirador, no tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta dias de multa. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Estava na cadeia de Braga.
AUGUSTO DE SOUSA DE SÁ MIRANDA, de Mirandela. Foi condenado por conspirador, no tribunal marcial de Braga, a 20 de Fevereiro de 1913.
BALTASAR REIS, jornaleiro, de Macedo de Cavaleiros. Foi condenado a 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo por tomar parte na segunda incursão couceirista. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Estava na Penitenciária de Lisboa.
BASÍLIO BARREIRA, de trinta e cinco anos, casado, jornaleiro, natural de Sendim, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, filho de José Barreira e de Ermelinda Vaz. Respondeu à revelia no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913.
CÂNDIDA AUGUSTA RIBEIRO, solteira, criada de servir, de Vinhais. Estava em Fevereiro de 1912 presa por conspiradora.
CÂNDIDO FILIPE NERI SANCHES, presbítero, do Mogadouro, preso em Coimbra a 11 de Janeiro de 1913.No acto da prisão foi-lhe apreendida uma carta do presidente da Liga Monárquica do Rio de Janeiro, Joaquim Ferreira, em que este lamentava o insucesso da incursão couceirista. Foi capelão das hostes de Paiva Couceiro, sendo condenado pelo tribunal marcial de Braga na pena de vinte anos; mas na madrugada de 16 de Julho de 1913, juntamente com os presos políticos Amâncio dos Santos, do Porto,Augusto Cardoso de Oliveira, de Famalicão (que estavam na cela nº 44, que fica ao norte do edifício), e Francisco José Gomes, de Ribeira de Pena (que estava na cela nº 34), evadiram-se da cadeia civil de Braga, serrando vários ferros de uma janela e descendo por uma corda amarrada à mesma, pertencente à dita cela nº 44. Com os presos fugiu também a sentinela que os guardava.
É notável a coragem com que o padre Neri Sanches se apresentou a julgamento no tribunal, como noticiaram os jornais (Diário de Notícias de 17 de Julho de 1913). Levava na boutonière o emblema monárquico e ao ser-lhe lida a sentença levantou «vivas» ao rei e à monarquia. Ao perguntar-lhe o juiz quem era o seu advogado, o seu patrono, respondeu: «O meu advogado? D.Manuel II». «As suas testemunhas de defesa?» «Só tenho uma – disse ele – é Paiva Couceiro».
CARLOS AUGUSTO DE FIGUEIREDO SARMENTO, alferes, de Bragança. Ver tomo VI, pág. 125, destas Memórias.
CÉSAR AUGUSTO, trolha, de Bragança, condenado em 2 de Agosto de 1912 pelo tribunal marcial de Chaves em quatro anos de prisão celular, seguidos de doze de degredo, por haver tomado parte na segunda incursão de Paiva Couceiro. Confessou o crime e declarou que fora aliciado. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
CÉSAR AUGUSTO DE AZEVEDO, de vinte e dois anos, casado, funileiro, de Codeçais, filho de António de Azevedo e de Maria das Dores. Respondeu por conspirador ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912.
CÉSAR AUGUSTO DE AZEVEDO, de Carrazeda de Ansiães. Foi condenado a 29 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por implicado no complot monárquico daquela vila.
DANIEL JOSÉ DA COSTA LEÃO, de vinte e dois anos, estudante, de Bragança, filho de João Daniel e de Alexandrina da Conceição. Foi julgado à revelia pelo tribunal marcial de Braga.
DAVID DOS SANTOS (também conhecido por David dos Santos Morgado), de vinte e seis anos, nº 812 da polícia cívica de Lisboa, natural de Grijó, comarca de Bragança, filho de Francisco António e de Amélia Carolina Morgado. Respondeu como conspirador ante o tribunal da 1.ª divisão militar em Abril de 1913.
DIOGO PINTO DA SILVA, casado, capitalista, de Lamalonga, concelho de Macedo de Cavaleiros. Estava em Fevereiro de 1912 preso na Trafaria, em Lisboa, por conspirador.
