terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Detidos em Torre de Moncorvo por venda de material contrafeito

Quatro homens e uma mulher com idades compreendidas entre os 22 e os 41 anos, foram hoje detidos por venda de material contrafeito em Torre de Moncorvo.
No decorrer de uma fiscalização à feira municipal, os suspeitos foram apanhados a vender material contrafeito de diversas marcas, tendo sido apreendidos 957 artigos, dos quais 593 peças de vestuário, 361 pares de calçado, dois perfumes e uma carteira.

Os detidos foram constituídos arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência.

Escrito por ONDA LIVRE

Apresentação da XXII Feira da Caça e Turismo e XXIV Festa dos Caçadores do Norte

Mais de 70 pessoas participam em curso de prova de azeite em Mirandela

Mais de 70 pessoas aprenderam a distinguir, em Mirandela, um bom azeite de um mau azeite, ou simplesmente a identificar os aromas e sabores predominantes.
A iniciativa, inserida no 'Festival do Azeite Novo', tem ganho cada vez mais adeptos, um facto que a organização assume estar relacionada com a importância que o azeite tem ganho na mesa dos portugueses.

Região de Trás-os-Montes perdeu quase metade da produção nacional de azeite

Na última década, a região de Trás-os-Montes perdeu quase metade do peso na produção nacional de azeite.
O Alentejo mantém-se o maior produtor, mas desde 2007 aumentou a representatividade no setor para 71%. A Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro garante que mais importante do que a quantidade, é a qualidade já reconhecida dos azeites da região.

População de Rebordelo protesta contra redução do horário de funcionamento do balcão do Crédito Agrícola

A população da freguesia de Rebordelo, em Vinhas, Bragança, está em protesto contra a redução do horário de funcionamento do balcão do Crédito Agrícola.
A administração do banco decidiu passar a abrir ao público apenas três dos cinco dias úteis, e a população teme ainda que no futuro a dependência possa encerrar definitivamente.

Estudantes de Bragança e Vila Real podem ganhar viagem a Bruxelas

Os estudantes de ensino profissional, secundário, e dos 2º e 3º ciclos das escolas dos distritos de Bragança e Vila Real podem agora ganhar uma viagem ao Parlamento Europeu em Bruxelas.
O desafio batizado de “Prémio Escola na Europa” acontece há quatro anos e é um projeto do Eurodeputado José Fernandes, que explica mais em que consiste.

“O prémio Escola na Europa tem como objetivo que os jovens estudantes apresentem trabalhos relativos à União Europeia mas também que os conteúdos estejam ligados ao seu território. Esta é uma forma do deputado estar próximo da juventude e dos jovens do Distrito de Bragança e Vila Real. O tema é livre mas deve incidir sobre a região de influência, Trás-os-Montes. A seleção será feita por um júri independente e o prémio é uma viagem a Bruxelas.”

E ano após ano, a adesão tem sido crescente.

“Tem sido uma adesão espetacular porque também os professores que acompanham seguidamente os alunos têm temas e em muitas escolas já discutem as questões Europeias e até têm clubes relacionados com a União Europeia mas eles em disciplinas como a Geografia abordam também questões sobre essa matéria. É uma questão de muitas vezes juntar o útil ao agradável. Isto mostra também o interesse dos professores.”

No âmbito desta iniciativa Prémio Escola na Europa, foram já premiados em anos anteriores, com a visita ao Parlamento Europeu, alunos de Miranda do Douro e de Bragança.

Os estudantes podem concorrer individualmente ou em grupos de dez elementos e os trabalhos devem ter formato digital ou multimédia.

O concurso decorre até ao final do 2º período lectivo e os trabalhos terão de ser enviados pelo director de escola ou pelo professor responsável até ao dia 23 de março de 2018, para a organização.

Escrito por ONDA LIVRE

Parque do Douro com cerca de 900 mil euros para projetos

A secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza anunciou hoje um investimento de cerca de 900 mil euros num projeto de restauro e prevenção estrutural no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).
"O plano de restauro e prevenção do PNDI prevê um investimento de cerca de 900 mil euros, que serão distribuídos pela prevenção estrutural e vigilância, restauro e conservação de habitats prioritários, tais como os azinhais e zimbrais. A contratação de um grupo de sapadores florestais e campanhas de sensibilização para boas práticas silvopastoris serão outras das prioridades", especificou Célia Ramos à Lusa.

No que respeita à avifauna do PNDI, serão construídos ao longo de toda a área protegida uma rede de alimentadores principalmente destinados às aves necrófagas.

"Este projeto surge na sequência dos incêndios do verão passado e que deixaram marcas na área do parque natural e está a ser experimentado com sucesso, em áreas como no Parque Nacional da Peneda - Gerês, que apresenta menos área ardida", frisou Célia Ramos.

O anúncio do projeto de prevenção e restauro foi feito hoje em Mogadouro, numa sessão de trabalho que juntou à mesma mesa a tutela e os presidentes da câmara de Mogadouro, Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo

A secretária da Estado destacou a criação de uma brigada de sapadores florestais, composta por cinco elementos, que terá como missão a vigilância e primeira intervenção na área do PNDI, para evitar danos nos ecossistemas, como os deixados pelo incêndio de julho que deflagrou em Picote, no concelho de Miranda do Douro.

