quarta-feira, 22 de março de 2017

PR recebe clone de freixo histórico transmontano, símbolo da "resistência do país"

O Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou ontem a plantação do Freixo de Duarte d' Armas nos jardins do Palácio de Belém como um símbolo de "resistência e resiliência" do país.
O chefe de Estado recebeu hoje, Dia da Floresta, o primeiro "clone" da árvore simbólica de Freixo de Espada à Cinta, que tem mais de 500 anos de idade e que foi plantado nos jardins do Palácio de Belém.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, "trata-se de um momento simbólico para o nosso país. Este ato retrata um momento de resistência e resiliência para o país, tal como acontece com o freixo e outros freixos".

"É simbólico que o freixo [Freixo de Duarte D'Armas] aqui fique porque é uma homenagem aos portugueses que vivem no interior e aos que estão espalhados pelo mundo", enfatizou.

Depois das palavras, Marcelo Rebelo de Sousa passou aos atos e ajudou um grupo de quatro "alunos de mérito" do segundo ciclo do Agrupamento de Escolas de Freixo de Espada à Cinta a plantar o "clone".

Maria do Céu Quintas, presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, salientou que "não é todos os dias que uma árvore descendente das terras de Freixo de Espada à Cinta é plantada nos Jardins do Palácio de Belém".

"O trabalho de recuperação do Freixo de Duarte d'Armas começou há cerca de dois anos e hoje, com satisfação, estamos a plantar a primeira 'cópia' do nosso freixo nos jardins do Palácio de Belém", frisou a autarca transmontana.

O primeiro clone do freixo de Duarte d'Armas foi plantado entre o tanque de D. Maria e os jardins dos Teixos.

Em agosto do ano passado investigadores conseguiram os primeiros clones da árvore de mais de 500 anos e logo nessa altura foi revelado que o exemplar "número um" seria entregue à Presidência da República.

O freixo tem o seu nome associado a Duarte d'Armas, que representou cartograficamente, a mando do rei Manuel I, a cartografia de 56 castelos fronteiriços de Portugal, entre 1509 e 1510.

O investigador da UTAD Luís Martins disse que foram feitas mais de 900 tentativas nos últimos dois anos para assegurar os primeiros 22 clones do Freixo d'Duarte de Armas, através da utilização de raízes novas que nasceram após o início do processo de recuperação do freixo.

"Não foi um processo simples devido à própria idade da árvore. Estimamos que o Freixo de Duarte d' Armas tenha 540 a 550 anos", enfatizou o investigador.

Do trabalho de investigação foram retirados 22 clones que agora serão plantados em todas as capitais de distrito e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

O trabalho de clonagem foi lançado em parceria entre a UTAD e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

"Os trabalhos de clonagem por estacaria decorreram no viveiro florestal de Amarante, distrito do Porto, onde existem condições técnicas para o desenvolvimento dos 'filhos pródigos' do Freixo de Duarte d' Armas", indicou o investigador.

A Universidade do Algarve também participa no projeto e tem por missão desenvolver a pesquisa histórica sobre a árvore, em bibliotecas nacionais como a Torre do Tombo, relativa às lendas associadas ao freixo.

O conjunto de conteúdos será divulgado num página da Internet, em livro e num painel interativo a colocar junto ao centenário freixo.

FYP // MSP
Lusa/fim

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