DOMINGOS DO PATROCÍNIO PIRES PINTO, natural do Campo de Víboras, abade de Bemposta, concelho do Mogadouro. Por determinação publicada no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante quatro meses no seu concelho, por ter transgredido a lei da separação da Igreja do Estado.
EDUARDO AUGUSTO CORDEIRO, carregador de Moncorvo, condenado a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
EDUARDO MARIA DOMINGUES, do Mogadouro, residente em Bragança, filho de Luís Maria Domingues e de Maria Rosa, deu entrada na cadeia a 19 de Maio de 1919.
EDUARDO DOS SANTOS BORGES, casado, de Podence, ex-criado do bispo D. José Alves de Mariz, residente em Bragança, deu entrada na cadeia a 15 de Junho de 1919, mas já por outra vez fora preso nesta cidade a 30 de Maio de 1913, sendo condenado e recolhido à Penitenciária de Coimbra e indultado a 3 de Outubro desse ano.
ERNESTO BAPTISTA CANGUEIRO, natural de Sendim, concelho de Miranda do Douro (irmão do padre Alfredo da Ressurreição Cangueiro, atrás relacionado), pároco de Urros, concelho do Mogadouro. Por aviso publicado no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante quatro meses no seu concelho por transgredir a lei da separação da Igreja do Estado.
EUGÉNIO DOS SANTOS PINTO, de trinta e sete anos, de Macedo de Cavaleiros, guarda-portão na rua Alexandre Herculano em Lisboa, foi condenado por conspirador em 8 de Janeiro de 1913, pelo tribunal marcial daquela cidade, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Estava na
Penitenciária de Lisboa.
EUSÉBIO DOS SANTOS GOMES, jornaleiro, de Vinhais, condenado a 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, a seis anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, por haver tomado parte na incursão de Paiva Couceiro. Foi indultado pelo decreto atrás citado. Estava também na Penitenciária de Lisboa.
FÉLIX FRANCISCO PIRES, pároco da Póvoa, concelho de Miranda do Douro. Por determinação publicada no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante oito meses no seu concelho, além de perder os benefícios materiais do Estado.
Em correspondência de Miranda do Douro do dia 12, publicada no Diário de Notícias do dia 17 desse mês e ano, lê-se: «Tendo sido expulso o pároco da freguezia da Póvoa [Félix Francisco Pires], dêste concelho, o respectivo administrador ali se dirigiu com um oficial para tomar conta dos livros do registo e fazê-los conduzir para esta cidade. Aconteceu, porém, que a povoação se opôz, amotinando-se, especialmente as mulheres, que para a rua sairam armadas de espetos, machados, forcados e outros instrumentos, não conseguindo o administrador realizar o seu fim, efectuando apenas algumas prisões de mulheres, pelo que o conflito se tornou mais grave, não havendo, porém, desastres a lamentar. Tendo chegado a esta cidade a guarda republicana, o administrador com ela ali voltou para o mesmo fim, tomando em seguida conta dos livros e não havendo então resistência alguma».
O administrador de Miranda do Douro era o padre Eduardo António Falcão.
FERNANDO GUEDES BACELAR, natural de Mirandela, doutor em direito, contador do registo predial em Bragança, foi condenado a 26 de Novembro de 1913 pelo tribunal militar de Chaves, por conspirador, em seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo. Respondeu à revelia, pois havia seguido na emigração as hostes de Paiva Couceiro.
FRANCISCO ANTÓNIO, de cinquenta anos, casado, guarda-fiscal reformado, natural de Edral, concelho de Vinhais, residente em Vilarelho da Raia, concelho de Chaves, filho de Francisco Claro e de Luísa Vaz. Foi julgado à revelia, por conspirador, em Julho de 1913.
FRANCISCO ANTÓNIO DE OLIVEIRA, pároco de Travanca, concelho do Mogadouro, foi proibido de residir durante seis meses no seu concelho, segundo determinação publicada no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913, por haver transgredido a lei da separação da Igreja do Estado.
FRANCISCO ANTÓNIO PILÃO, sapateiro, de Bragança, filho de António Joaquim Pilão e de Maria Angélica, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919.