"O que se prende com implementação deste projeto é salvaguardar o valor excecional das áreas protegidas, situadas em território nacional, sendo é possível através de um pleno de proximidade que envolva os municípios e as populações fazer ação demonstrativas daquilo que se poder fazer em matéria de previsão e risco de incêndio", sublinhou.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, disse que está dado o primeiro passo para, em conjunto, se poder avaliar todo este plano, agora apresentado.

"Recuperação da área ardida do PNDI, em Picote, é fundamental, já que são cerca de 500 hectares de terreno que é preciso recuperar e devolver ao ecossistema do Douro Internacional que é de grande valor, ambiental, cultural e paisagístico ", frisou o autarca.

Já o presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães, frisou que é importante salvadora o valor ambiental da área azinhal e de sobreiros que se estende desde Bruçó, no concelho de Mogadouro, até ao concelho de Miranda do Douro.

"Esta a falar de uma áreas de espécie arbóreas nobres que vai estendo por uma vasta área de terreno que preciso salvaguardar", enfatizou.

A equipa de sapadores florestais, de acordo com o autarca, ficará sediada em Mogadouro.

Segundo dados do Governo, inscritos no Diário da Republica, no ano de 2017 foram registadas a área do PNDI 15 ignições que afetaram uma área estimada de 400 hectares, da qual cerca de 30% "reunia "um elevado valor ambiental".

O PNDI inclui os troços fronteiriços do rio Douro e Águeda, bem como as superfícies planálticas confinantes pertencentes aos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta (Bragança) e Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda) e que se estende ao longo de mais de 120 quilómetros de extensão.

Agência Lusa

QUEM CABRAS NÃO TEM (EVITE MATAR A GALINHA)

O título desta minha crónica parece ser um nonsense, contudo há uma lógica para o mesmo que a seguir demosntrarei. O provérbio “quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem” ficou famoso como justificação de uma decisão judicial no processo Sócrates, no caso, se a memória não me atraiçoa, para a manutenção da prisão preventiva em Évora. Não havendo naquela data provas sobre a sua culpa, havia, segundo o ministério público, indícios suficientes, que sustentavam a sua tese. Contudo, essa “regra” de tempos idos, começa a perder razão e força, nos tempos modernos. Em crónica recente dei conta que quem mais alojamentos “vende” na internet é a AirBnB que não tem nenhuma casa. E é a Uber, que não tem nenhum carro, quem mais fatura no serviço de transporte individual. Poderia citar outros exemplos mas o que hoje importa referir é o caso da energia em que esta situação é ainda mais evidente e peculiar. Há, inclusivamente um novo termo para caracterizar o novo cliente energético: o prosumer. O vocábulo, de origem britânica junta os dois conceitos de produtor (prodicer) e consumidor (consumer). A atual tecnologia permite inclusivamente que seja possível vender energia, sem a produzir. Vejamos como:
Tomemos para exemplo um cliente de energia igualmente que seja também possuidor de um carro elétrico. Estas viaturas atualmente têm baterias que lhes permitem armazenar energia para viagens de distâncias consideráveis! Ora, como é sabido, a viatura particular é, no dia a dia, usada, essencialmente para ir até ao trabalho e regressar. Seguramente usará muito menos que um quarto da energia acumulada na ida e outro tanto no regresso, deixando assim disponível mais de meio depósito... que o feliz contemplado poder vender à empresa onde trabalha. E o que ganharia ele com isso? Ganha ele e a empresa. E todos nós!
A energia elétrica tem preços diferentes segundo as várias horas do dia. É mais barata à noite, mais cara durante o dia e ainda mais durante o período do meio dia que é quando há mais consumo. É mais cara porque a procura é maior e isso chegaria. Mas não só. A produção de base de energia está ajustada ao consumo médio. Os picos de procura são satisfeitos com importação, por um lado, e, por outro, recorrendo a centrais térmicas que usando hidrocarbonetos, produzem energia com um custo mais elevado e com muito maior poluição, libertando várias toneladas de CO2. Como a carga dos carros elétricos se faz durante a noite, quando a energia é barata, é possível entregá-la na hora de ponta a um valor mais elevado e, mesmo assim, menor que o cobrado pelas operadoras energéticas. Todos ganham e o ambiente também!
Vamos agora à galinha que, obviamente, se refere a outro refrão popular, nomeadamente a dos ovos de ouro. E porquê? Porque este novo negócio (em que já há várias empresas a iniciar a exploração) baseia-se na realidade de que a há uma diferença de preço por causa das exigências de consumo. A exploração desse diferencial vem, precisamente, diminuir essa diferença. Em última análise se este negócio for muito bem sucedido e toda a necessidade de energia adicional for compensada por energia armazenada a baixo custo... deixa de fazer sentido pagá-la mais cara pois a situação passa a ser uniforme. Ou seja, quanto maior for o sucesso deste novo negócio, maior é a ameaça que sobre ele paira!
Mas o caminho é esse. Um caminho estreito, pois necessita de um elevado grau de equilíbrio: tal como a galinha que, enquanto enriquecia o seu dono, tinha de recear pela sua vida por causa da possível ganância do mesmo.