FRANCISCO ANTÓNIO VALE DE PRADOS, de vinte e um anos, de Baçal, concelho de Bragança, soldado de infantaria nesta cidade, de onde desertou, indo apresentar-se a Paiva Couceiro com o armamento do corpo a que pertencia; filho de Sebastião Vale de Prados e de Maria Augusta. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze de degredo.
FRANCISCO AUGUSTO FERNANDES ISIDORO, de vinte anos, solteiro, sapateiro, natural de Mirandela, filho natural de Maria Cândida Fernandes.
Respondeu à revelia, por conspirador, ante o Tribunal Marcial de Braga em Julho de 1913.
FRANCISCO MESSIAS, de vinte e três anos, solteiro, de Meixedo, concelho de Bragança, soldado de infantaria nesta cidade, filho natural de Amélia de Jesus, desertou e foi juntar-se às hostes de Paiva Couceiro. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa de doze de degredo.
FRANCISCO DA SILVA RAMOS, casado, empregado do caminho-de-ferro, natural de Bragança. Estava preso na Trafaria, em Lisboa, em Fevereiro de 1912.
GERMANO AUGUSTO, de vinte e um anos, solteiro, de Vila Franca de Sendas, concelho de Bragança, soldado de infantaria na mesma cidade, de onde desertou, indo apresentar-se a Paiva Couceiro; é filho de Manuel José e de Filomena Margarida. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913 e condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze de degredo.
GUILHERMINO AUGUSTO ALVES, natural de Bragança, doutor pela Universidade Gregoriana de Roma. Foi julgado no tribunal militar de Coimbra (em cujas prisões estava detido) e absolvido, a 22 de Abril de 1913. Juntamente com ele responderam mais trinta e quatro co-réus, supostos conspiradores pertencentes ao complot de Coimbra, entre os quais havia médicos, advogados, estudantes, negociantes, proprietários, um farmacêutico, um chauffeur e um empregado público, que, na sua maior parte, foram absolvidos.
O julgamento durou onze dias.Um dos advogados de defesa, o republicano histórico bem conhecido doutor Cunha e Costa, salientando a violência feita aos réus, teve afirmações destas: «O processo dos supostos conspiradores de Coimbra é um verdadeiro monstro. Está cheio de defeitos». Mais de uma vez o auditório, achando justas as censuras deste advogado à forma seguida pelas autoridades no processo, soltou apoiados em pleno tribunal.
O doutor Guilhermino Augusto Alves, distintíssimo intelectual e erudito, era professor no Colégio-Liceu Figueirense, da Figueira da Foz, estabelecimento dirigido pelo doutor José Luís Mendes Pinheiro, formado em matemática e filosofia pela Universidade de Coimbra, antigo professor da mesma Universidade, que em virtude das convulsões políticas transferiu o colégio-liceu para Huy, na Bélgica, perto de Liège e Lovaina, dois dos mais importantes centros científicos da Europa, para onde o acompanhou o doutor Guilhermino Augusto Alves no desempenho das suas funções do magistério. Em Agosto de 1930 é reitor e professor do Seminário Diocesano de Bragança.
GUILHERMINO DA SILVA, natural de Rebordainhos, pároco de Chacim.
Respondeu à revelia perante o tribunal marcial de Braga em Junho de 1913 e foi condenado a oito anos de prisão celular ou doze de degredo.
HERMÍNIO AUGUSTO, de vinte e seis anos, de Bragança, ex-guarda nº 1554 do corpo de polícia de Lisboa (esquadra do Rato), foi condenado por conspirador, em 8 de Janeiro de 1913, pelo tribunal marcial daquela cidade, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo.Havia sido preso a 25 de Agosto de 1912. Era filho de Manuel Reis e de Carolina Augusta.
HORÁCIO AUGUSTO MARTINS, de dezanove anos, solteiro, pedreiro, de Bragança, filho natural de Maria do Carmo Martins. Foi julgado à revelia pelo tribunal marcial de Braga em Março de 1913.
JOÃO ANTÓNIO PEREIRA, solteiro, estudante, de Bragança. Em Fevereiro de 1912 estava preso, por conspirador, na Trafaria, em Lisboa.
JOÃO BAPTISTA, trabalhador, de Bragança. Preso no Porto a 4 de Março de 1912, respondeu na mesma cidade a 21 de Junho do dito ano, sendo condenado a sete meses de cadeia, mas levando-lhe em conta o tempo de prisão sofrida.
JOÃO BAPTISTA, de Mirandela, respondeu a 25 de Fevereiro de 1913 no tribunal marcial de Braga, por tomar parte na segunda incursão couceirista, e foi condenado a três anos de prisão celular, seguidos de quatro e meio de degredo.
JOÃO BAPTISTA CABRAL, 2.º cabo-corneteiro, de Bragança, filho de Francisco António Cabral e de Amélia Augusta Galhós, deu entrada na cadeia a 20 de Fevereiro de 1919.
JOÃO BAPTISTA LOPES, de Mirandela, pároco de Vale de Asnes, do mesmo concelho. Foi julgado no Porto em audiência geral de 15 de Julho de 1913 por, em 4 e 5 de Julho de 1911, espalhar boatos alarmantes contra as instituições republicanas, sendo absolvido.
JOÃO BAPTISTA LOPES, de Mirandela, condenado em 27 de Fevereiro de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por tomar parte na segunda incursão couceirista.
JOÃO BAPTISTA RODRIGUES, pároco de Sanhoane, concelho do Mogadouro, foi proibido de residir durante seis meses no seu concelho, segundo aviso publicado no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913, por haver infringido a lei da separação da Igreja do Estado.
JOÃO CARNEIRO FERREIRA, alfaiate, de Bragança, filho de José Manuel Carneiro e de Ricardina Augusta Pimentel, deu entrada na cadeia em 22 de Março de 1919.
JOÃO DE DEUS, canteiro, de Bragança, filho de Maria Rosa da Cruz, idem, idem em 19 de Maio de 1919.
JOÃO FRANCISCO LÁZARO, canteiro, de Bragança, filho de Luís António Lopes e de Isabel Maria Rego, idem, idem em 22 de Março de 1919.
JOÃO MANUEL MORAIS, ex-polícia, de Macedo de Cavaleiros. Estava preso por conspirador, em Fevereiro de 1912, no castelo de S. Jorge, em Lisboa.
JOÃO MOURA, preso no Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães, a 27 de Agosto de 1912.
JOAQUIM DO CARMO RODRIGUES, de quarenta e sete anos, servente, de Alfândega da Fé, foi preso por envolvido na conspiração monárquica de 21 de Outubro de 1913.
JOSÉ AMARO, de trinta e cinco anos, solteiro, ex-guarda do corpo de polícia civil de Lisboa, natural de Rebordãos, concelho de Bragança, filho de Manuel Joaquim Fernandes e de Miquelina de Jesus, foi citado, como ausente, pelo tribunal marcial de Braga em Novembro de 1913 para responder pelo crime de conspirador.
JOSÉ ANTÓNIO DE CASTRO, de vinte e sete anos, presbítero, natural de Bragança, filho de António Augusto de Castro e de Maria da Conceição. Preso logo desde o princípio, juntamente com seu pai, na cadeia civil desta cidade, foi depois transferido para a de Macedo de Cavaleiros, de onde se evadiram por ocasião da primeira incursão de Paiva Couceiro em Vinhais. Julgados à revelia em Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, foram absolvidos, mas o padre Castro emigrou de Espanha para o Brasil e não voltou a Bragança, onde seu pai regressou. Ver neste tomo o artigo respectivo, pág. 92. Em 1930 voltou aquele do Brasil a pedido do Patriarca de Lisboa, onde fixou residência e se tem notabilizado tanto no jornalismo como no púlpito.
JOSÉ ANTÓNIO FERNANDES, presbítero, de Quintanilha, residente em Serapicos, filho de Lázaro Manuel Fernandes e de Ermelinda Fernandes, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919.
JOSÉ ANTÓNIOMONTEIRO FILIPE, natural do Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães, abade dos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros.
Respondeu à revelia, por conspirador, no tribunal marcial de Braga, em Junho de 1913 e foi condenado em oito anos de prisão celular ou doze de degredo.