José Mário Leite
in:jornalnordeste.com

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - ANTÓNIA COELHO ZUZARTE (N. FREIXO E. CINTA, 1648)

Uma das moradias históricas mais interessantes da vila de Freixo de Espada à Cinta é a chamada casa dos Zuzarte. Interessante, sobretudo pela heráldica judaica que apresenta na fachada principal. Com efeito, o arco de granito da porta comercial do r/chão é decorado com três ramos de árvore (carrasco), cada um deles com 4 rebentos, simbolizando as 12 tribos de Israel. Uma janela do piso superior é decorada por uma rosácea com o hexagrama judaico insculpido e, ao lado, a data de 1557. Em uma outra pedra está escrita a palavra Zuzarte, certamente indicando a família dos construtores.
Não sabemos se foi naquela casa que, em 2.12.1648, nasceu Antónia Coelho Zuzarte, filha de Pedro Lopes da Fonseca e sua mulher Maria Coelha Zuzarte, bem como os seus 2 irmãos e 3 irmãs. Trata-se de uma família da nobreza e governança da terra, já que Pedro Lopes era o proprietário do lugar de meirinho do juiz de fora, ou seja o homem que tinha a seu cargo a manutenção da ordem pública e superintendia na cobrança das taxas e impostos municipais, acumulando com o cargo de escrivão da alfândega. E o seu irmão Domingos da Fonseca costumava andar na vereação da câmara, chegando mesmo a ocupar, por inerência, o lugar de juiz de fora, a autoridade civil mais importante da terra. E sendo família nobre, obviamente que se ligou a outras famílias igualmente nobres, como a dos Madureira, dos Varejão, Gamboa, Gama, Rego, Monteiro de Carvalho…
Situemo-nos então na vila de Freixo E. Cinta no ano de 1667. Antónia contava 19 anos e estava solteira, tal como sua irmã Joana e os irmãos Manuel Matela e João Coelho, este com 25 anos e servindo o ofício de meirinho, nele delegado por seu pai. A irmã Cacilda, a mais velha, era casada com seu primo direito António Varejão e a irmã Maria Coelho Zuzarte traria no ventre o primeiro filho de seu marido, Manuel Monteiro de Carvalho.
Em Março daquele ano, por ordem da inquisição, foram ali presas 3 pessoas ligadas entre si por laços familiares. Duas eram mulheres e, encarceradas que foram em Coimbra, ambas confessaram que, anos atrás se tinham encontrado em casa de Pedro Lopes da Fonseca com 3 de suas filhas (Antónia, Maria e Joana) e o seu genro Manuel Monteiro de Carvalho, que todos tinham parte de cristãos-novos e com elas se tinham declarado seguidores da lei de Moisés.
Com base nestas denúncias, em 6 de agosto de 1669, foram presas aquelas 3 filhas e o genro de Pedro Lopes e Maria Zuzarte, (1) numa operação, certamente “militarizada” conduzida por Diogo Monteiro de Melo, familiar do santo ofício e capitão-mor de Torre de Moncorvo.
Causaria enorme espanto a prisão de gente de tão alta nobreza, numa terra onde a presença da inquisição nunca foi muito sentida. Ainda mais porque nesta família, tanto pelo costado paterno como pelo materno, havia padres que, para se ordenarem, tiveram de fazer prova de pureza do seu sangue.
Como todos afirmavam ser cristãos-velhos, haveria de ter em conta dois aspetos. Por um lado, averiguar se eram cristãos-velhos ou tinham alguma parte de cristãos-novos, como as denunciantes disseram. Por outro, haveria de saber se realmente se tinham declarado judeus com as mesmas denunciantes.
O processo de averiguação da pureza de sangue foi conduzido pelo comissário da inquisição Gonçalo Caldeira de Vasconcelos, (2) morador em Torre de Moncorvo que sobre o assunto ouviu dezenas de testemunhas, naturalmente as pessoas mais velhas da vila e que conheceram ou ouviram falar dos seus ascendentes. O processo concluiu-se com um despacho do Conselho Geral declarando que as irmãs Coelho Zuzarte tinham ¼ de cristãs-novas por parte de sua avó materna, Feliciana Lopes.