JOSÉ AUGUSTO CARVALHO, de Mirandela, condenado em 27 de Fevereiro de 1913, pelo citado tribunal, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por tomar parte na segunda incursão couceirista.
Em algumas partes aparece com o nome de José Augusto Cabanelas.
JOSÉ EDUARDO FERNANDES, casado, guarda-freio da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, natural de Donai, concelho de Bragança. Estava preso como conspirador, em Fevereiro de 1912, na Trafaria, em Lisboa.
JOSÉ FRANCISCO DE SOUSA, de Mirandela, condenado em 27 de Fevereiro de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por tomar parte na segunda incursão couceirista.
JOSÉ FRANCISCO VAZ, de quarenta e seis anos, casado, professor primário aposentado, natural de Frades, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, e residente na de Agrochão, do mesmo concelho; filho de Francisco Vaz e de Maria Matilde da Conceição. Respondeu à revelia, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913.
JOSÉ JOAQUIM, de quarenta e dois anos, casado, natural de Bragança, 1.º cabo de infantaria nº 17, foi condenado por conspirador, no tribunal marcial de Lisboa, a 3 de Novembro de 1912, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Requereu revisão do processo e foi novamente julgado no tribunal marcial de Coimbra, em 30 de Maio de 1913, sendo-lhe comutada a pena em vinte meses de prisão correccional e seis meses de multa a 100 réis por dia.
JOSÉ MANUEL FERREIRA, de trinta e três anos, casado, de Sortes, concelho de Bragança, filho de António Ferreira e de Maria Rodrigues, foi julgado à revelia, pelo tribunal marcial de Braga, em Março de 1913.
JOSÉ MANUEL PINTO, natural de Travanca, concelho de Macedo de Cavaleiros, pároco de Vale de Prados, do mesmo concelho. Respondeu à revelia por conspirador, no citado tribunal, em Junho de 1913, e foi condenado em oito anos de prisão celular ou doze de degredo.
JOSÉ MARIA, de Carrazeda de Ansiães, foi condenado a 29 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por fazer parte do complot monárquico daquela vila.
JOSÉ MARIA, jornaleiro, de Vinhais, foi condenado em 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, por tomar parte na incursão de Paiva Couceiro.
Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
JOSÉ MARIA BEIRAGRANDE, de vinte e nove anos, casado, jornaleiro, de Castanheira, concelho de Carrazeda de Ansiães, filho de Francisco Beiragrande e de Luísa Gonçalves, respondeu como ausente, por conspirador, no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912.
JOSÉ MARIA CARDOSO, de quarenta anos, casado, do Vimioso, 2.º cabo de infantaria nº 17, foi condenado por conspirador, pelo tribunal marcial de Lisboa, em 3 de Novembro de 1912, a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo.
JOSÉ MARIA PIRES, de Parada, residente em Calvelhe, filho de Domingos Manuel Pires e de Maria Joaquina Rodrigues, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919.
JOSÉ MENDONÇA TRIGO DE NEGREIROS, de trinta anos, presbítero e doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, natural de Abreiro, filho de Manuel José Trigo de Negreiros e de D. Maria dos Remédios Mendonça, respondeu à revelia, por conspirador, no tribunal marcial de Braga, em Fevereiro de 1912.
JOSÉ DO NASCIMENTO ALVES, de Bragança, filho de Agostinho Alves Branco e de Maria Antónia Jorge, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919.
JOSÉ DE OLIVEIRA, doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, cónego da Sé de Bragança e ex-professor do Seminário Diocesano e do Liceu Nacional da mesma cidade. Preso em Nisa, sua terra natal, a 25 de Agosto de 1912 e conduzido ao Limoeiro, foi julgado e condenado no tribunal marcial de Lisboa em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, juntamente com os co-réus (condenados em igual pena) Eugénio dos Santos Pinto, de trinta e sete anos, de Macedo de Cavaleiros, guarda-portão na rua Alexandre Herculano em Lisboa; Hermínio Augusto, de vinte e seis anos, de Bragança, ex-polícia nº 1554; Manuel Maria Fernandes, de Mirandela, ex-cabo da polícia cívica nº 1594, e Alípio José Pontes, ex-empregado da Fábrica de Tabacos de Portugal. O padre Oliveira requereu o indulto no perdão que houve por decreto de 3 de Outubro de 1913, mas não foi atendido.Ver o respectivo artigo neste tomo, pág. 367.