Das testemunhas inquiridas, há duas cujo testemunho é deveras interessante para o estudo da questão da “lavagem de sangue”. Uma delas foi o padre Jorge Francisco Gil, de 60 anos. Começou por dizer que “a ré tem parentes clérigos e frades, pela parte paterna e materna”. Um deles chamou-se Francisco Jorge Coelho e para se ordenar, foi feita a análise da pureza do seu sangue, inquirindo-se umas 80 testemunhas! O inquérito não terá sido muito conclusivo pois que, antes de proceder à sua ordenação veio o arcebispo D. Afonso Furtado (3) a Freixo de Espada à Cinta e do púlpito da igreja anunciou que, do lado materno, estava apurada a limpeza do seu sangue e do lado paterno, se alguém soubesse de algum impedimento, que o dissesse.
Depois de contar o episódio e perante uma tal afirmação do arcebispo, a testemunha concluiu o seu depoimento dizendo:
- E ouvindo as pessoas que da primeira vez impediram, disseram então: se o arcebispo o aprova pela parte mãe, pela parte do pai não temos que dizer!
Terá sido este um processo de lavagem de sangue conduzido pelo próprio arcebispo de Braga?
Outro depoimento interessante foi o de Gaspar Pinto de Meireles, escrivão da câmara, 79 anos. Depois de afirmar que a Zuzarte “tem fama de parte de cristã-nova pelo lado da avó paterna, Antónia Francisca, que diziam ser neta de uma Fulana Gomes, de Chacim (…) e outrossim pela parte da sua avó materna, chamada Feliciana Lopes, havia a mesma murmuração”, contou a história do impedimento da ordenação de outro padre da mesma família, primo do pai de Antónia Zuzarte, chamado Baltasar Lopes.
No entanto, este acabou o mesmo por se ordenar padre, depois que o provisor do arcebispado, D. Gaspar do Rego da Fonseca (4) mandou a S. Felices de Gallegos, com autorização do bispo de Cidade Rodrigo fazer investigação genealógica do candidato. Mais curioso ainda: para fazer as averiguações em S, Felices de Gallegos foram dois cavaleiros da Ordem de Cristo!
Obviamente que todas estas diligências levaram tempo e, entretanto, as Zuzarte penaram nas celas da inquisição, por mais de 3 anos e meio. Cristãs-novas ou não, importava depois averiguar da verdade das denúncias feitas.
Foi com facilidade que elas se defenderam da acusação de declaração e prática de judaísmo, logo acertando nas denunciantes: Isabel de Matos e Francisca Soares, cunhadas entre si e que foram presas em Março de 1667 e juntas fizeram a viagem para Coimbra.
As Zuzarte provaram que as denunciantes eram falsárias e por vingança inventaram as denúncias. Foi para se vingarem de seu pai, Pedro Lopes da Fonseca, o chefe da família. Com efeito, quando Isabel e Francisca foram presas, sequestraram-lhe os bens e leiloaram na praça pública os necessários para fazer dinheiro líquido para custear a viagem para a cadeia de Coimbra e a alimentação no cárcere. E para isso foram leiloados uns couros que Pedro Lopes arrematou. E na própria casa de Francisco Lopes Garcês onde esteve “presa”, Francisca Soares pediu àquele que lhe arrematasse os couros para seu marido. (5) E quando soube que o meirinho os arrematara, disse:
- Se ele lançou nos meus couros, eu lançarei em coisa que mais lhe doa (…) ele ou coisa sua me pagarão.
E provou-se também que, estando 9 dias “presa” na casa de Domingos Gonçalves, em Torre de Moncorvo, enquanto se organizava a viagem para Coimbra, ela renovou as ameaças dizendo, nomeadamente:
- Não havia nenhum atrevido senão o meirinho que lançasse nos meus couros!
E assim se concluiu o processo de Antónia Coelho Zuzarte, como, aliás, o de suas irmãs, sendo absolvida das acusações. E foi-lhe dado a escolher se queria que a sua sentença fosse lida em auto público da fé, ou em cerimónia particular, na Mesa da inquisição. Esta foi a escolha de Antónia Zuzarte, sendo a sentença lida em 7.2.1673. Foi declarada inocente e mandados restituir os bens sequestrados. Porém… teve de pagar as custas do processo, incluindo as despesas da viagem, gratificação a quem a levou presa e aos comissário e escrivães que fizeram as diligências.

Notas:
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 4572, de Antónia Coelho Zuzarte.
2- O comissário Gonçalo Caldeira de Vasconcelos faleceu antes da conclusão do processo das Zuzarte, sendo substituído nas diligências que depois se fizeram pelo reitor da matriz de Freixo João Fernandes Lopo.
5-Pº 4572: - Francisco Lopes Garcês, homem nobre, dos principais desta vila (…) disse que estando Francisca Soares em sua casa dele testemunha presa pelo santo ofício, dissera a ele testemunha que pedisse a Pedro Lopes da Fonseca, pai da ré, lhe não lançasse nos couros, e se lançasse, os desse ao marido dela contraditada, e que dissera que ele ou coisa sua me pagarão.
3-D. Afonso Furtado de Mendonça foi arcebispo de Braga entre 1618 e 1626.
4-D. Gaspar do Rego da Fonseca, provisor do arcebispado de Braga, seria depois nomeado bispo do Porto, cargo que exerceu entre 1632 e 1639. Era natural de Vila Maior, terra de Ribacôa, filho de Daniel do Rego e Leonor da Fonseca.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

QUE VIDA BOA É A DE LISBOA

A capital da república, que já foi do reino e do quase império, vive dias de júbilo, com os negócios do imobiliário a alimentar patos bravos, moedas a tilintar por todo o lado, um aeroporto congestionado a conhecer um upgrade na consideração da aviação internacional e o Terreiro do Paço a tornar-se o farol da gestão financeira pós-moderna.
Por vezes quase somos levados a sentir aquele frémito que perpassou algumas gerações de há um século, que quiseram acreditar num destino que nos colocaria no olimpo da história, ou o orgulho serôdio de glórias passadas, de que é exemplo memorável a fulgurante embaixada a Roma, com que o rei venturoso embasbacou a cristandade no princípio do século XVI. O pior é que, desses sonhos, caímos rapidamente no pesadelo que foram quarenta e oito anos de apagada e vil tristeza, enquanto outros rasgavam horizontes de liberdade e prosperidade.
O país tem vivido nestes quase nove séculos em verdadeira bipolaridade, embarcando em euforias estonteantes a que se seguem longos períodos depressivos, desanimados, rendidos à miseranda desilusão.
A capital não conheceu destino diferente, apesar dos arrufos de pretensão que lhe vão povoando o tempo, muitas vezes com efeitos gravosos para o resto do território e das gentes.
Lisboa não tem sido capaz de assumir a condição de cabeça da república, reincidindo em condutas que de nada servem para que o país mude de rumo. O que sentimos é que a voracidade da capital não tem forma de saciar-se e o país continua a sustentar verdadeiros caprichos dos que, por lá, atingem o desiderato tosco de se sentirem importantes para além das berças, donde partiram ao cheiro não da mirífica canela, mas de essências espúrias que o videirismo cultiva.
De facto, quem vive na capital usufrui de verdadeiros privilégios relativamente à generalidade dos restantes portugueses. Vejam-se as redes de transportes, subsidiadas por todos nós, com frequências que deixariam sem fala qualquer transmontano que possa conceber e esperar alguma liberdade de movimentos. Ele é a Carris, o Metro, os barcos nas travessias do Tejo, a grelha de auto-estradas, tudo partilhado, nos custos, com os desgraçados que deixaram de ver passar os comboios ou os autocarros de carreira, que já nem conhecem a cor dos táxis e também já não têm burros para montar a caminho do médico, dos correios, das finanças, da farmácia, do café… da vidinha mais simples.
Como se isto não bastasse, desde há algum tempo, à malta de Lisboa foi garantido um direito especialmente discriminatório dos restantes. Para entrar no castelo de S. Jorge, monumento nacional, toda a gente paga, menos os que residem no município capital. Não se vislumbra justificação para tal diferença, já que a conservação de tão simbólico espaço edificado é responsabilidade de todos os portugueses.
Os privilegiados lisboetas, que têm comodidades especiais, acesso a serviços como ninguém, ainda se reservam o direito ao abuso, provavelmente exibindo sorriso escarninho do rufia, que se gaba de enrolar os pategos.
Mais um exemplo do desprezo pelo país que a velha capital faz gala em ostentar.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

Inaugurada a sala Multissensorial Snoezelen

O espaço recém inaugurado é o 1º aberto a toda a comunidade e de acordo com os dirigentes da cooperativa de solidariedade social é "uma ferramenta poderosíssima" que vai auxiliar os brigantinos.
Foi inaugurada na passada sexta feira, dia 19 de Janeiro, na cidade de Bragança, a sala Multissensorial snoezelen da Cooperativa Humanum Est. Esta valência está disponível a toda a comunidade brigantina e vai ajudar os utentes, no âmbito da psicologia clínica e de saúde mental.Uma sala Snoezelen é um local com luz, sons, cores, texturas e aromas, onde os objectos coloridos estão à disposição para serem tocados de forma a estimular os sentidos dando sensação de prazer. 

Este espaço, recém inaugurado, vai permitir uma estimulação cognitiva e de relaxamento a todos os utentes. A sala Multissensorial Snoezelen poderá ser frequentada por toda a comunidade, desde crianças a adultos ou até mesmo idosos que necessitem desta terapia. "Esta instituição não tem muros!", defende a directora Técnica, Ana Denise Morais. "Somos inclusivos e pretendemos receber todos através da consulta e auxiliar o máximo que podemos nesta área".

A Fundação PT foi o patrocinador do projecto, no valor de 21mil euros em equipamento. Na inauguração esteve presente a directora desta instituição, Graça Rebocho que se disse bastante satisfeita com o resultado final do espaço, uma vez que está "bem estruturado, desenhado e apelativo". Explicou que existem várias razões para apoiar este tipo de projectos. Uma é porque se insere numa das áreas prioritárias na linha intervenção daquela instituição, que diz respeito à saúde e bem-estar das populações. Outra das razões destacadas é por considerarem que a“Humanum Est presta um trabalho diferenciador e meritório junto da população". Também acrescentou que é um projecto no interior, tem de ser apoiado porque aqui não existem tantos meios e condições de apoiar esta população.
A cerimónia também foi pautada pela presença do presidente da câmara da cidade, Hernâni Dias que destaca que este equipamento será uma mais valia para toda a comunidade.
A cooperativa de solidariedade social, Humanum Est foi criada em Maio de 2015 e conta neste momento com a participação de 50 utentes que recorrem a esta instituição para a resolução de problemas ligados à psicologia clínica e de saúde mental. 