JOSÉ DO ROSÁRIO GONÇALVES, casado, 2.º sargento reformado de infantaria nº 10, morador, e não sabemos se natural, em Vila Nova, concelho de Bragança. Em Fevereiro de 1912 estava preso por conspirador no castelo de S. Jorge, em Lisboa.
JOSÉ SILVEIRA, de Carrazeda de Ansiães, foi condenado a 22 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, em um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por fazer parte do complot monárquico daquela localidade.
JOSÉ SILVÉRIO ou JOSÉ CABRAL, de trinta anos, solteiro, jornaleiro, dos Pereiros, concelho de Carrazeda de Ansiães, filho de Silvério Cabral e de Mariana Gonçalves, respondeu como ausente, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912.
JOSÉ VAZ DE SOUSA PEREIRA PINTO GUEDES BACELAR, doutor em direito, conservador do registo predial em Miranda do Douro, natural de Mirandela, foi condenado a 26 de Novembro de 1913, pelo tribunal marcial de Chaves, em seis anos de prisão celular, seguidos de doze de degredo, por conspirador. Acompanhou logo, desde o princípio, as hostes de Paiva Couceiro e, após o insucesso, emigrou para o Brasil juntamente com seu irmão Fernando Guedes Bacelar, sendo pois julgados à revelia.
JÚLIO QUEIROGA, de Aveleda, concelho de Bragança, respondeu como ausente, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913.
JUSTINO DO ESPÍRITO SANTO LOPES, de trinta e sete anos, casado, barbeiro, natural de Vale de Nogueira, freguesia de Salsas, e residente em Vidoedo, filho de Manuel Domingos Lopes e de Ludovina Augusta. Foi julgado à revelia, em Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga.
LAURA DOS REIS, solteira, padeira, de Vinhais, estava presa por conspiradora em Fevereiro de 1912.
MANUEL ANTÓNIO, criado de servir, de Vinhais, condenado em 2 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo, por fazer parte das hostes couceiristas. Confessou o crime e disse que fora aliciado. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
MANUEL ANTÓNIO FERNANDES, casado, solicitador, de Mirandela. Estava em Fevereiro de 1912 preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa.
MANUEL ANTÓNIO LOPES, de trinta e dois anos, natural de Carção, concelho do Vimioso, pároco de São Jomil, concelho de Vinhais, filho de João Lopes e de Maria José Dias. Respondeu à revelia por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga, em Fevereiro de 1913.
MANUEL ANTÓNIO RODRIGUES, de Soutelo da Gamoeda, freguesia de Carragosa, concelho de Bragança, abade de Meixedo. Preso a 23 de Outubro de 1911 por haver auxiliado a primeira incursão de Paiva Couceiro, respondeu em Lisboa no tribunal das Trinas em 6 de Março de 1912 e foi absolvido.
Esteve preso na cadeia civil de Bragança, no Aljube do Porto e no Limoeiro e Trafaria de Lisboa.
MANUEL DO ESPÍRITO SANTO, de trinta e dois anos, de Vinhais, soldado da 1.ª companhia da guarda fiscal, respondeu no tribunal de Santa Clara em Lisboa, a 8 de Novembro de 1913, por conspirador e abandono de posto, sendo punido com vinte meses de prisão correccional.
MANUEL LOPES, natural de Vila Verde, concelho de Vinhais, respondeu à revelia no tribunal marcial de Chaves a 26 de Novembro de 1913 como conspirador monárquico e foi absolvido.
MANUEL JOAQUIM BERNARDO, de Mirandela, respondeu a 25 de Fevereiro de 1913, no tribunal marcial de Braga, por tomar parte na segunda incursão de Paiva Couceiro. Foi absolvido.
MANUEL MARIA FERNANDES, de quarenta e três anos, de Mirandela, ex-cabo nº 1594 da Polícia Cívica de Lisboa, foi condenado a 8 de Janeiro de 1913, pelo tribunal marcial da mesma cidade, como conspirador, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo.