Escrito por: Brigantia

Festival do Butelo e das Casulas com muitas novidades este ano

É um dos paladares tradicionais de inverno nesta região. O butelo e as casulas são o prato de eleição nas casas transmontanas por altura do Carnaval e são também os reis de um festival organizado em Bragança e que vai já na 5ª edição.
Para este ano além da venda fumeiro, artesanato e outros produtos da terra, que já é habitual, há novidades no programa. As alterações foram pensadas “para abranger mais públicos”, como esclarece o presidente da câmara Hernâni Dias.
Um dos grandes destaques apontados pela organização é a preparação de actividades lúdicas para as crianças, dinamizadas pelo Centro de Ciência Viva, de forma a promover mais o ambiente familiar na feira e a chamar as crianças para um programa em família com os pais, estando assim solucionada uma lacuna identificada nas edições anteriores da falta de atractividade para os mais novos.
O encontro nacional de confrarias foi apontado como o momento alto desta edição. “O ponto alto será sempre aquele que permite a exposição e venda de produtos. Mas destaco o Encontro Nacional de Confrarias, do ponto de vista gastronómico e de promoção do próprio prato”, disse o presidente da câmara, Hernâni Dias.
A organização acrescenta ainda que as vendas de butelo e casulas “aumentaram exponencialmente” tanto na região como fora dela desde a criação do festival.
Outra das várias novidades destacadas é a demonstração da produção artesanal de butelo e a confecção juntamente com as casulas em pote de ferro.
Este ano o preço das casulas ronda os 12 euros por quilo e do butelo os 15 euros por quilo. O Festival do Butelo e das Casulas decorre nos dias 2,3 e 4 de Fevereiro na Praça Camões a par do Festival Gastronómico, que vai de 2 a 13 de Fevereiro, em 27 restaurantes da cidade. 

Escrito por Brigantia

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Verba de 270 mil euros para retirada de lixo do Cachão

Agora sim, já é oficial. O Ministro do Ambiente emitiu um despacho, a semana passada, onde estão consignadas as intervenções, e as respetivas dotações orçamentais, que serão apoiadas pelo Fundo Ambiental.
Entre elas está uma verba de 270 mil euros para a operação de retirada das cerca de 40 mil toneladas de resíduos queimados do complexo agro-industrial do Cachão, resultantes dos incêndios registados, em Fevereiro de 2016, e em Setembro de 2013, em três edifícios que armazenavam plástico prensado e outros materiais.

Para a presidente do Município de Mirandela, esta é a garantia de que vai ser possível cumprir uma das promessas eleitorais e que é o primeiro passo para que seja possível a requalificação ambiental de todo o complexo.

“Foi publicado o Despacho do Gabinete do Ministro do Ambiente que contempla no Fundo Ambiental uma verba de 270 mil euros da remoção dos resíduos perigosos remanescentes do Complexo Agro-Industrial do Cachão na sequência dos incêndios ocorridos. 

Permite à Agro-Industrial do Nordeste fazer a reabilitação tal como é o nosso compromisso em conjunto com o Município de Vila Flor a reabilitação do Parque Industrial, uma vez que só é possível reabilitá-lo depois da saída e da remoção do depósito de lixo.”

Júlia Rodrigues entende que esta é uma boa notícia, sobretudo para os habitantes do Cachão que convivem há vários anos com este problema ambiental.

“Uma boa novidade porque de facto nós sabemos que se convive há anos com esta situação ambiental, fruto dos dois incêndios ocorridos e portanto é uma forma de conseguirmos, por um lado, uma saúde ambiental diferente e por outro lado arrancar com a necessária revitalização do complexo.”

Agora a AIN terá de estabelecer um protocolo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para apresentar uma nova candidatura ao fundo ambiental e a autarca mirandelense acredita que a operação de retirada dos resíduos deve começar ainda antes do final do primeiro trimestre.

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

Bragança, um distrito com história na produção de seda

Parapeito de janela cai num carro estacionado

O parapeito de uma janela do segundo andar de um prédio na rua Dr. Luís Olaio em Macedo de Cavaleiros, caiu esta manhã embatendo no vidro frontal de um veículo ligeiro estacionado na mesma rua.
A funcionária de uma loja ao lado do prédio refere ter ouvido um estrondo que a alertou para o que se estava a passar.

“Ouviu-se um estrondo e dirigi-me à saída da loja. Quando verifiquei estava um carro com pedaços de uma janela que caíram em cima do vidro. Até esta hora ainda não apareceu ninguém. As autoridades foram alertadas e estamos agora à espera que chegue o proprietário para verificar o que vai fazer.” 

As autoridades foram alertadas e estiveram no local, mas o proprietário do veículo ainda não compareceu.

Ao que conseguimos apurar a dona do apartamento não mora em Macedo de Cavaleiros estando fora há já algum tempo.

A GNR está agora a efetuar diligências para apurar responsabilidades.

Escrito por ONDA LIVRE

Memórias da RTP - 1961-06-15 - Visita de Francisco Gonçalves Ferreira ao distrito de Bragança

Visita de Francisco Gonçalves Ferreira, secretário de Estado da Saúde e Assistência, a várias instituições dos setores da saúde e educação no distrito de Bragança.
Clica na imagem para aceder ao video

Dizeres e Ditos na Carta Gastronómica de Bragança

Horácio do Nascimento Esteves
Sr. Horácio do Nascimento Esteves87 anos, vive em Carragosa.
Começou a trabalhar na agricultura. Aos 15 anos trabalhou na floresta, ganhava cinco coroas por dia, tinha de as dar ao Pai e à Mãe. O horário era de sol a sol. Se chegasse atrasado só ganhava três quartos da jorna. Também trabalhou nas estradas.
Por fim arranjou uma junta de vacas e ficou agricultor para sempre. Cultivava batatas, centeio e trigo. O centeio comia-se dia a dia, o trigo nos dias de festa, nestes dias melhorava-se a comida, faziam canja, torravam-se galinhas na brasa e matava-se um carneiro, vitela os agricultores não a viam. O toucinho comia-se todos os dias, o de dantes era melhor do que o de agora.
O azeite não era muito, punha-se o dedo na ponta do azeiteiro para que não caísse em quantidade. Não se matavam cabritos, nem cordeiros, vendiam-se e rendiam bom dinheiro. Comiam carneiro. Eram sete irmãos, comiam todos do mesmo prato, muitas vezes o Pai e a Mãe não comiam para dar aos filhos. Não havia bifes. De manhã comiam pão untado com azeite e alho. Andaria na quarta classe quando conheceu a manteiga, a Cáritas é que trouxe às aldeias a fama da manteiga e do queijo, que era rectangular, cortavam-no às fatias, os ricos ficavam com ele.
O Verão era custoso, mas havia alegria, mesmo com fome andavam contentes e respeitavam uns e outros. Respeitava-se os Pais, os Avós, o Padre e a Senhora Professora.
O que o Pai mandasse era o que tinha de se fazer. No casamento só foram os padrinhos e o padre. Lembra-se de terem comido cabrito assado com batatas.
Vendiam vinho e castanhas. Arrancaram as vinhas, recebeu dinheiro para isso, agora
tem oliveiras.
Está muita gente a voltar à aldeia porque na cidade não se governava. O agricultor descansa mais no Inverno, mas há sempre que fazer. Ele ainda se levanta às seis da manhã, cultiva batatas, cebolas, feijões e tomates.


Idalina da Conceição da Fonte
Sr.ª Dona Idalina da Conceição da Fonte, 89 anos, vive em Bragança.
Viviam mal por falta de orientação paterna. Não frequentou a Escola.
Fazia manteiga do leite das vacas do patrão, uma semana para ele, outra semana para ela.
Na matança faziam caldo, bom arroz de couve, carne cozida, feijões e fígado. Não se lembra de fazer folar, bolos económicos sim.
O peixe mais consumido era o capatão e os peixes apanhados pelos irmãos.
Habitualmente cozinhava arroz de bacalhau e batatas com bacalhau. Se ao almoço tivesse dificuldades no arranjar de comer, cozinhava batatas com chouriço.
Os chouriços conservam-nos em banha metidos numa panela. Nasceu em S. Pedro dos Serracenos.


Ilda da Conceição Gonçalves
Sr.ª Dona Ilda da Conceição Gonçalves87 anos, vive em Vila Nova.
Nunca foi à Escola. Ficou sozinha muito nova, aos quatro anos. Foi paqueta desde pequenina. Andava de um lado para o outro.
Casou em Vila Nova, ela e o marido muito pobres, cada um a servir em cada casa.
Pagaram o vinho, comeram meio cordeiro e moletes de trigo. Foi a boda.
No Carnaval as mulheres vestiam-se de homens, os homens de mulheres, e sujavam as pessoas atirando-lhe farinha de lentilhas.
No Entrudo comia-se butelo e chouriço verde, na Páscoa folar e carne guisada.
As ovelhas velhas não se comiam, carneiro só para criação.
As pessoas doentes comiam caldinhos, um arrozinho ou puré, as crianças sopas de leite. Mamavam durante um ano.


Ilda de Jesus Pereira
Sr.ª Dona Ilda de Jesus Pereira, 80 anos, Vive em Izeda. Comíamos o que a terra dava. Um comer de couves de penca, batatas e azeitonas, já era muito. Faziam caldo de lentilhas, tentavam ver quem conseguia apanhar mais com a língua. Andava no rebusco da azeitona. Não havia comidas fidalgas. Em Izeda sempre houve azeite. A erva ossinha usava-se para fazer a calda das azeitonas. No mês de Maio não se podia mexer nas azeitonas com a mão, nem as mulheres com a menstruação as podiam cortar. Tirava-se da calda com uma escumadeira.
Também faziam bolas de unto as quais se conservavam pelo ano fora, para se fazer a sopa de couve-galega no Verão, e tronchuda no Inverno. Rabas só se comiam no Natal, vinham da serra a troco de azeite.
A hortelã só se usava para fazer chás contra as dores de barriga. Nos Santos quem podia
comprava marrã, depois comia-se assada na brasa. Os figos punham-se na lareira e ficavam como assados.
O seu casamento foi muito pobre. A minha mãe não o fez, realizou-se em casa do meu irmão, na véspera uma vitela de um vizinho partiu uma perna, e então comprámos uma arroba para assar. Cozeu uma fornada de pão de trigo e comprou vinho porque tinha
conseguido guardar 100$00. Também comemos arroz de frango e económicos.
Teve seis filhos.

Bragança cercada pelo rei de Leão - D. Sancho I

El-rei D. Afonso IX de Leão casara com D. Teresa, filha de D. Sancho I de Portugal, sua parenta em grau proibido pela igreja para a validade de tal enlace; o papa fez-lhes ver a nulidade deste matrimónio em face dos cânones, e ameaçou mesmo o reino com a excomunhão, caso não se separassem. Depois de várias hesitações, D. Teresa foi reenviada para Portugal.
D. Sancho, suficientemente bronco para não perceber mesmo as razões fisiológicas de tal separação, não a levou a bem e nalgumas hostilidades cometeu contra o leonês, que motivaram o ingresso deste, em som de guerra, pela fronteira norte de Portugal, vindo cercar Bragança em 1198 ou princípio de 1199.
São ignoradas as circunstâncias deste cerco, que o autor da Bragança e Bemquerença coloca em Maio de 1199 e D. Sancho veio defender em pessoa. Constando este facto originária e unicamente de um documento citado por João Pedro Ribeiro, datado da era de 1237 (ano de Cristo 1199) «... mense maio: regnante Rege Sancio a flumine Minio usque in Ebora, et a mari Occidentale usque in Edame, eo videlicet anno quo venit occurrere Civitati Brigantie et liberavit eam ab impugnatione Regis Legionensis», não nos parece, como pretendem alguns, que o sítio de Bragança fosse precisamente em Maio de 1199, porquanto o texto em questão apenas nos autoriza a concluir que foi antes desse mês.
Também em mais de um lugar das Inquirições de D. Afonso III se encontra a mesma referência, as quais dizem o seguinte, tratando da povoação de Malhadas, no concelho de Miranda do Douro: «ergo villa de malada quod audiviti dicere hominibus qui sciebant quod Rex donus Sancius senex dedit illam donno Nuno de Zamora et donno Egidio et donno Petro de Zamora tali pacto quod si veniret guerra ad braganciam aut cercum quod ipsi intrarent in blagancia et quod defenderent eam et postea blagancia fuit cercata e ipsi supradicti noluerunt intrare in ipsa villa nec defendere eam».
Iguais declarações fazem ao tratarem do julgado de Ulgoso (Algoso) e da freguesia de Sancti Chrestophori de Barceosa e referindo-se à de Rivulo Frigido (hoje Rio Frio de Outeiro), acentuam que o rei de Leão tomou Algoso talvez ao marchar sobre Bragança.






Memórias Arqueológico-Históricas
do Distrito de Bragança

Teatro Municipal de Bragança - EVENTOS

Memórias Contadas: A minha casa era a sede
conto de Judite Canha Fernandes
A minha casa era a sede é a história de duas meninas.
Com amizades em voz de bicho e terra vão-se tornando humanas, como a maior parte das pessoas são.
Têm aventuras muito possessas, como missas clandestinas, funerais de caixas de fósforos e beijos furtivos roubados a bochechas incautas.

CRIAÇÃO: Teresa Gentil, Judite Canha Fernandes e Cláudia Gaiolas
INTERPRETAÇÃO: Teresa Gentil e Judite Canha Fernandes
MÚSICA ORIGINAL: Teresa Gentil
FOTOGRAFIA: Manuel Ruas Moreira

ENTRADA LIVRE (obrigatório levantar bilhete) M/6 Duração aproximadamente: 40 minutos
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Concerto de Piano com: Domingos António
"Desta vez resolvi dedicar o concerto inteiramente à obra de Mozart, cujas composições(...) me têm proporcionado muita alegria"
(Domingos António)

6,00 € / Auditório
M\12 Duração aprox.: 1H00
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Isaura @bragança - Noites Frias Vozes Quentes

Piaget de Macedo aposta em cursos profissionais

Revitalização passará por cursos-alvo, aproveitando recursos e atividades da região.
No período de seis meses, o Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros espera apresentar uma nova oferta educativa, pensada para aproveitar os recursos endógenos do concelho.
A novidade foi avançada após uma reunião, que envolveu a Câmara Municipal e a direção da instituição de ensino, e que contou com a presença da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Porém, o regresso do ensino superior não está previsto nesta primeira fase de revitalização. "No imediato, e para podermos agilizar o processo, vamos apostar em cursos mais rápidos de aprovar, como os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP)", revela Benjamim Rodrigues, autarca local.
Há a vontade de incluir na oferta educativa "cursos-alvo, com fundamento para a nossa região, capazes de atrair jovens" para promoção dos recursos endógenos. Em cima da mesa está a criação de novos cursos ligados ao setor cinegético [caça], que já vem a ganhar peso económico na região.
O Instituto Politécnico de Bragança e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro são potenciais parceiros neste processo. Já Maria Fernanda Rollo, secretária de Estado, salientou que, para que tudo isto aconteça, é necessário que as famílias percebam que prosseguir estudos é essencial. "Apenas um em cada três jovens seguem para a universidade. Assim é difícil ter gente nas escolas", afirmou.
O Piaget de Macedo de Cavaleiros abriu portas nos anos 90 e comportava mais de dois mil estudantes, que eram o motor económico da cidade. 
Em 2003 entrou em fase de declínio, até que em 2015 ficou sem alunos.

Tânia Rei
Correio da Manhã