MANUEL PESSANHA, proprietário, natural dos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros, respondeu à revelia como conspirador, ante o tribunal marcial de Chaves, em Novembro de 1912.
MANUEL RAMOS BARREIRA, jornaleiro, de Vinhais, condenado a 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, em quatro anos de prisão celular, seguidos de doze de degredo, por tomar parte na segunda incursão couceirista. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
MANUEL RODRIGUES POÇAS, de sessenta anos, casado, proprietário, natural e residente em Vilar de Peregrinos, concelho de Vinhais, filho de José Rodrigues Poças e de Carolina Pires. Respondeu como ausente, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913.
MANUEL SEBASTIÃO FERNANDES, de trinta e quatro anos, natural de Varge, concelho de Bragança, pároco de Vilar de Peregrinos, concelho de Vinhais.
Foi julgado à revelia, por conspirador, no mencionado tribunal em Fevereiro de 1913.
MANUEL DOS SANTOS, de sessenta anos, casado, lavrador, natural e residente em Sendim, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, filho de Miguel Alves Vaz e de Ana Domingues. Respondeu à revelia no mesmo tribunal em igual mês e ano.
MARIA BENIGNA, casada, padeira, de Vinhais, estava presa em Fevereiro de 1912 na Trafaria, em Lisboa, acusada de conspiradora.
MARIA CÂNDIDA DE SEIXAS, de quarenta e quatro anos, solteira, de Trevões, residente em Codeçais, concelho de Carrazeda de Ansiães, respondeu à revelia no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912.
MÁRIO DOS SANTOS FERREIRA, de Bragança, filho de António Mendes e de Alexandrina Rosa, deu entrada na cadeia a 5 de Março de 1919.
MARTINHO JOSÉ DUARTE, pároco de Gostei, preso na cadeia civil de Bragança desde 26 de Julho a 15 de Agosto de 1912 por falsas denúncias. Julgadas sem fundamento as acusações, foi posto em liberdade.
NARCISO VICENTE ou NARCISO AUGUSTO, de vinte e dois anos, solteiro, jornaleiro, de Vilarinho da Castanheira, concelho de Carrazeda de Ansiães, filho de Manuel dos Santos e de Carolina Rosa, respondeu à revelia, por conspirador, no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. Ignoramos se é este o Narciso Augusto, de Carrazeda de Ansiães, condenado em 29 de Março de 1913, no citado tribunal, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, como implicado no complot monárquico daquela localidade, que encontrámos mencionado em algumas listas.
NAZÁRIO DO NASCIMENTO GÂNDARA, jornaleiro, de Vinhais, condenado, por conspirador, a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo.
Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913.
PEDRO VICENTE CARNEIRO, natural e abade de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros. Respondeu por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga, em Junho de 1913 e foi condenado em oito anos de prisão celular ou doze de degredo.
PORFÍRIO MADUREIRA, de vinte e oito anos, solteiro, jornaleiro, residente em Amedo, concelho de Carrazeda de Ansiães, foi julgado à revelia, como conspirador, perante o tribunal anteriormente citado, em Fevereiro de 1912. Não sabemos se é este o Porfírio Madureira, de Carrazeda de Ansiães, condenado a 29 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por se achar envolvido no complot monárquico do aludido concelho, de que falam várias listas de conjurados.
TOMÁS ANTÓNIO DE SÁ CARDOSO, residente em Bragança, filho de pais incógnitos, deu entrada na cadeia a 1 de Março de 1919.
VALÉRIO ACÁCIO PAVÃO, de dezanove anos, solteiro, sapateiro, natural de Mirandela, filho de Carolina da Piedade Pereira, foi julgado no tribunal marcial de Braga, por conspirador, em Julho de 1913.

Sabemos que, além destes, os prisioneiros políticos foram alguns mais, como Aníbal Raimundo e José Palmeiro (Varelo), de Sacóias, mas não alcançámos o respectivo documento autêntico, e que contra muitos outros se passaram mandados de captura, as quais se não realizaram por eles haverem fugido.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança